Dentro do Atom

Dirigir é simples
Muitos veículos produzidos em série tentam eliminar completamente o ruído da cabine. Em um Atom, o motorista está exposto ao ronco do motor e à força do vento no rosto, tal como o piloto de uma moto ou uma lancha. Isso pode ser incômodo, especialmente para o motorista de primeira viagem, razão pela qual um capacete é altamente recomendado antes de pegar o Atom para dar uma volta.
Diferentemente dos carros de Fórmula 1, com seus caríssimos e exclusivos motores V10, com sistemas regulados de acordo com regulamentos rigorosos, o Atom foi projetado para ser acessível  e pilotável por qualquer um. Fundamentalmente, ele não difere em nada do Honda Civic estacionado em sua garagem. Ele tem: Vamos olhar de perto estes sistemas para ver o que faz o Atom pulsar.

O motor
Na Europa, o Atom vem com um motor de série Honda de quatro cilindros iVTEC - o mesmo usado nos modelos Honda Civic e Civic Type-R. Isso pode soar como pouca coisa, mas o Honda iVTEC, com um deslocamento de 1.998 centímetros cúbicos e uma potência de 220 cavalos-vapor (com preparação especial, 280 cv), é considerado por muitos o melhor motor de quatro cilindros em produção no mundo.


Imagem cortesia de Brammo Motorsports / Ariel Atom
Ilustração gráfica (CAD) do motor

Na América do Norte, o Atom vem de série com um motor General Motors Ecotec produzido na Alemanha. É o mesmo motor que a GM usa nos modelos Chevy Cobalt SS e Saturn, e não perde nada na conversão. Disponível tanto nas versões 2,2 quanto 2,0 litros sobrealimentado (compressor), o motor Ecotec fornece entre 140 e 300 cavalos-vapor, dependendo do pacote solicitado. Na ponta inferior do espectro de desempenho, o que fabricante licenciado nos EUA, a Brammo Motorsports, considera como versão para "orçamentos apertados", o Atom andaria junto com um Porsche 911 Turbo. E na ponta superior do espectro, modelo mais sofisticado do Atom, equipado com motor Ecotec, talvez seja o carro mais veloz do mundo.


Imagem cortesia de Brammo Motorsports / Ariel Atom
Motor Ecotec, da GM norte-americana, visto de perto num Atom

O chassi e a carroceria
A carroceria do Atom é quase inexistente. A pouca carroceria encontrada está em forma de painéis individuais de material composto. Isso reduz o peso, o custo e permite acesso fácil aos componentes mecânicos do veículo. Os projetistas do Atom gastaram muito tempo no túnel de vento trabalhando a aerodinâmica. Como muitos carros de corrida, o assoalho do Atom é próximo ao chão, diminuindo o fluxo de ar e a pressão sob o carro. Ao mesmo tempo, o formato da carroceria gera forças verticais descendentes na dianteira e na traseira, perpendiculares ao solo. À medida que o Atom se move através do ar, ele é ao mesmo tempo "sugado" e empurrado para baixo, aumentando a aderência do carro e proporcionando comportamento dinâmico dos melhores.


Imagem cortesia de Brammo Motorsports / Ariel Atom
Montando um Ariel Atom

Por ter uma pequena carroceria, o chassi de aço tubular do Atom fica exposto. Sem dúvida, esta é uma das características visuais mais impressionantes deste carro, dando a ele um visual esquelético como se estivesse inacabado. Mas não se deixe enganar pelas aparências. Soldadores experientes montam à mão cada chassi usando técnicas e materiais que garantem os mais altos níveis de qualidade e segurança. Os soldadores, por exemplo, usam gás inerte de tungstênio (TIG) e bronze para soldar os tubos de aço de grande diâmetro. Na solda TIG, o calor empregado para derreter o metal é gerado por um arco de eletrodo de tungstênio. A área de soldagem é protegida de contaminação atmosférica por um gás de proteção, geralmente um gás inerte como o argônio. Por ter o operador maior controle na soldagem, a solda TIG resulta em soldas mais fortes, de mais qualidade.

O habitáculo
O Atom acomoda dois adultos de grande porte, que ficam dentro da estrutura tubular do chassi. As grades laterais do Atom oferecem proteção substancial tanto para o motorista quanto para o passageiro, assim como os tubos de proteção em caso de capotagem, dianteiro e traseiro.


Imagem cortesia de Brammo Motorsports / Ariel Atom
Um close na cabine do Atom

O banco foi projetado para ser seguro. Possui suporte lateral alto para manter o motorista muito bem posicionado na cabine para manter o controle o tempo todo. O banco pode ser ajustado para frente e para cima em cinco posições, satisfazendo motoristas de alturas diferentes. Mais importante, o Atom vem com cinto de segurança de quatro pontos ou de seis pontos de fixação, em conformidade com os padrões governamentais de segurança e com os padrões estabelecidos pela FIA, entidade que coordena o mundo das corridas.

Suspensão e freios
O Atom apresenta suspensões por braços triangulares superpostos na frente e atrás, com um braço de controle superior curto e um inferior longo que prende a roda ao chassi. Os braços de controle operam como uma dobradiça, permitindo à roda mover-se para cima e para baixo. Buchas de metal-borracha na extremidade interna dos braços de controle permitem que a roda se articule. As buchas também ajudam a absorver os impactos com a estrada e a reduzir o ruído que chega ao veículo. Geralmente, a suspensão, braços triangulares superpostos proporciona mais controle sobre o ângulo de cambagem das rodas. Ângulo de cambagem representa o ângulo de inclinação das rodas para dentro e para fora. Ela pode também ser calculada para assegurar um mínimo "mergulho", no momento da freada e mínimo "agachamento" na aceleração.


Imagem cortesia de Brammo Motorsports / Ariel Atom
Ilustração gráfica do motor, caixa de câmbio, suspensão e sistema de freios

Amortecedores Koni permitem maior ajuste. O sistema Koni de alto desempenho inclui amortecedores monotubo a gás ajustáveis com nove níveis de compressão e distensão, bem como molas de constante progressiva que permitem o ajuste da altura do veículo e do centro de gravidade. Sem desmontar a suspensão, a altura de rodagem do veículo pode ser reduzida de 2,5 a 5cm, tornando fácil a preparação do Atom para qualquer tipo de estrada ou condição de pilotagem.

O sistema de freios do Atom oferece mais uma oportunidade de pequenos ajustes na hora de dirigir. Trata-se da distribuição de frenagem, que se refere a como o total da força de frenagem entre os pneus da frente e de trás é ajustada na traseira e na dianteira por meio de uma barra de balanceamento Tilton, como nos carros de corrida. Ela divide a força do pedal do freio para os dois cilindros-mestres, assegurando que a força maior de frenagem seja aplicada aos pneus que mais precisam. Freios assistidos não são utilizados em função do peso extra que adicionariam ao veículo.

Agora, vamos dar uma olhada nas origens do Atom.