Existem alguns grandes benefícios em um carro movido a energia nuclear. Ele raramente precisaria ser reabastecido, talvez uma vez a cada três ou cinco anos. [Fonte: Universidade de Stanford - em inglês]. O urânio altamente enriquecido é tão potente que apenas meio quilo pode alimentar um submarino ou porta-aviões. Quantidades ainda menores poderiam abastecer um carro. Supondo-se que o carro seja adequadamente protegido (o que discutiremos mais tarde), ele quase não faria emissões. E pode esquecer de dar a partida na ignição: um carro movido a energia nuclear estaria sempre ligado - apesar de isso significar a necessidade de baterias para armazenar energia sendo produzida constantemente pela mini-usina.
Talvez o principal empecilho para a criação desse carro movido a energia nuclear seja a sua fonte de energia radioativa, pois esse carro precisaria de muita proteção. Sem a proteção apropriada, a radioatividade da fonte de energia poderia matar pessoas dentro e perto do carro, desencorajando qualquer viagem.
Usinas de energia nuclear, porta-aviões e submarinos movidos a energia nuclear empregam proteção pesada. As usinas nucleares geralmente têm três camadas de proteção além da estrutura de contenção, feita de concreto bastante grosso para abrigar o reator. As leis dos EUA requerem que a maioria dos reatores tenham essas camadas de proteção e contenção. Os reatores operados pelo governo são uma exceção, apesar da quantidade exata de proteção usada nos porta-aviões e submarinos permanecer confidencial.
![]() © istockphoto.com / Joe Gough Por causa de problemas com proteção, peso e radioatividade, é pouco provável que uma dessas passe a alimentar seu carro em breve |
Com toda essa proteção necessária contra a radiação, espera-se que um carro movido a energia nuclear seja extremamente pesado. Reproduzir a proteção de um reator nuclear em escala apropriada pode fazer com que o carro se torne praticamente imóvel. A proteção também deve ser resistente a terremotos e outros traumas, e deve ser fechada hermeticamente para que o ar carregado de moléculas radioativas não possa escapar.
Quando alguém fala sobre um carro movido a energia nuclear, o perigo da radioatividade geralmente nos vem à mente. Ter material radioativo à disposição causa preocupação quanto à segurança e à saúde públicas. Enquanto nem todos os combustíveis usados em reatores nucleares podem ser imediatamente usados em uma bomba nuclear, o urânio não enriquecido poderia ser usado em uma bomba suja ou outro dispositivo radiológico perigoso. Nosso carro movido a energia nuclear teria de ser imune a tais adulterações. E ainda há a questão do que aconteceria em um acidente de carro. A proteção permaneceria intacta, mesmo em uma colisão catastrófica?
|
|
Finalmente, as empresas de energia, fabricantes de carros e o governo precisariam colaborar para montar a infraestrutura e o processo padronizado de eliminação do combustível gasto, que continuaria radioativo por centenas de anos. Outros problemas associados à energia nuclear incluem os custos iniciais e o tempo (até 10 anos) para as novas usinas. Além disso, ainda há o medo de acidentes, a necessidade de desmantelar as usinas antigas com segurança e eliminar o combustível e lixo gastos. A renovação do interesse pela energia nuclear também fez aumentar o preço do urânio. A logística e os custos de tal empreitada podem se mostrar proibitivos.
Com todos esses desafios em mente, os carros movidos a energia nuclear permanecem longe do alcance, pelo menos com a tecnologia disponível hoje em dia. Mas, para conseguir mais informações sobre o uso da tecnologia nuclear e o futuro dos automóveis, explore os links na próxima página.