O Ford Mustang 1966

Típico de um carro novo em seu segundo ano de vida, os Mustangs 1966 não foram muito modificados - não que eles precisassem disso com as vendas crescendo.

Barras delgadas substituíam a antiga grade em colméia e os modelos que não eram GT descartaram a espessa barra cromada horizontal da grade e os pequenos suportes verticais, dando ao "curral" do cavalo de corrida a impressão de flutuar no espaço. A tampa do tanque de combustível, as calotas das rodas, as tomadas de ar falsas nas laterais da carroceria, os emblemas e as placas de identificação foram redesenhados.

Laternas traseiras separadas foram exibidas nas fotos de divulgação do protótipo do modelo 1966, mas não entraram na linha de produção para manter os preços baixos.
Lanternas traseiras separadas foram exibidas nas fotos de divulgação do protótipo do modelo 1966 mas não entraram em produção para manter os preços baixos

Os designers sempre quiseram 3 lanternas traseiras separadas em cada lado, em vez de um conjunto único, mas embora algumas fotos divulgadas pela imprensa em 1966 mostrassem essa configuração, a idéia foi rejeitada novamente por questões financeiras. A Ford causou uma boa impressão na parte interna, acrescentando novos acabamentos nos bancos e nas portas e, acenando para as determinações do Congresso americano, que começou a resmungar sobre segurança automotiva, painel e pára-sol acolchoados de série. Todos os modelos também ganharam painel de instrumentos GT com 5 mostradores em vez do conjunto original com seu velocímetro horizontal.

Os carros de 6 cilindros trocaram as rodas e pneus de 13 polegadas para 14, e todos os modelos receberam novos coxins no motor para reduzir a vibração. As opções de motores foram aproveitadas dos modelos 1965 "verdadeiros", mas a lista de opcionais aumentou mais uma vez com o acréscimo de um toca-fitas estéreo de 8 pistas, por US$ 128, e cintos de segurança de luxo com luz de advertência e retratores de carretel acionados por inércia, vendidos por cerca de US$ 8.

Este conversível conta com o agora muito desejado
Este conversível conta com o acabamento interno "pony car" com volante de direção imitando madeira e apliques no painel, além de ar condicionado sob o painel

A Ford utilizou os de 6 cilindros com mais freqüência nos Mustangs do modelo 1966, em parte para dar continuidade às vendas durante uma escassez temporária dos motores V8 que ocorreu durante a comercialização do modelo. O Sprint 200 destacava esse esforço, sendo anunciado como "Edição Limitada". Foi anunciado na primavera de 1966 para marcar o primeiro milhão de Mustangs fabricados e vendidos.

O Sprint 200 era, basicamente, um pacote disponível para qualquer versão, embora a maioria fosse construída eram modelos hardtop. O motor de 6 cilindros e 200 pol² (daí seu nome), correspondente a 3,3 litros, recebeu um filtro de ar cromado com a identificação "Sprint 200". Calotas raiadas, console central e faixas fixas nas laterais da carroceria também foram incluídos. No geral, era um conjunto atraente para qualquer comprador, embora a Ford o tivesse projetado pensando nas mulheres.

Apesar de os Mustangs de seis cilindros se parecerem com os modelos V8, à primeira vista, havia algumas diferenças técnicas. As principais delas eram rodas de 4 prisioneiros em vez dos cinco parafusos, freios a tambor de 9 polegadas em vez de 10, uma bitola dianteira um pouco mais estreita, eixo traseiro mais leve e molas mais macias.

Houve dois outros motivos para impor os motores de 6 cilindros no modelo 1966. Como um executivo da Ford declarou anos mais tarde, "achávamos que, naquela época, havia necessidade de enfatizar o aspecto econômico". Além disso, o cupê de 6 cilindros era, até então, o único Mustang vendido por menos do que o valor estimado para o modelo original do Sr. Iacocca".

Não que os preços tenham subido muito desde seu lançamento. O modelo hardtop havia aumentado apenas US$ 4 durante 1965 e começou a ser vendido por US$ 2.416 em 1966. O conversível, que havia atingido US$ 2614 ao longo do primeiro ano, subiu para US$ 2.653. A versão 2+2, com preço fixo de US$ 2.589, no primeiro ano, teve seu preço reajustado para US$ 2607.

Os modelos 1966 ganharam um estilo um pouco mais discreto, embora fosse difícil diferencia-los dos modelos 1965 a primeira vista. Os modelos 1966 ganharam um estilo um pouco mais discreto na parte dianteira, embora à primeira vista fosse difícil distingui-los dos modelos 1965

De modo previsível, as vendas do ano-modelo 1966 foram menores quando comparadas ao modelo 1965, que teve um período de vida longo. Mas no período equivalente de 12 meses, os modelos 1966, na verdade, saíram na frente com 50 mil unidades a mais. As vendas do modelo do ano continuaram subindo, comercializando quase meio milhão de unidades, nas versões hardtop, 72 mil conversíveis e 36 mil cupês. 

O Mustang lembrava muitos modelos de turismo europeus e, por isso, ficou estabelecido que ele começaria a ser vendido na Alemanha, em 1966. Mas não poderia ser um Mustang na terra dos BMW e Mercedes-Benz, pois uma empresa local já detinha os direitos do nome e não abriria mão dele. Como conseqüência, a Ford trocou os emblemas por T-5, o codinome do programa de desenvolvimento original e retirou todas as outras identificações de "Mustang", embora o robusto corcel ainda aparecesse na grade frontal e no volante de direção.  

Fora isso, os carros eram idênticos aos do mercado americano, com exceção de pequenas modificações necessárias para atender as regulamentações alemãs. É interessante notar que as vendas do Mustang T-5 alemão continuariam até o fim dos anos 70.

Para obter mais informações sobre o Ford Mustang de ontem e de hoje, confira os artigos a seguir.

  • Embarque na história completa do carro esportivo mais querido dos EUA lendo o artigo Como funciona o Ford Mustang (em inglês). Várias publicações contam a trajetória dessa lenda desde sua concepção no começo dos anos 60 até o Mustang totalmente redesenhado de hoje.
  • Era o carro certo na época certa, mas o Mustang teve que aguardar o início dos anos 60, quando um executivo influente da Ford percebeu seu potencial. Saiba como Lee Iacocca colocou sua mais brilhante idéia em prática nos Protótipos do Ford Mustang 1965.
  • Em 1967, o pony car original não era mais o único e teve que lutar para ser vendido. Ford Mustang 1967, 1968 detalha o renovado visual de alto desempenho e potência que fizeram do modelo - que vendeu um milhão de unidades - ainda melhor.
  • O Ford Mustang ocupa uma posição de destaque entre os muscle cars dos Estados Unidos. Saiba mais sobre alguns dos Mustangs mais rápidos de todos os tempos, os muscle cars.