Desativação

Devido à preocupação com o fato de crianças e adultos de baixa estatura  morrerem ou serem gravemente feridos devido ao mau funcionamento de um airbag ou por causa de airbags extremamente potentes, a Administração Nacional de Segurança de Tráfego nas Estradas (National Highway Traffic Safety Administration - NHTSA) emitiu, em 1977, um regulamento definitivo liberando os fabricantes de carros para usarem airbags menos potentes. Esse regulamento permite que os airbags tenham sua potência reduzida em torno de 20 a 35%. Além disso, desde 1998, oficinas mecânicas e revendedores de automóveis estão autorizados a instalar interruptores que permitem que os airbags sejam desativados. Agora os proprietários de veículos estão autorizados pelo NHTSA a instalarem interruptores em um ou mais airbags do seu automóvel caso eles (ou outros usuários do automóvel) estejam enquadrados em um ou mais grupos de risco como:

  • Para os lados do motorista e do passageiro - indivíduos com saúde debilitada, em que o risco de acionamento do airbag possa exceder o risco de impacto em um carro sem o equipamento.
  • Para o lado do motorista (somando-se ao estado de saúde debilitada) - aqueles que não puderem posicionar-se de maneira apropriada para dirigir seus automóveis, estando a pelo menos 25 cm (10 pol) do centro da tampa do airbag.
  • Para o lado do passageiro (somando-se ao estado de saúde debilitada) - motoristas que precisam transportar um bebê em uma cadeira infantil voltada para trás no banco dianteiro porque (1) o automóvel não possui banco traseiro, (2) o banco traseiro é muito pequeno para acomodar este tipo de cadeira, ou (3) porque é necessário monitorar constantemente o estado de saúde da criança.
  • Para o lado do passageiro (somando-se ao estado de saúde debilitada) - motoristas que precisam carregar crianças de 1 a 12 anos no banco dianteiro porque (1) o automóvel não possui banco traseiro, (2) precisa carregar mais crianças do que o banco traseiro comporta, ou (3) porque é necessário monitorar constantemente a saúde da criança.

*Vale lembrar que a legislação brasileira de trânsito não permite crianças em bancos dianteiros, a menos que o veículo não tenha banco traseiro (Resolução n° 15 do Conselho Nacional de Trânsito, de 06/02/98).

Se você quiser instalar um interruptor no seu carro, precisará de uma cópia da brochura da NHTSA ("Interruptores em Airbags: Informação para uma Decisão Consciente") e do formulário que acompanha a Requisição para Interruptor de Airbag. Eles podem ser encontrados no web site da NHTSA(em inglês), em automóveis clubes, em concessionárias de carros e nos Departamentos Estaduais de Veículos do governo americano. Feito isso, a NHTSA irá lhe enviar uma carta de autorização para você levar seu automóvel a uma oficina (mas antes de se incomodar com isso é melhor conferir junto ao revendedor de automóveis ou oficina mecânica se existe um interruptor disponível para seu carro).

Alguns interruptores adaptados podem ser encontrados e utilizados se a regulamentação federal estiver sendo cumprida. Estes interruptores devem ser operados por uma chave e equipados com luzes indicadoras que avisam se o airbag está ligado ou desligado. Mas mesmo tendo a opção de desligar o airbag, o correto é que ele permaneça ligado nos casos em que o motorista consegue se posicionar a uma distância de, no mínimo, 25 centímetros. Para aqueles que não conseguem (mesmo com as sugestões dadas acima), o airbag pode ser desligado. Um grupo de profissionais reunidos na Conferência Nacional de Indicações Médicas para a Desativação do Airbag (National Conference on Medical Indications for Air Bag Deactivation) considerou as condições médicas comumente relatadas em cartas à NTHSA como possíveis justificativas para desativar os airbags. Entretanto, não se recomenda o desligamento dos airbags em situações relativamente comuns, tais como no uso marcapassos ou óculos, angina, enfisema, asma, mastectomia, cirurgias simples nas costas ou pescoço, idade avançada, osteoporose, artrite ou gravidez.

Em termos gerais, você não pode desativar seu airbag sem antes instalar um interruptor adaptado. Entretanto, se um interruptor adaptado ainda não estiver disponível (pelo fabricante) para seu carro, a NHTSA irá autorizar a desativação para cada caso em particular, sob condições apropriadas. Nunca tente desativar o airbag você mesmo - lembre-se de que não se trata apenas de uma almofada macia! Ele dá uma pancada violenta que pode feri-lo se você não souber o que está fazendo.

Em relação aos interruptores instalados de fábrica, a NHTSA permite que os fabricantes instalem interruptores para os airbags dos passageiros apenas se o veículo não possuir banco traseiro ou se o banco traseiro for muito pequeno para acomodar uma cadeira infantil voltada para trás. Atualmente, os fabricantes não estão autorizados a instalar interruptores para o airbag do motorista em qualquer veículo novo. Qual a razão dessas regras? A NHTSA decidiu contra a instalação generalizada de interruptores de fábrica por temer que eles pudessem se tornar um item de série de todos os carros novos - mesmo aqueles adquiridos por pessoas que não se enquadram nos grupos de risco. Eles também viram a integração de interruptores em carros novos (e a conseqüente remodelagem dos painéis de instrumentos) como algo que desviaria recursos do objetivo de desenvolver sistemas de airbags mais seguros e avançados.

O futuro do airbag
As atividades voltadas à manutenção e melhoria dos benefícios proporcionados pelos airbags à preservação da vida humana seguem a toda força. Novos testes patrocinados pela NHTSA usam bonecos de teste (manequins antropométricos, dummies) com padrão de ferimentos mais avançados, baseados em pesquisas e conhecimento.

Até recentemente, os avanços alcançados na segurança de automóveis diziam respeito a impactos frontais e traseiros, embora 40% dos ferimentos graves em acidentes e 30% de todos os acidentes resultem de colisões laterais. Muitos fabricantes de automóveis responderam a essas estatísticas reforçando portas, estruturas de portas e do assoalho e do teto. Mas os automóveis que oferecem airbags laterais são a nova tendência em proteção dos passageiros. Engenheiros dizem que projetar airbags laterais eficientes é muito mais difícil que projetar os frontais. Isto porque muito da energia em uma colisão frontal é absorvida pelos pára-choques, capô e motor e leva de 30 a 40 milissegundos antes que alcance o passageiro. Num impacto lateral, apenas uma porta relativamente fina e poucos centímetros separam o ocupante do automóvel do outro veículo. Isto significa que os airbags instalados nas portas devem ser acionados em ínfimos seis milissegundos, no máximo!

Engenheiros experimentaram diferentes modalidades de airbags laterais e constataram que, quando instalados no encosto do banco, protegem passageiros de todos os tamanhos, independente da posição do banco. Essa disposição permite a instalação de um sensor mecânico de disparo nas laterais do estofamento dos bancos localizados embaixo do motorista e do passageiro da frente. Isso impede que o airbag do lado não danificado seja acionado. A instalação de todo o conjunto do airbag no encosto do banco também oferece a vantagem de prevenir acionamentos desnecessários, que poderiam ser causados por colisões com pedestres ou bicicletas. É preciso ocorrer uma colisão de, aproximadamente, 20 km/h  para disparar os airbags laterais.

Os engenheiros da BMW escolheram os airbags montados nas portas. Segundo eles, a porta tem mais espaço e acomoda uma bolsa maior, proporcionando mais cobertura.

O airbag de cabeça, ou Estrutura Tubular Inflável (ITS), foi apresentado em todos os modelos BMW ano 1999 (com exceção dos conversíveis). Esses airbags parecem um pouco com grandes salsichas e, ao contrário dos outros, são programados para permanecerem inflados por cerca de cinco segundos, isto para que continue protegendo o ocupante do carro caso aconteça mais de um impacto. Operando junto com o airbag lateral, o ITS oferece mais proteção em certas colisões laterais. Outra opção para proteção da cabeça nos impactos laterais é o airbag de cortina.

Diante disso, fica claro que a ciência do airbag ainda é recente e está em rápido desenvolvimento. Você pode esperar muitos avanços nesse campo à medida que os projetistas surjam com novas idéias e adquiram conhecimento a partir de informações vindas de situações reais de acidentes.

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