Os Mustangs de Carroll Shelby
O chefe de divisão Ford, Lee Iacocca, suspeitava que a sua nova criação, o Ford Mustang 1965, seria popular, mas acreditava que uma aura de "Desempenho Total" pudesse garantir seu sucesso. O que pode ser melhor que um Mustang de corrida vencendo os Corvettes da Chevy em uma competição de carros esporte de uma grande liga?
Para tornar isso possível, Iacocca procurou Carroll Shelby. O marqueteiro Iacocca sabia muito bem que o carro esporte de Shelby estava todo condecorado com os logotipos "Powered by Ford" (motorizado pela Ford) e sabia que Shelby tinha experiência em corridas e o talento mecânico necessário para fazer do Mustang um carro vencedor.
O primeiro Mustang de alto desempenho de Shelby foi o GT-350 1965. Assim como o Cobra, o GT-350 dava conta do recado e era difícil de ser batido, mesmo como carro normal de rua. Os modelos-R de corrida atenderam às expectativas de Iacocca deixando os Corvettes para trás na classe B-Produção do Sports Car Club of America (SCCA), vencendo o campeonato nacional em 1965, 1966 e novamente em 1967. Mas então a Ford e o Mustang de produção começaram a traçar outros caminhos que Shelby não concordava e ele acabou deixando a companhia de Dearborn em 1970.
|
Os motores Cobra que Shelby usava no Mustang e em outros carros ostentavam a frase "Motorizado pela Ford"
|
Nos dez anos seguintes, Shelby enveredou por vários negócios, quase todos com sucesso devido à sua fama. O mais notável foi comercializar uma picante mistura de pimenta malagueta do Texas e, acredite se quiser, um desodorante para axilas chamado de "Pit Stop" (parada no box).
Enquanto isso, uma enorme quantidade de imitações do Cobra tinha proliferado. Shelby levou os falsificadores aos tribunais, colocando vários deles fora de circulação e, mesmo assim, alguns casos ainda se estenderam por vários anos. No começo dos anos 80, Shelby se juntou novamente a Lee Iacocca, dessa vez na Chrysler, onde o ex-executivo da Ford tinha se tornado presidente. Lá, Shelby encontrou uma fila de grosseiros, mas potentes Dodges turboalimentados que depois serviram como inspiração para o Dodge Viper 1990.
|
2007 Publications International O GT-500 1968 surgiu no fim da primeira ligação de Shelby com a Ford
|
Apesar de um subseqüente transplante do coração, Shelby continuaria firme. Perspicaz, cheio de vida e sensível como nunca, ele montou uma nova e moderna fábrica em Las Vegas para montar o competente, apesar de desafortunado, "novo Cobra", série I de 1999, bem como mais uma "continuação" dos Cobras, montados com peças originais antigas (porém novas) e até mesmo alguns novos GT-350s convertidos dos Mustangs de 1960.
Depois, em 2003, Shelby voltou oficialmente para a Ford como consultor de modelos de alto desempenho. O anúncio do seu retorno veio acompanhado do fascinante conceito do Shelby Cobra 2004, baseado, em parte, no supercarro Ford GT com motor central-traseiro. E, em 2005, a relação foi mais uma vez inspirada pela magia do Mustang quando o texano ajudou a Ford a apresentar o Shelby Cobra GT500 2006 de 507 cv.
Para obter mais informações sobre o Ford Mustang de ontem e de hoje, consulte os artigos a seguir.
- Conheça a história completa do carro esportivo mais amado da América. No artigo Como funciona o Ford Mustang (em inglês) relatamos os fatos dessa lenda desde a sua concepção no começo dos anos 60 até o totalmente renovado Mustang de hoje.
- O Mustang reinou no mercado automobilístico americano como nenhum outro carro na história. O artigo Ford Mustang 1965, 1966 relata como os primeiros modelos cativaram a nação a ponto de conseguir mais de um milhão de vendas.
- O Shelby Cobra GT 500-KR 1968 não era um simples Mustang. Veja o perfil desse muscle car, que inclui fotos e especificações.
- Os Muscle cars da Ford estavam entre os principais personagens da era do muscle car. Veja os perfis, fotos e especificações de alguns dos mais competentes muscle cars da Ford.