O Aston Martin DB2

O Aston Martin DB2 foi o primeiro real David Brown Aston, apesar do fato de o DB1 também levar seu nome. Brown, que fez sua fortuna construindo transmissões e tratores agrícolas, decidiu se “divertir um pouco” em 1947 ao adquirir as empresas automobilísticas Aston Martin e Lagonda que passavam por dificuldades financeiras. Ambas estavam localizadas a oeste de Londres e sediadas em instalações antiquadas e nenhuma delas conseguiria colocar seus novos projetos em produção. Brown assumiu o controle, transferiu os negócios da Lagonda para a fábrica da Aston Martin em Feltham e começou a olhar para o futuro.

O Aston Martin DB2 foi o primeiro modelo de carro esportivo David Brown Aston de verdade
Embora ele fosse o segundo modelo de carro esportivo a levar o selo "David Brown", o Aston Martin DB2 era mais polido, mais rápido e mais bem evoluído que o DB1, por isso considerado o primeiro David Brown Aston "de verdade"

O que ele herdou com essas aquisições foram um belo chassi Aston Martin novo e um esplêndido motor de 2,6 litros e duplo comando de válvulas da Lagonda. O motor foi projetado sob o comando do legendário W. O. Bentley, diretor técnico da Lagonda desde 1935. Em uma jogada inspirada, Brown modificou os chassis do Aston DB1 para instalar o motor e a transmissão Lagonda. O resultado foi um excelente novo Aston, o Aston Martin DB2. Esse carro e seus descendentes levariam o sucesso da Aston Martin ao longo dos anos 50.

Três protótipos do DB2 foram fabricados em 1949, com carrocerias cupê fastback mais suaves (com design de Frank Feeley, que havia projetado o DB1), e inscritos na corrida 24 Horas de Le Mans, na França, naquele ano. Dois levavam o motor de quatro cilindros do DB1, o outro o seis-cilindros Lagonda. Não houve sucesso naquela primeira vez, mas duas semanas mais tarde, o protótipo Aston Martin DB2 de seis-cilindros terminou em terceiro na classificação geral da corrida 24 Horas de Spa na Bélgica.

O motor Aston Martin DB2 projetado pelo diretor técnico da Lagonda, W.O. Bentley
O Aston Martin DB2 carregava um motor de seis cilindros da Lagonda, projetado sob a direção do legendário diretor técnico W. O. Bentley


Concebido mais exatamente como um simples modelo aberto ou fechado para dois passageiros, o Aston Martin DB2 estava mais refinado quando foi colocado à venda em 1950, com os pára-choques adequados e mais bem equipado. Seu chassi multitubular era uma evolução do projeto do DB1, ainda com suspensão dianteira por braços arrastados, mas com a localização do eixo traseiro revisada.

Como todos os melhores carros esportivos ingleses da época, ele também possuía rodas raiadas com fixação central. O motor produzia 106 cv no modelo básico, mas foi oferecida mais tarde uma versão “Vantage” de  126 cv, a um custo adicional. A caixa manual de 4 marchas, produto das Indústrias de David Brown, estava disponível, tanto com alavanca na coluna de direção quanto com alavanca no assoalho.

Embora indubitavelmente lindo, o Aston Martin DB2 era inicialmente mais um carro de competição do que um automóvel de rua completo. Sua carroceria de alumínio com painéis feitos à mão em Feltham, tinha o capô, extremidade frontal e paralamas em uma só peça com articulação pela dianteira - que se levantava para a frente para acesso ao motor, o que era ótimo nas pistas.

A traseira do cupê se restringia a uma pequena lanterna e não havia acesso externo ao bagageiro. A única abertura traseira era a tampa articulável que cobria o compartimento do estepe. Alguns achavam o conversível ainda mais bonito que o modelo com teto rígido, mas somente 49 dos 409 DB2s fabricados eram abertos.

Críticos, proprietários e jornalistas de testes das revistas concordavam que, embora uma proposta cara, o Aston Martin DB2 tinha um chassi majestoso, de ótimo desempenho e muita personalidade. Ainda melhor, ele conseguiu ficar mais refinado ao longo dos quatro anos em que foi fabricado. Recursos originalmente voltados para corrida, como aberturas de ventilação do cofre do motor, foram abandonados em favor de melhor acabamento e bancos. A simples grade de três partes foi substituída por uma peça única de desenho mais elegante, projetada em 1951.

Na Aston Martin, no entanto, nunca havia muito tempo para que um estilo se estabelecesse por muito tempo. Por isso, o Aston Martin DB2 foi substituído em 1953 por uma versão ainda mais refinada, o DB2/4.

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