O Alfa Romeo Disco Volante fazia algumas pessoas o associarem a um OVNI. Esses esportivos certamente pareciam ter vindo do espaço sideral e haviam sido fabricados para voar nas pistas da Europa.
Embora a Alfa tivesse colocado suas primeiras esperanças pós-guerra na linha 1900, de 1950, ela também havia planejado uma linha de carros touring maiores e de luxo, todos movidos por um novo seis cilindros com 2.955 cc (3 litros), que basicamente era o 1900 com dois cilindros adicionais, o mesmo pistão de 82,5 mm e um curso maior de 92 mm (contra 88 mm do 1900).
Essa linha nunca se tornou realidade (embora a Alfa Romeo chegasse a um seis cilindros, a linha 2600, em 1962), mas a empresa precisava dar um empurrão em sua imagem (o sedã 1900 estava longe de ser belo) e decidiu construir um lote de motores de três litros para um grupo de carros de corrida leves baseados no chassi do 1900 (modificado por freios do tipo Alfin e com quatro reforços mais largos). Graças à sua carroceria aerodinâmica e estranhamente incomum, esses carros logo foram chamados de Discos Volantes pelo pessoal da fábrica e o nome pegou.
Talvez para limitar suas perdas, a Alfa Romeo também fabricou três Discos Volantes (oficialmente, Tipo C52) de quatro cilindros, utilizando um motor de 1900 com 85 mm de pistão e 1.997 cc. Os carros de maior capacidade eram chamados de 6C 3000CM, para o Cortemaggiore de 3.000 cc (ou três litros) e seis cilindros.
Ambas as versões se candidataram para competir na corrida 24h de Le Mans em 1952, mas o Disco Volante só foi competir na Mille Miglia do ano seguinte, quando um modelo de quatro cilindros e três modelos de seis cilindros foram inscritos, com os últimos utilizando um motor maior, de 3.576 cc, 3,5 litros (pistão e curso: 88 mm × 98 mm). Apesar de a direção ter quebrado perto do final da corrida, o lendário Juan Manuel Fangio levou um cupê de seis cilindros ao segundo lugar, atrás de uma Ferrari de 4,2 litros, sendo o único Disco Volante a terminar.

A Alfa Romeo manteve dois dos nove Discos Volantes fabricados. E ambos podem ser vistos no museu da empresa em Milão. Este é o protótipo de corrida original. O apelido de "Disco Voador" é óbvio quando se olha para o formato atarracado e talhado do modelo.
A propósito, o veículo cujo objetivo era lustrar a imagem da Alfa Romeo, conseguiria somente mais um triunfo: a corrida Supercortemaggiore de 1953, em Merano, que Fangio ganhou dirigindo um conversível com motor de três litros. Antes disso, o carro não conseguiu terminar as corridas em Le Mans e Spa, e toda a equipe desistiu antes dos 1.000 Quilômetros de Nurburgring.
Essa história teria acabado aí mesmo se a Alfa Romeo não tivesse vendido todos os modelos e ficado com o protótipo original e o carro que Fangio dirigiu em Supercortemaggiore (ainda em exibição no museu da empresa). É difícil saber os números exatos, mas, aparentemente, foram fabricados nove Discos Volantes: três C52 e seis CM. Acredita-se que os C52 eram dois spiders (com capota dobrável) e um cupê, enquanto os CM eram dois spiders e quatro cupês. O seu destino ainda fascina os fãs de hoje em dia.
Logo após os Discos Volantes se aposentarem, um cupê foi comprado por Joakim Bonnier, o distribuidor sueco da Alfa Romeo, que o colocou em uma nova carroceria conversível da Zagato. O carro chegou aos EUA, onde Rodger Ward (que posteriormente venceria as 500 milhas de Indianápolis) e Bruce Kessler o dirigiram para o proprietário, Shelly Spindel. Um quarto carro, que ganhou uma nova carroceria fabricada pela Carrozzeria Boano, foi vendido em 1955 ao ditador argentino Juan Peron. Um quinto Disco Volante, com carroceria da Ghia, aparentemente desapareceu, sendo igualmente difícil determinar o que aconteceu com o sexto carro.
Fangio foi o piloto da única corrida vencida pelo Disco Volante com este cupê na Supercortemaggiore de 1953
O Disco Volante restante ganharia a glória, com seu chassi de seis cilindros (originariamente desenvolvido para a linha proposta) se tornando a base para uma série de incríveis testes de aerodinâmica realizados por Pinin Farina. O primeiro, chamado de "Superfluxo", foi um cupê arredondado e rebaixado com aletas traseiras afiadas, um "bubbletop" com portas com dobradiças na parte superior e rodas dianteiras semi-abertas (partes da região superior do pára-choque foram cortadas, substituídas por plástico transparente).
Naturalmente, em seguida veio o "Superfluxo II", uma versão um pouco mais convencional. Sua principal inovação eram aletas de plástico que pareciam ter a cor do carro quando vistas de fora, mas que eram transparentes quando vistas de dentro, não atrapalhando a visão do motorista. Depois veio um conversível de dois lugares com o mesmo estilo geral, com encostos de cabeça ajustados e sem aletas. Comum aos três (fabricados entre 1956 e 1959) estava a carroceria côncava e longitudinal que PF aplicaria ao Giulia Duetto de 1967 (ainda presente atualmente como o Spider Veloce 2000).
A tentativa final foi outro cupê "bubbletop", mas, desta vez, com seções de teto duplas e transparentes (uma sobre cada assento) que deslizavam para trás sobre trilhos, uma expressão inicial da idéia da capota T. A traseira era semelhante à do conversível de dois lugares anterior e, novamente, já trazia traços do que seria o Duetto. Visto pela primeira vez na Exibição de Genebra, em 1960, este Disco Volante acabou em uma revendedora de carros usados de Denver um ano depois, mas foi resgatado.
Assim como os Bertone BAT Alfas, os Discos Volantes permanecem como uma referência interessante do pensamento típico dos anos 50 no que se refere à aerodinâmica. E eles não seriam os últimos Alfa Romeos com aparência selvagem, mas eram surpreendentemente práticos. Pena que nenhum foi produzido em série. Porém, podemos torcer para que a Alfa Romeo ainda crie idéias semelhantes no futuro. Você acreditaria em um OVNI da Alfa Romeo?
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