O Shelby Mustang 1968

O Shelby Mustang 1968 recebeu uma atualização mais profunda que o Ford Mustang 1968 de produção normal. Do capô brotavam entradas laterais e uma tomada de ar com a mesma largura do painel, posicionada mais próxima da borda para otimizar o fluxo de ar para os carburadores. Abaixo havia uma grade mais ampla com faróis de neblina quadrados (e não faróis de longo alcance), dispostos do lado de fora. As lanternas traseiras adotaram o recurso de luzes de seta seqüenciais dos Mercury Cougars 1967 e 1968. Carroll havia construído alguns conversíveis em 1966 como presentes para os amigos, mas agora ele os oferecia como modelos normais: um GT-350 e um GT-500 com arcos anticapotagem integrados - que melhoraram a segurança, mas tinham um aspecto um pouco estranho com a capota abaixada. Embora algumas propagandas do modelo '68 usassem o nome Shelby Cobra em vez de Shelby GT, novamente os carros exibiam as identificações Shelby GT-350 ou Shelby GT-500.

Para se adequar às legislações de controle de emissão de poluentes, o GT-350 passou a utilizar o novo motor 302 V8. Apesar de um carburador Holley de quadro corpos beberrão e dos tuchos hidráulicos, a potência nominal ficava abaixo de 250 cv. Para compensar, Shelby voltou a utilizar seu compressor Paxton opcional do modelo de '66. O dispositivo acrescentava cerca de 100 cv, mas, de novo, encontrou poucos interessados.

Shelby-Mustang conversível 1968
Os conversíveis, como este GT-500, se juntaram aos Mustang Shelby em 1968

Isso porque os compradores do Shelby ainda preferiam a potência do motor de bloco grande. Os primeiros GT-500 mantiveram o 428, agora com potência declarada de 365 cv. Entretanto, alguns carros posteriores apresentavam potências normais de 395 cv, quando uma greve na fábrica provocou uma escassez temporária dos modelos 428. De maneira incomum para o falante Shelby, os clientes não foram informados da substituição, embora ela fosse muito difícil de identificar. E um modelo lançado no meio da temporada foi uma reparação para a substituição do Shelby GT-500KR 1968 ("King of the Road - Rei da Estrada, um título extraído provavelmente de uma música de sucesso da época). Também oferecido nas versões fastback e conversível, o KR era equipado com o motor Cobra Jet, preparado com os cabeçotes de dutos grandes do 427 e coletor de admissão e sistema de escapamento maiores. A potência anunciada era de 340 cv, mas é possível que estivesse mais próxima de 400, já que o torque atingia espetaculares 60,9 mkgf a apenas 3.400 rpm. Shelby também lançou freios traseiros mais largos e acabamento externo especial. Os câmbios e as relações de diferencial eram as mesmas do GT-500, mas o KR era mais rápido, correspondendo, em geral, ao desempenho dos Mustangs CJ, não Shelby .

Shelby CT-500 1968
O Shelby GT-500 1968 vinha, a princípio, com um motor 428 "Cobra" V-8
aumentado em 5 cv cavalos e totalizando 365 cv

Embora a inflação estivesse forçando o aumento de preços na maioria dos carros, os Shelbys não sofreram uma elevação muito grande nos modelos 1968. O preço inicial do Shelby GT-350 fastback de 1968 era de US$ 4.117, do Shelby GT-500 1968, US$ 4.317 e do Shelby GT-500KR 1968, US$ 4.473. Os conversíveis variavam de US$ 4.238 a US$ 4.594. Uma das conseqüências disso, foi o aumento das vendas do Shelby em seu quarto ano de fabricação contínua, totalizando 4.450 unidades. Mas ele não passaria disso. Cada vez mais potentes, os Mustangs de série estavam desgastando com rapidez a aura de alto desempenho dos pony cars de Carroll. A Ford agora, lançava mão de todos os recursos, transformando rapidamente os carros de corrida sem propósito de Shelby em veículos de passeio velozes, porém confortáveis. Num movimento inesperado, a Ford deslocou a produção do Shelby 1968 da Califórnia para Livonia, Michigan, (não distante de Dearborn), onde a prestadora de serviços A. O. Smith Company efetuou as conversões. A partir de então, a Ford comandaria sozinha a promoção e o desenvolvimento do Mustang Shelby.

De fato, a época foi de mudanças tanto para o Mustang como para a Ford Motor Company. Em uma tentativa de fazer com que as coisas acontecessem, a Ford exibiu um carro-conceito arrojado, baseado no Mustang, nas feiras de automóveis de 1968. Chamado de Mach 1, aquele fastback baixo, reluzente e robusto levou o conceito de estilo da família ao extremo. Seu nariz pronunciado era bastante intimidante, com uma grade estreita à frente dos paralamas dianteiros pontudos e faróis retangulares. Um capô com dupla tomada de ar ressaltada deu espaço para um parabrisas radicalmente inclinado combinando com o "teto recortado" e um vidro traseiro "mais fast". As laterais da carroceria carregavam a linha de caráter do Mustang, mas os pára-lamas e os alojamentos das rodas receberam uma extensão para se encaixarem corretamente ao redor dos pneus de corrida de perfil baixo instalados em largas rodas de alumínio com cinco raios ao estilo GT-40. Um defletor tipo "rabo de pato" surgia de lado a lado sobre as lanternas traseiras e da saída centralizada dos escapamentos duplos. Outros retoques inspirados em carros de competição incluíam bocais de abastecimento de combustível de destravamento rápido grandes e resplandecentes atrás de cada janela da porta (os vidros das portas eram fixos) e as tomadas de ar funcionais para arrefecimento dos freios traseiros. A janela traseira foi incorporada à tampa do porta-malas, e a unidade podia ser aberta ou fechada por meio de um mecanismo eletroidráulico acionado por um interruptor no interior do carro.

Shelby Mustang GT-500 KR 1968
No meio do ano, os modelos GT-500 deram lugar aos GT-500KR equipados com o novo motor Cobra Jet com sistema de indução de ar dinâmica (ram-air)

Os projetistas devem ter se divertido ao criar esse modelo exclusivo de parar o trânsito, que se parecia aos olhos de todos com um Mustang Shelby que tivesse tomado esteróides anabolizantes. Mas será que ele também antecipou o próximo Mustang de exibição, que teria sido, em grande parte, contido quando o Mach 1 foi desenvolvido? E se a Ford estivesse preparando um pony car mais ousado e insolente, como as pessoas se afeiçoariam a ele? Ninguém poderia saber, é claro: novamente aqueles tempos de espera incômodos.

Ainda assim, estamos bastante convencidos de que a Ford estava completamente consciente de um fato essencial. O Mustang não era mais o único carro no estacionamento, portanto os modelos futuros teriam de ser considerados com ainda mais cuidado para que o modelo original permanecesse no topo. A febre do pony car do poderia estar diminuindo conforme o ano de 1969 se aproximava, mas a corrida ainda estava longe do final.

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