Introdução
Tão rápido quanto haviam subido nos anos anteriores, as vendas dos carros esportivos de Dearborn começaram a desabar à medida que continuavam os preparativos para o que se tornaria o Ford Mustang 1969. O Mustang estava perdendo sua magia? A pergunta era especialmente importante para o novo presidente da empresa, contratado a partir de uma fonte surpreendente que, de imediato, deixou sua marca com dois dos maiores carros na história do desempenho.
O sucesso tem muitos pais, diz aquele antigo ditado, mas o Mustang tinha um só, ou foi isso que havia sido divulgado ao público. Agora, temos mais informações, mas não há dúvidas de que o sucesso fenomenal do Mustang foi um enorme impulso na carreia de Lee Iacocca. Em 1968, ele havia sido promovido a vice-presidente executivo das Operações da América do Norte da Ford.
Quando o trabalho de design do Mustang 1969 começou, em outubro de 1965, os esforços se concentraram imediatamente em um tamanho muito maior e aspectos de estilo próprios de carros luxuosos. Veja fotos de Ford Mustangs 1969 e 1970 (em inglês).
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Mais sobre o Mustang
A trajetória do Mustang envolve classificações de especificações, aspectos fundamentais e eventos-chave.
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Mas, em geral, líderes bem-sucedidos têm desejos fortes e egos para satisfazer e há quem suspeite que a fama repentina incentivou Iacocca a ir mais além e conquistar o cargo que ele sempre quis: o de presidente da Ford Motor Company. Havia apenas um problema: Iacocca era um intruso arrogante em uma empresa familiar e o chefe dela não gostava de ser deixado de lado. Como disse o designer Gale Halderman à revista
Collectible Automobile há muitos anos: "Na imprensa, Iacocca foi creditado como o pai do Mustang e o salvador da empresa, o que fez com que o presidente, Henry Ford II, começasse a pensar que Iacocca estava tentando assumir o controle".
Esse era o pano de fundo em 6 de fevereiro de 1968, quando a Ford anunciou que seu dirigente havia escolhido um novo presidente: o experiente executivo da General Motors, Semon E. "Bunkie" Knudsen. Detroit ficou espantada. Provavelmente, essa foi a mudança administrativa mais impressionante desde 1922, quando o pai de Bunkie, William S. Knudsen, trocou a Ford pela Chevrolet após uma discussão com Henry Ford I. "Big Bill" rapidamente transformou a Chevy em uma concorrente da Ford e seu filho fez do Pontiac o número três em vendas no fim dos anos 50, antes de assumir o comando na Chevrolet. Agora Bunkie desejava refazer a Ford. Ironicamente, ele aceitou o convite de Henry Ford depois de ter sido posto de lado como presidente da GM para favorecer Ed Cole.
O autor Gary Witzenburg observou que "Knudsen, assim como Iacocca, era um líder difícil de controlar, dinâmico e ambicioso, que chegou à Ford em meio a uma avalanche de atenção da imprensa e curiosidade pública e estava cheio de grandes idéias sobre como atacar seu antigo empregador no mercado". Os rumores de uma sacudida na administração pairavam no ar mesmo antes de Bunkie ir para a "Casa de Vidro", a sede da Ford.
Embora ele tenha feito algumas mudanças, não houve nenhuma alteração em grande escala. Mas muitos executivos da Ford se demitiram após a chegada de Knudsen, e Iacocca ameaçou fazer o mesmo. Knudsen, de sua parte, estava contente em trabalhar com o mestre celebrado do Mustang, mas seu relacionamento era, na melhor das hipóteses, incômodo, sendo que os dois se confrontaram em várias ocasiões.
Knudsen chegou tarde demais para influenciar no novo design planejado em 1969 para o Mustang, que havia sido finalizado, em grande parte, um ano antes da sua vinda. Mas ele foi capaz de acrescentar dois modelos muito interessantes em meados do ano-modelo, enquanto preparava a base para os futuros Mustangs, maiores e mais potentes. Knudsen adorava carros de alto desempenho robustos, principalmente fastbacks baixos e elegantes. Ele também gostava dos carros de corrida da Nascar e da Trans-Am, talvez porque tivessem uma aparência de artigos dos salões de exposições.
As vendas do Mustang estavam diminuindo desde 1966, mas Bunkie não parecia estar preocupado. "Estamos comparando a penetração do Mustang de hoje com a época em que não havia mais ninguém nesse segmento específico do mercado", explicou ele. E ele tinha ideias sobre como aquecer as vendas. "O conceito do capô extenso/capota curta continuará", prometeu, mas "haverá uma tendência com relação ao estilo de carros para segmentos específicos do mercado". Ele também assegurou à imprensa de que a Ford seguiria na Nascar e na Trans-Am.
Os gerentes da Ford pediram "mais influência do Thunderbird" no design do Mustang 1969, o que incluía entalhes nas laterais, grades quadradas grandes e faróis dianteiros ocultos
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Bunkie, Larry e "o Mustang definitivo" Praticamente de imediato, Knudsen decidiu que a Ford precisava desenvolver "o carro de rua matador" (para usar o termo de Witzenburg) e ele deveria ser um Mustang. Para ajudar a criá-lo, ele contratou o estilista
Larry Shinoda e o reuniu com os talentos de Dearborn como Harvey Winn, Ken Dowd, Bill Shannon e Dick Petit. Com o auxílio de engenharia de Ed Hall, Chuck Mountain e outros, a equipe de Shinoda preparou rapidamente um pequeno grupo de protótipos grandes, como o King Cobra, um Torino fastback de superfície suavizada, projetado para corridas de alta velocidade, enquanto trabalhava com afinco no Mustang definitivo de Knudsen.
Na época, Shinoda e Knudsen eram velhos amigos. Eles se conheceram em Daytona Beach, em 1956, quando Bunkie reparou em um Pontiac muito rápido e cheio de equipamentos, no qual Shinoda estava trabalhando. Shinoda, um adolescente fã de carros de desempenho que morava no Sul da Califórnia (onde havia nascido) sabia como dar forma a um carro para velocidade máxima nas retas e como definir um chassi para alta velocidade nas curvas. Ele foi para a Ford após trabalhar de perto com o responsável pelo estilo da GM, William L. Mitchell, em diversos projetos experimentais e carros de produção, incluindo o Corvette Sting Ray 1963 e a substituição do seu "tubarão" de 1968. Diante de tudo isso, a contratação de Shinoda não foi menos surpreendente do que a de Bunkie.
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