A apresentação do Alfa Romeo Giulietta, em 1954, deve ter sido uma das mais curiosas na história dos automóveis. A empresa já tinha planos de criar uma companhia menor para o 1900 há algum tempo, com uma berlina (sedã) sendo a primeira opção. Infelizmente, a Alfa tinha, como sempre, pouco dinheiro para a área de desenvolvimento, então criou-se um plano para vender títulos que carregariam a taxa na Itália, para tal tipo de investimento. Como estímulo adicional, foi anunciado que seria feito um sorteio entre os acionistas, no qual os ganhadores receberiam um novo Alfa Romeo Giulietta. A estratégia funcionou e o capital necessário foi levantado.
Mas infelizmente, de novo, a Alfa Romeo era nova na produção em série e, com problemas decorrentes, o desenvolvimento do novo Giulietta ficou cada vez mais atrasado. Os componentes mecânicos eram fabricados, mas ainda não havia sinal de um carro acabado que pudesse ser vendido. Então foram anunciados os números que ganhariam o carro, uma estratégia que os representantes da empresa pensaram ser capaz de aliviar a tensão, mas que acabou deixando os vencedores bravos, já que queriam receber seu prêmio imediatamente. Assim que a imprensa começou a falar que o esquema era um escândalo, a Alfa Romeo, uma empresa de propriedade do governo, sabia que tinha de fazer algo.
Esse "algo" foi um contrato com a Nuccio Bertone Carrozzeria para uma pequena produção de cupês Sprint baseados em 2+2 Giulietta, como primeiro carro pronto para a amostra de Torino, na primavera italiana de 1954. Ter ficado pronto e ter sido exibido foram triunfos sobre a intriga, os egos, o planejamento ruim e os erros que parecem afetar qualquer novo projeto. A Alfa Romeo inicialmente pediu somente algumas centenas de carrocerias à Bertone, com a intenção de satisfazer os vencedores do sorteio. Então, aumentou o pedido para mil unidades e, finalmente, para seis mil, quando percebeu que o Giulietta era um sucesso.

A estrutura principal, uma berlina de fábrica, rapidamente seguiu a Sprint na produção. Na metade de 1955, uma versão de dois assentos com capota dobrável havia sido projetada, e Pinin Farina a estava construindo. Sprint agora era sinônimo de cupê na Alfa Romeo, enquanto o Spider (a Ferrari e a Porsche soletravam "Spyder") era um carro aberto, normalmente um conversível, mas, nesse caso, com janelas comuns. Esses termos costumam confundir historiadores e fãs, especialmente porque o 1900 Sprint havia sido tanto um cupê quanto um conversível. Apesar dos arquitetos diferentes, todos os três estilos compartilhavam semelhanças e davam continuidade à filosofia de design mecânico do 1900.
Com 1.290 cc, o quatro cilindros com eixo de cames duplo do Alfa Romeo Giulietta era menor e menos potente do que o 1900, com 80 cv a 6.300 rpm. Ainda assim, o Giulietta Sprint chegava a 164 km/h, e como era mais leve (878 quilos) e mais manobrável, era mais rápido do que o 1900 em determinados circuitos.
Assim como o 1900, o Alfa Romeo Giulietta utilizou a construção unitária. Seus componentes de suspensão eram novos, mas a geometria era quase a mesma: braços A de extensão desigual na dianteira e um eixo traseiro de diferencial sobre braços rebaixados únicos, com localização adicional fornecida por um elo triangular preso à parte superior do diferencial. Os freios, tambores Alfin de diâmetro maior, haviam sido trazidos do 1900.
O Alfa Romeo Giulietta continuou em produção até 1965, mas ganhou parceiros de 1.570 cc (1,5 litros) a partir de 1962: os Giulias. A partir de então, somente os Giulias foram exportados para os EUA, embora os Alfa Romeos Giulietta tenham continuado em produção na Europa por mais três anos.
Embora o 1900 tenha sido o primeiro carro vendido em massa pela Alfa Romeo, foi o Giulietta que realmente estabeleceu a marca nas mentes de vários fãs, especialmente os americanos. Foi o Giulietta que o lendário importador de carros, Max Hoffman, decidiu vender quando se tornou o distribuidor da Alfa Romeo nos EUA.
Os Alfa Romeo Giuliettas eram lindos, gostosos de se dirigir e tinham estrutura técnica suficiente para satisfazer os fãs mais críticos. Eles podiam não ter a suspensão traseira independente do Porsche, mas naquela época, a Ferrari, a Aston Martin e a Maserati também não a tinham. Ainda assim, esse foi o único porém, e isso não parecia fazer muita diferença, exceto nas situações mais extremas. A dirigibilidade desses carros era tão ágil e previsível que só um motorista muito ruim conseguiria perder o controle sobre eles.
Além dos três modelos padrão, a linha do Alfa Romeo Giulietta também incluiu duas opções com estrutura especial: o curvilíneo Sprint Speciale 1957-62, fabricado pela Bertone, e o Sprint Zagato (SZ) de 1959 a 1961, cujo nome vem da fabricante de carrocerias terceirizada. Com motores de 115 cv a 6.500 rpm, ambos os carros chegavam a cerca de 199 km/h.
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