O Alfa Romeo 6C 2500 foi um dos primeiros modelos pós-guerra produzidos pela clássica montadora italiana de 1947 a 1952. Em 1947, a Alfa Romeo havia saído dos escombros deixados pelo bombardeio dos Aliados sobre sua fábrica em Portello, um subúrbio de Milão, e retornado à produção de carros civis com o Tipo 6C 2500. O design dohc (duplo comando de válvula no cabeçote) de seis cilindros foi, em sua essência, uma evolução do modelo 6C 2500, anterior à guerra e fabricado como um Turismo (sedã para cinco passageiros), Esportivo e Super Esportivo de 1939 a 1943.
![]() Com um visual mais francês do que italiano, esse conversível de dois lugares com carroceria de Farina foi um dos quatro tipos de carroceria oferecidos na linha Alfa Romeo 6C 2500 |
Chamado de Freccia d'Oro (Flecha de Ouro), a nova linha incluía um berlina de cinco passageiros (sedã), cupês e conversíveis de dois lugares, além de um conversível de quatro lugares. Eles foram os últimos Alfa Romeos fabricados com estrutura e carroceria separados, e os últimos com carrocerias construídas por terceiros, que eram a Touring, Pinin Farina, Stabilimenti Farina e Boneschi.
Esses carros eram representantes típicos das práticas de engenharia da Alfa Romeo, que possuía suspensão dianteira de braço reator paralelo, algo já visto nos carros da Alfa Romeo e Auto Union Grand Prix, e que, posteriormente, seriam muito utilizados no Fusca, no Porsche 356 e em vários Aston Martins. A suspensão traseira era independente com bandejas simples e barras de torsão longitudinais.
Os amortecedores eram totalmente hidráulico-tubulares e os freios eram a tambor. A estrutura dura que mantinha tudo isso unido era em seção de canal, com um membro-X robusto. A transmissão de mudança sincronizada de quatro velocidades era controlada por um câmbio na coluna de direção. Algo interessante foi o fato de que todos os Freccia d'Oro foram fabricados com direção no lado direito.
Sob o capô, havia seis pistões alinhados que trabalhavam em um bloco de ferro fundido com virabrequim transportado em sete mancais principais. O cabeçote de cilindro em alumínio fundido apoiava dois eixos-comandos que operavam uma válvula de admissão e uma de exaustão por cilindro, as câmaras de combustão eram hemisféricas. A orientação dos eixos-comando vinha de uma correia da parte frontal do virabrequim a uma roda dentada logo abaixo dos ressaltos, que então girava os eixos através das engrenagens.
![]() O design do painel do Alfa Romeo 6C 2500 era típico do fim dos anos 40 |
A carburação variava de um único instrumento Solex na versão Turismo até três Webers de eixo lateral nas versões Esporte e Super Esporte. Naturalmente, a potência também variava: 87 cv a 4600 rpm na Turismo; 95 cv (com a mesma quantidade de giros) nas versões Esporte de 1939 a 1946, mas apenas 90 cv de 1947 a 1952; a versão Super Esporte, por sua vez, oferecia 110 cv a 4800 rpm, enquanto o SS Corsa oferecia 125 a 4800. Uma versão especial, a Competizione (1946 a 1950) trazia 145 cv a 5500 rpm.
Esses Alfa Romes 6C 2500 não eram carros maravilhosos, já que eram muito grandes e pesados, mas viraram marcos na criação do design de veículos após a guerra. Os fãs americanos os viram em fotos nas primeiras edições de revistas como Road & Track e Speed Age, além das inglesas The Autocar e The Motor. Com carrocerias que eram fabricadas pela nata da "carrozzeria" italiana, eram carros lindos, muito mais limpos e refinados do que os que circulavam pelas ruas dos EUA.
E quando olhavam as especificações técnicas ou fotos do motor, os americanos também descobriam que os motores possuíam duplo comando de válvula no cabeçote, o que era um tanto exótico para a época, pelo menos nos EUA. Especialmente porque os únicos veículos norte-americanos movidos por esse tipo de motor eram os carros de corrida de Indianápolis e, em pequena escala, os off-roads anões de Frank Kurtis. E também havia o oito cilindros direto Duesenberg dohc dos anos 30, mas quantos norte-americanos realmente chegaram a ver um deles?
A combinação de um motor de ressalto duplo semelhante aos de corrida colocado dentro daqueles belos traços latinos foi um sonho para toda uma geração de fãs de automóveis nos EUA. Poucos Alfa Romeo 6C 2500 chegaram aos EUA, mas ajudaram a gerar grande parte do entusiasmo no país pós-guerra por carros italianos.
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