O Aston Martin DB2/4 foi lançado no outono europeu de 1953 para substituir o DB2, e era uma versão melhorada dele em todos os aspectos. A designação conta a verdadeira história, pois ele era ainda o Aston de “David Brown”, só que agora com quatro lugares. É claro que era engraçado pensar que, uma vez que a distância entre eixos não havia sido alterada, espremer aqueles bancos extras pedia uma boa dose de artifício, incluindo um pequeno tanque de combustível reposicionado acima do estepe. De fato, não havia espaço para as pernas do passageiro do banco de trás com os bancos dianteiros totalmente recuados para trás.
![]() O Aston Martin DB2/4 foi o primeiro carro esportivo a ter uma nova tampa traseira com articulação superior - hatchback - que permitia espaço para um compartimento de bagagem muito maior |
Assim como antes, havia modelos cupê e conversíveis, mas o design do cupê foi subitamente modificado. Um pára-brisas inteiriço substituiu o anterior dividido, e a linha de teto foi ampliada para oferecer a impressão de espaço para as cabeças daqueles desafortunados o bastante para dar uma "voltinha" no novo banco traseiro. A maior inovação foi uma nova abertura traseira com articulação superior - hoje conhecida como hatchback; a propósito, a primeira aplicada a um carro esporte - para acomodar um compartimento de bagagens muito maior.
Assim como em tantos carros de hoje, o banco traseiro do Aston Martin DB2/4 podia ser dobrado para oferecer mais espaço de carga. As carrocerias do cupê eram fornecidas pela H. J. Mulliner & Sons, de Birmingham, famosa pelo encarroçamento dos Rolls-Royce e que pouco antes começara a construir as carrocerias do TR2 para a empresa Standard-Triumph. Sob o capô, o mais potente motor, Vantage, de 126 cv, agora era padrão.
O resultado de tudo isso foi um empolgante carro esporte que era mais prático e versátil do que nunca. Testes independentes mostraram que o DB2/4 era capaz de desenvolver velocidade máxima de 177,6 km/h e ir de 0 a 100 km/h em 12,6 segundos, transformando-o num carro veloz pelos padrões do início dos anos 50. As vendas, porém, não foram maravilhosas.
![]() Embora o Aston Martin DB2/4 tivesse quatro lugares, os passageiros do banco de trás não tinham espaço suficiente para as pernas com os bancos da frente totalmente recuados |
A demanda cresceu ainda mais na metade de 1954 quando um motor maior, de 2,9 litros, com 141 cv, foi disponibilizado. Um terceiro estilo de carroceria chegou em 1955, uma versão sedã do conversível. Naquela época, a Mulliner se aproximou da Standard-Triumph (a qual assumiria a firma encarroçadora em 1958), então David Brown mudou a produção da carroceria do cupê para a Tickford em Newport Pagnell, que já fabricava o conversível. A montagem final continuava em Feltham por enquanto. Com essa mudança vieram um capô convencional e pára-lamas dianteiros fixados à estrutura.
Naturalmente satisfatória, essa segunda geração do DB2/4 ficou conhecida como Mark II e foi fabricada por dois anos. Ele era capaz de desenvolver 192 km/h, o que era equiparável com o mais pesado e menos ágil Jaguar XK140, mesmo assim mantendo a mesma aderência felina, mostrada no começo da série DB dos Astons. É interessante relembrar que esses carros eram vendidos com freios a tambor, pois a tecnologia de freios a disco ainda estava engatinhando.
Embora a produção do DB2/4 fosse baixa pela maioria dos padrões, esse foi um carro de sucesso para a Aston Martin. Foram fabricados 566 “Mark I” e 199 Mark II.
No seu auge, o DB2/4 estava sendo produzido a uma cadência de 6 ou 7 por semana, mesmo esse carro tendo a fabricação estritamente manual. É óbvio que ele é muito colecionado hoje, mas David Brown tinha um Aston ainda melhor em produção, o DB Mark III.
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