O Aston Martin DB5 e o Volante

Após cinco anos, o DB4 havia se distanciando tanto de suas origens que merecia um novo nome. E ele ganhou um no outono europeu de 1963: o Aston Martin DB5. Mas embora ele mantivesse o chassi básico, o desenho da carroceria e o trem de força do último modelo DB4, o mais novo Aston era novamente um carro diferente em muitos aspectos. É interessante notar que, embora tenha sido fabricado por mais dois anos apenas e tenham sido vendidos 1.021 exemplares, ele se tornou um dos mais famosos entre todos os Astons. Seu poder era tanto em Hollywood, que um DB5 especialmente equipado serviu como carro do espião James Bond no filme 007 contra Goldfinger, transformando-o instantaneamente em astro internacional.

O Aston Martin DB5 foi o carro do espião James Bond no filme Goldfinger
O Aston Martin DB5 se tornou um astro internacional quando interpretou
o papel do carro do espião James Bond no filme 007 contra Goldfinger

 

A melhor forma de começar a descrever o Aston Martin DB5 é iniciar com o DB4 a partir do qual ele foi desenvolvido. A sólida plataforma de chassi de aço estampado, com 245 cm de distância entre eixos, e o motor básico seis cilindros DOHC foram mantidos, assim como a opção do cupê de quatro lugares e os modelos conversíveis levemente menos espaçosos. No entanto, um aumento de 4 mm no diâmetro dos cilindros elevou a cilindrada do motor de 3,7 para 4 litros. No modelo padrão original (com três carburadores SU), o DB5 ainda produzia 286 cv. O cupê, completo, com faróis retraídos cobertos por tampas inclinadas de acrílico, era quase exatamente igual ao último DB4, enquanto o conversível adotou esse tratamento (os DB4 conversíveis sempre tiveram faróis expostos). Uma capota de aço removível permaneceu opcional para ele. Como antes, ambos os modelos eram equipados com carrocerias Touring Superleggera.

As opções de transmissão dos primeiros DB5 eram as mesmas dos últimos DB4: caixa de câmbio manual David Brown de 4 marchas, a mesma caixa com sobremarcha (overdrive), a custo extra, e a automática Borg-Warner de três velocidades opcional. Mas agora havia ainda uma terceira opção, a manual ZF de 5 velocidades totalmente sincronizada (também utilizada nos Maserati de seis cilindros da época), na qual a quinta marcha era na verdade uma sobremarcha. Ela se tornou padrão por volta da metade de 1964, e a de 4 marchas com sobremarcha separada desapareceu.

O outono do Hemisfério Norte de 1964 trouxe um motor mais potente como uma nova opção do Aston Martin Vantage. Respirando através de um trio de carburadores Weber duplos, ele desenvolvia não menos que 330 cv e estava para se tornar o mais popular Aston “Big Six” pelo restante de sua vida.

o interior do Aston Martin DB5 e do Volante
Apesar de seu potente motor e visual impressionante, faltavam ao DB5 alguns recursos modernos, tais como ar-condicionado e direção hidráulica

Outra observação interessante em relação ao DB5 se refere às 12 conversões para “shooting brake” (um dos termos britânicos para station wagon) produzidas por Harold Radford, encarroçador baseado em Londres. Fabricadas em 1965, elas agora possuem um valor considerável devido à sua raridade. O conversível sofreu leves modificações de estilo no mesmo ano, ganhando pára-choques dianteiro e traseiro de canto, no lugar dos inteiriços, uma tomada de ar adicional para o radiador de óleo na parte dianteira (abaixo da placa de licença), além de seu próprio sobrenome: Volante (“voador” em italiano). Apenas 37 foram fabricados antes que a produção se voltasse para o sucessor, o DB6.

Naquela época, o Aston Martin DB era não apenas mais rápido, mas significantemente mais pesado do que nunca. O típico cupê DB5 pesava perto de 1650 kg, 200 a mais que o DB4 de cinco anos antes. Mesmo assim, seu desempenho era bom o suficiente para alcançar 225 km/h. Mas o peso extra resultou em um maior consumo de combustível e a maioria dos proprietários logo descobriu que não conseguiam mais que 6,3 km/l.

Apesar de ser um verdadeiro puro-sangue feito à mão na melhor tradição inglesa, o DB5 era um dinossauro em alguns aspectos. Por exemplo, ele ainda não tinha ar-condicionado. E também não havia direção hidráulica, de forma que era preciso ter braços fortes para tirar o melhor do carro em estradas sinuosas. Pernas fortes também ajudavam. A combinação do DB5 de estilo italiano e alguns detalhes definitivamente ingleses tinham um charme inegável, mas seus defeitos pareciam mais intoleráveis - e menos profissionais - com o passar dos anos. Corrigi-los era a missão do próximo projeto da Aston, o DB6.

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