História e vantagens


Foto cortesia Bob Allan
A produção atual de biodiesel nos Estados Unidos é primeiramente proveniente do óleo de grãos de soja tais como estes ou do óleo de cozinha reciclado de restaurantes.
O conceito de biocombustíveis é surpreendentemente velho. Rudolf Diesel (em inglês), cuja invenção carrega agora seu nome, idealizou o óleo vegetal como uma fonte de combustível para seu motor. Na verdade, muito do seu trabalho inicial girou em torno do uso do biocombustível. Em 1900, na Exposição Internacional de Paris, na França (em inglês), Diesel demonstrou seu motor em funcionamento à base de óleo de amendoim. Henry Ford esperava que seu automóvel Modelo T (em inglês) funcionasse à base de etanol, também de origem vegetal (cana-de-açúcar no Brasil; milho nos EUA). Nos dois casos, de Diesel e Ford, o petróleo invadiu a cena e provou ser a fonte mais lógica de combustível. Isso foi baseado em fornecimento, preço e eficiência, entre outras coisas. Embora não fosse uma prática comum, os óleos vegetais também eram usados como combustível durante os anos 30 e 40.

Foi nos anos 70 e 80 que a idéia de usar biocombustíveis voltou à tona nos Estados Unidos. Um dos eventos mais importantes ocorreu em 1970 com o advento do Ato Institucional do Ar Limpo (Clean Air Act) (em inglês) pela Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency - EPA) (em inglês). Isso permitiu ao EPA que regulasse mais de perto os padrões das emissões de poluentes como dióxidos de enxofre, monóxido de carbono, ozônio e óxidos de nitrogênio (NOx). Isso criou o cenário para o desenvolvimento de combustíveis de queima mais limpa, além de ter estabelecido padrões para aditivos de combustível.

Acontecimentos internacionais como o Embargo Árabe do Petróleo em 1973-1974 (em inglês) e a Revolução Iraniana de 1978-1979 (em inglês) somados à diminuição na produção doméstica de óleo, resultaram na alta dos preços. De acordo com a Administração da Informação Sobre Energia do Departamento de Energia dos Estados Unidos (U.S. Department of Energy's Energy Information Administration) (em inglês), as importações americanas de petróleo bruto foram cortadas em 30% durante o embargo, e "o preço do petróleo bruto no mundo teve um salto da casa de US$ 14 por barril no começo de 1979, para mais de US$ 35 por barril em janeiro de 1981, antes de se estabilizar. Os preços não baixaram significativamente até 1983, quando o preço internacional se estabilizou entre US$ 28 e US$ 29 por barril."

Com os preços do petróleo aumentando, pesquisadores começaram a buscar outras alternativas. Em agosto de 1982, a primeira Conferência Internacional sobre Plantas e "Óleos Vegetais (International Conference on Plant and Vegetable Oils) foi organizada em Fargo, Dakota do Norte" EUA. Esta conferência tratou de assuntos que iam do custo do combustível e seus aditivos a efeitos do óleo vegetal e métodos de extração.

Em 1990, o Ato Institucional do Ar Limpo foi aperfeiçoado (em inglês) e passou a incluir maiores limitações às emissões de veículos. A emenda introduziu medidas para casos como o aumento no índice de oxigênio na gasolina (o que diminui as emissões de monóxido de carbono) e a diminuição do índice de enxofre em combustíveis diesel.

Em 1992, a EPA aprovou o Ato Institucional de Política Energética (Energy Policy Act) (em inglês), ou EPACT, que visava o aumento na quantidade de combustíveis alternativos usados pelas frotas de transporte do governo americano a fim de reduzir a dependência do petróleo estrangeiro. A emenda EPACT de 1998 incluiu o uso do combustível biodiesel em veículos a diesel existentes e de propriedade do governo como uma alternativa aceitável à compra de veículos de combustível alternativo, ou AFVs (alternative fuel vehicles), como estipulado no EPACT original.

No Brasil, as primeiras experiência com biodiesel surgiram nos anos 70, quase concomitantemente ao início do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) . Na década de 1980, um pesquisador brasileiro foi um dos primeiros a patentear a tecnologia de produção de biodiesel. Economicamente, no entanto, a produção não vingou. Somente, em 2005, com a Lei 11.097, o assunto voltou à tona de maneira sistemática.

Os prós
O biodiesel possui diversas vantagens principais:

  • é ecologicamente correto;
  • ajuda a lubrificar o próprio motor, diminuindo seu desgaste;
  • pode ser usado praticamente em qualquer diesel com pouca ou quase nenhuma modificação no motor;
  • é mais seguro do que o diesel convencional.
Um dos principais argumentos de venda do biodiesel é o fato de ser ecologicamente correto. O biodiesel emite menos gases que o diesel tradicional, é biodegradável e é uma fonte renovável de energia.

O controle de emissões é um argumento central do biodiesel, especialmente em matéria de legislação. Existem alguns componentes das emissões que são especialmente prejudiciais e causam preocupação entre cientistas, legisladores e consumidores. O enxofre, e compostos a ele relacionados, contribuem para a formação da chuva ácida; o monóxido de carbono é tóxico; e o dióxido de carbono (CO2) contribui para o efeito estufa. Há também alguns compostos menos conhecidos que causam preocupação, tais como hidrocarbonetos cíclicos aromáticos (HPAs) e os compostos cíclicos, que estão ligados à formação de determinados tipos de câncer. Os aerossóis têm efeitos nocivos à saúde, e os hidrocarbonetos não queimados contribuem para a formação de poluição e destruição da camada de ozônio.

O biodiesel reduz, sim, emissões perigosas. Dos biocombustíveis atuais, o biodiesel é o único a ter concluído com sucesso testes de emissão de acordo com o Ato Institucional do Ar Limpo.

Emissões médias de biodiesel comparadas ao diesel convencional
Componente de emissão B100 B20
Total de hidrocarbonetos não queimados -67% -20%
Monóxido de carbono -48% -12%
Aerossol -47% -12%
NOx +10% +2%
Sulfatos -100% -20%
HPA -80% -13%
Fonte: National Biodiesel Board

Além disso, o B100 pode reduzir emissões de CO2 em 78% e diminuir as propriedades carcinogênicas do combustível diesel em 94% (National Biodiesel Board, U.S. DOE Office of Transportation Technology - Escritório de Tecnologia do Transporte do Departamento de Energia dos Estados Unidos).

Uma outra característica do biodiesel é ser biodegradável, o que significa que pode ser decomposto como resultado de agentes naturais como as bactérias. De acordo com o EPA, o biodiesel degrada-se a uma taxa quatro vezes mais alta que o diesel convencional. Desta maneira, no caso de um derramamento, a limpeza seria mais fácil, e as conseqüências não seriam tão assustadoras, o que vale também para misturas de biodiesel.

O biodiesel poderia diminuir também a dependência dos Estados Unidos na importação de petróleo e aumentar sua segurança energética. A maior parte do biodiesel nos Estados Unidos é feito do óleo de soja, que é uma das principais colheitas domésticas. Com a demanda americana por petróleo aumentando e o fornecimento mundial diminuindo, um combustível renovável como o biodiesel, se implementado corretamente, poderia aliviar algumas das demandas de energia dos Estados Unidos.

O biodiesel contribui também na lubrificação de um motor. O biodiesel age como um solvente que ajuda a desprender resíduos e outras substâncias viscosas do interior do motor que potencialmente poderiam causar obstruções. Como o biodiesel puro não deixa nenhum resíduo próprio, isso resulta na vida prolongada do motor. Estima-se que uma mistura de biodiesel de apenas 1% poderia aumentar a lubrificação do combustível em até 65% (National Biodiesel Board, U.S. DOE Office of Transportation Technologies).

O biodiesel é também mais seguro. Ele é atóxico (o sal de mesa é cerca de dez vezes mais tóxico que ele) e possui um ponto de fulgor mais elevado que o diesel convencional. Como ele queima a uma temperatura mais alta, é menos passível de sofrer uma combustão acidental, o que torna mais seguros o armazenamento e o transporte. Em seguida, veremos os contras e o futuro do biodiesel.