O Ford Mustang 1965
Embora o Ford Mustang 1965 original usasse muitos componentes de Falcon para oferecer um preço-base baixo, o novo cupê era mais do que uma versão mais descolada do compacto de passeio. É claro que o Mustang tinha uma aparência bem mais esportiva do que o Falcon. Mas isso também deu início à era de personalização automotiva que foi a chave para seu sucesso.
|
O Mustang causou mais empolgação nos compradores do que qualquer outro Ford em sua geração. Seu espetacular estilo era uma das grandes razões.
|
É claro que Lee Iacocca, o "pai" do Mustang e os engenheiros que ele comandava gostavam de mencionar os significativos avanços mecânicos e tecnológicos em "controle do peso" possibilitados pela "construção em plataforma", basicamente um monobloco modificado.
Conforme afirmou um catálogo: "O Mustang, com seus componentes estruturais galvanizados e caixas de torque, foi desenvolvido pensando na robustez e na resistência do chassi e dos componentes da carroceria. O túnel contínuo no centro da plataforma, que vai do curvão até o alojamento do eixo traseiro, proporciona um suporte firme ,e toda a estrutura é reforçada com o uso efetivo de travessas e reforços". Ainda assim, o conversível exigia um bocado a mais de reforços para manter a flexão da carroceria dentro de limites toleráveis.
O mais óbvio era como mesmo o Mustang básico parecia luxuoso em comparação a um Falcon típico, graças aos bancos dianteiros individuais de série, interior em vinil, carpete completo e calotas de rodas integrais. Conforme planejado, o conjunto propulsor "inicial" empregava o motor de seis cilindros em linha do Falcon de 170 pol³ (2,8 l) enviando uma potência de 102 cv por meio de uma caixa manual de três marchas com alavanca de mudanças no assoalho. Era uma boa combinação, proporcionando um consumo de 8,5 km/l. Mas quem se importava com isso quando a gasolina custava US$ 0,70 por litro? Um carro esportivo como este tinha de ter um motor V8.
|
Mesmo os modelos sem itens de luxo eram bastante elegantes, já que incluíam bancos individuais em vinil e carpete no assoalho
|
E ele tinha - eram quatro opções de motores V8 à disposição. A básica era um motor de 260 pol³ (4,3 l), que por US$ 75 adicionais proporcionava a potência de 166 cv com um carburador de corpo duplo. Os cilindros tinham diâmetro de 96,5 mm, e o curso dos pistões era de 72,9 mm. Em seguida, vinha um motor 289 pol³, com diâmetro dos cilindros 101,6 mm e potência de 198 cv, com carburador de dois corpos, por US$ 108, ou 213 cv com o de corpo quádruplo, por US$ 162. O topo de linha era um motor "Hi-Performance" (HP), de 289 pol³ (4,7 l) com potência de 274 cv, que poderia ser seu por US$ 443. Quanto aos "verdadeiros" Mustangs modelo 1965, o motor de seis cilindros e 170 pol³ (2,8 l) foi substituído por uma unidade aprimorada de 200 pol³ (3,3 l) com uma potência de 121 cv. O motor V8 de 260 pol³ (4,3 l) deu lugar a um de 289 pol³ (4,7 l) e potência nominal de 203 cv e carburador de corpo duplo, e o equipado com carburador de quatro corpos aumentava sua potência para 228 cv.
Com exceção do motor HP V8, todos os motores dos Mustangs podiam ser encomendados com uma caixa manual de 3 marchas, uma caixa manual Borg-Warner T-10 de 4 marchas (US$ 116 para motores de 6 cilindros e US$ 76 para motores V8) ou a transmissão automática Cruise-O-Matic de 3 velocidades da Ford (US$ 180/US$ 190). A versão de 4 marchas era um "opcional obrigatório" junto com o motor HP, uma tática comum em Detroit para aumentar os lucros.
O HP surgiu com uma relação de 3,50:1 no eixo traseiro e era o único motor disponível com relações curtas (numericamente altas), preferidas pelo corredores de arrancadas (3,89:1 e um ainda mais curto 4,11:1). Os motores de 6 cilindros vinham com relação de 3,20:1, os motores V8 com carburador de corpo duplo vinham com 2,80:1, e o V8 normal, com carburador quádruplo, apresentava relação de 3,00:1.
Motores V8 leves e vigorosos
Todos os motores V8 dos Mustangs lançavam mão de um eficiente design com paredes "delgadas" lançado em 1962, com a unidade Fairlane de 221 pol³s (3,6 l). O apelido se referia às técnicas de fundição avançadas, empregadas para fazer com que eles fossem os motores V-8 de bloco de ferro mais leves da época.
Os recursos compartilhados incluíam câmaras d'água em toda a volta por toda a sua altura, câmaras de combustão em forma de cunha de alta turbulência, tuchos de válvula hidráulicos, afogador automático e distribuidor de avanço centrífugo e vácuo. Os motores com carburadores de quatro corpos conseguiam potência adicional por meio de sistemas de admissão de maior fluxo, comando de válvulas mais agressivo e maior taxa de compressão - e tudo isso exigia gasolina premium.
|
Os quatro motores V8 opcionais variavam do 260 pol³ (4,3 l) e potência de 166 cv até o potente 289 pol³ (4,7 l) e 274 cv, exibido aqui
|
Naturalmente, o motor Hi-Performance 289 foi além. Além de uma alta taxa de compressão, de 10,5:1, em comparação com 8,8 ou 9,0:1, ele se beneficiou de comando de válvulas mais bravo, tuchos de válvula mecânicos, hastes de válvulas cromadas, escapamento de fluxo livre e filtro de ar com baixa restrição.
Para aqueles que não queriam ou não podiam pagar pelo motor HP V8 e posteriormente desejavam tê-lo, os distribuidores da Ford logo começaram a oferecer uma ampla lista de opcionais de alto desempenho. Muitos eram comercializados com a bandeira Cobra, uma jogada esperta, já que o mesmo motor básico equipava os carros esportivos Cobra de Carroll Shelby, imprimindo sua marca. Conforme incentivava um anúncio: "Misture um Mustang com um Cobra para obter o carro de alto desempenho do ano"!
Um bom ponto de partida era o coletor em alumínio com dutos grandes disponível com carburador de 4 corpos, por US$ 120, com 3 carburadores de 2 corpos, por US$ 210, ou com 2 carburadores de 4 corpos, por US$ 243. Um "Kit de comando do Cobra", por US$ 73, fornecia os tuchos mecânicos e o comando de válvulas do HP, e um "Kit do cabeçote", vendido a US$ 222, oferecia os cabeçotes, válvulas grandes e as molas de válvulas mais duras do HP. Um "Kit de alta performance do motor" combinava esses dois pacotes com pistões correspondentes, por US$ 343. Outros equipamentos vendidos livremente incluíam um distribuidor Cobra de dois platinados, por US$ 50, uma embreagem reforçada, escapamentos duplos, se é que já não estivessem instalados, e kits estéticos do motor com uma abundância de revestimentos cromados reluzentes.
Para obter mais informações sobre o Ford Mustang de ontem e de hoje, confira os artigos a seguir.
- Embarque na história completa do carro esportivo mais querido dos EUA lendo o artigo Como funciona o Ford Mustang (em inglês). Várias publicações contam a trajetória dessa lenda desde sua concepção no começo dos anos 60 até o Mustang totalmente redesenhado de hoje.
- Era o carro certo na época certa, mas o Mustang teve que aguardar o início dos anos 60, quando um executivo influente da Ford percebeu seu potencial. Saiba como Lee Iacocca colocou sua mais brilhante idéia em prática nos Protótipos do Ford Mustang 1965.
- Em 1967, o pony car original não era mais o único e teve que lutar para ser vendido. Ford Mustang 1967, 1968 detalha o renovado visual de alto desempenho e potência que fizeram do modelo, que vendeu um milhão de unidades, ainda melhor.
- O Ford Mustang ocupa uma posição de destaque entre os muscle cars dos Estados Unidos. Saiba mais sobre alguns dos Mustangs mais rápidos de todos os tempos, os muscle cars.