O Shelby Mustang 1965
Com o sucesso obtido durante o primeiro ano do Ford Mustang, um modelo ainda mais empolgante e competitivo foi lançado no Autódromo de Riverside, na Califórnia, em 27 de janeiro de 1965. Apesar de ter sido criado por
Carroll Shelby, o GT-350 foi sugerido por Lee Iacocca, que queria um rival capaz de bater o Corvette nas corridas da categoria Carros de Produção "B", do Sports Car Club of America (SCCA). A idéia era dar a cada Mustang uma aura de "carro testado em competições", em sintonia com as campanhas publicitárias e com a política para corridas de "Performance Total" da Ford, que nessa época estavam próximas de seu auge.
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Lançado em janeiro de 1965, o GT-350 foi uma versão 2+2 especial de alto desempenho concebida e construída na Ford sob o comando de Carroll Shelby, criador do famoso carro esporte Cobra
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Shelby delineou suas especificações no outono de 1964. O SCCA exigiu que pelo menos 100 carros fossem fabricados para serem classificados como "modelos de série" e a Ford enviou essa quantidade de cupês 2+2 para a pequena fábrica de Shelby, em Venice, na Califórnia, para que fossem convertidos. Os primeiros 12 GT-350 foram construídos à mão até o Natal. As outras 88 unidades ficaram prontas até o Ano Novo, um feito que impressionou bastante os dirigentes do SCCA.
Cada GT-350 começava como um cupê branco equipado com o motor Hi-Po V8, câmbio de 4 marchas, eixo traseiro mais resistente do Galaxie e sem capô, grade, acabamentos nas laterais e calotas. Shelby aumentou a potência de seu motor para 310 cv, instalando um coletor de admissão mais longo, um carburador maior, escapamento de fluxo livre e outras modificações.
As atualizações de componentes incluíam amortecedores ajustáveis Koni, barra estabilizadora dianteira mais grossa, braços de reação traseiros, adicionados para reduzir a trepidação do eixo em arrancadas fortes, rodas de liga leve 6 x 15 da Shelby, pneus de alta performance Goodyear Blue Dot 7,75 x 15, freios maiores com lonas metálicas/sinterizadas e caixa de direção mais rápida, instalada nos braços de controle superiores da suspensão reposicionados. Um tubo de aço reforçado foi acrescentado para unir as torres dos amortecedores dianteiros para diminuir a flexão da carroceria nas curvas tomadas em alta velocidade.
Shelby instalou um capô de plástico reforçado com fibra de vidro com tomadas de ar funcionais e grampos de segurança semelhantes aos de competição, além de aplicar as listras de corrida azuis da Ford acima das soleiras, sobre o capô, teto e tampa traseira. Por dentro, havia cintos de segurança de competição de 7,5 cm, volante de direção de corrida com aro em mogno, que dava mais espaço para os braços, conta-giros montado na coluna de direção e medidor de pressão do óleo.
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A retirada do banco traseiro para dar espaço ao estepe reduziu o peso e ajudou o carro a se enquadrar nas regras de corrida
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Para estar de acordo com as regras de corrida referentes aos "carros esportivos", definidos como carros de dois lugares, o banco traseiro foi retirado e o estepe ocupou seu lugar, embora Shelby oferecesse um banco inteiriço opcional de fácil instalação.
Conforme planejado, também havia uma versão GT-350R pronta para competição. Ela usava basicamente o mesmo motor 289 pol³ de elevada potência dos Cobras de competição, o que significava potência entre 345 e 365 cv. Um sistema de escapamento com saídas laterais e com baixa restrição ajudava, assim como a substituição do pára-choque dianteiro por de defletor de plástico reforçado com fibra de vidro, com uma grande tomada de ar no centro.
Também para reduzir o peso, a caixa de câmbio recebeu uma carcaça de alumínio, o plástico substituiu o vidro traseiro e das janelas das portas, e a cabine teve retirado tudo o que era supérfluo, ficando reduzida a um único banco de corrida, gaiola e cinto de segurança de quatro pontos. Naturalmente foram instalados uma suspensão super-reforçada e pneus de alto desempenho, e um diferencial "autobloqueante" foi adicionado. Poucas unidades do GT-350R foram construídas com freios a disco nas 4 rodas e pneus ultralargos sob pára-lamas largados.
O GT-350 de rua era comercializado por US$ 4.547, cerca de US$ 1.500 mais caro do que um Mustang com motor V8 normal. Um verdadeiro canhão: ele podia ir de 0 a 96,5 km/h em cerca de 6,5 s, atingir de 210 a 217 km/h) e fazer proezas dignas de um campeão. O modelo R era ainda mais rápido e o preço de US$ 5.950 era uma barganha incrível para um carro de salão de vendas que poderia ir direto para a pista e vencer.
Embora nenhuma versão GT-350 fosse fácil de dirigir, rapidamente os pedidos sobrecarregaram a pequena oficina em Venice, fazendo com que a recém-formada Shelby American, Inc. se mudasse para dois grandes galpões perto do Aeroporto Internacional de Los Angeles na primavera de 1965. A produção do modelo deste ano totalizou 562 unidades, das quais estimava-se que 25 eram versões para corrida.
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O desejado modelo capaz de vencer o Corvette contava com um motor V8 com "preparação Cobra" de 310 cv, além de pneus, rodas e freios maiores
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Parecia que o Mustang havia nascido para correr e ele disputou corridas mesmo antes de ser colocado à venda. No final do inverno, entre os anos de 1963 e 1964, a Ford preparou diversos modelos com teto rígido para o circuito europeu de rali. Foi um verdadeiro esforço, mas a única grande vitória da equipe veio do Tour de France, onde Peter Proctor e Peter Harper terminaram em primeiro e segundo lugares na categoria.
O Mustang fez mais sucesso nas corridas de alta performance, onde as versões 2+2 equipadas com motores de bloco grande 427 V8 da Ford acumularam muitas conquistas na categoria A/FX da National Hot Rod Association (NHRA) e, com menos freqüência, na de "funny cars". A própria Ford se aventurou na temporada de 1965, alinhando carros "mexidos", 5 cm mais curtos na distância entre eixos. E, conforme esperado, os GT-350 dominaram nas pistas - e mais do que alguns Corvettes - vencendo o Campeonato Nacional de Carros de Produção "B" por três anos seguidos, de 1965 a 1967.
Na estrada, nas pistas e nos gráficos de vendas, o Mustang crescia cada vez mais. O problema, agora, era mantê-lo atualizado sem alterar a fórmula. Na próxima seção, descubra mais sobre como a Ford realizou essa difícil missão.
Para obter mais informações sobre o Ford Mustang de ontem e de hoje, confira os artigos a seguir.
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