O Aston Martin DBS e o Vantage AM

A Aston Martin de David Brown insistia em cada possibilidade de venda antes de descartar um modelo, esperando assim obter o máximo retorno do investimento. Isso ajuda a explicar por que a família DB2 durou sete anos e a família DB4, 12. Assim, quando chegou, em setembro de 1967, o Aston Martin DBS foi somente o terceiro Aston realmente novo em 18 anos. Mesmo assim, ele não era inteiramente novo, pois a maior parte do projeto de seu chassi e sistema de propulsão vinha diretamente do DB6 existente, para não dizer que era o mesmo em cada detalhe.

O esportivo Aston Martin DBS chegou em setembro de 1967
O Aston Martin DBS foi considerado apenas o terceiro Aston verdadeiramente novo em 18 anos quando foi lançado em setembro de 1967, embora a maior parte de seu chassi e sistema de propulsão fosse idêntica aos do DB6 existente. Veja mais fotos dos carros Aston Martin (em inglês).

 

O trabalho no Aston Martin DBS começou em 1966, um ano que viu um declínio na sorte da Aston. A Touring, fornecedora italiana responsável pelo projeto e carroceria da empresa, sofreu um colapso financeiro logo após ter finalizado alguns protótipos de promissores cupês agora conhecidos como DBSC, enquanto na Inglaterra uma diminuição do crédito do governo reduziu a demanda por automóveis caros como o DB6. Brown, entretanto, ainda conseguia “se divertir” com sua empresa e apressou a saída de um novo projeto.

Esse projeto foi passado para o ambicioso e jovem William Towns, que fora contratado em Newport Pagnell somente para desenhar os bancos. Towns sabia que Brown queria não somente um novo cupê Aston, mas também um novo sedã Lagonda, de modo que ele concebeu duas propostas muito similares, uma para cada modelo, diferindo principalmente na distância entre eixos, no teto e no desenho do nariz. Por absoluta persistência, ele conseguiu que seu cupê fosse aprovado (o antigo Lagonda progrediu somente até alguns poucos de protótipos). Towns deixou bastante espaço sob o capô para um novíssimo V8, então em desenvolvimento, embora ele não fosse se materializar até 1969.

Como as reservas de capital estavam baixas e o senso de urgência elevado, o novo DBS (a designação “DB7” era rejeitada para enfatizar o quanto ele era novo) foi montado num chassi DB6, embora com o acréscimo de 2,54 cm na distância entre eixos e um incremento significativo de 11,2 cm nas bitolas dianteira e traseira. A suspensão dianteira e a direção hidráulica (ainda oferecida como opcional) eram as mesmas do modelo anterior, mas o engenheiro Harold Beach finalmente ganhou sua batalha por instalar uma suspensão traseira De Dion. Os motores normal e Vantage, com caixa manual ou automática, também eram os mesmos do DB6. O mesmo ocorria com a problemática injeção de combustível AE-Brico opcional, que contabilizou alguns poucos pedidos.

Os primeiros Astons DBS tinham quatro faróis dianteros. O  AM Vantage 1972 tinha uma frente com dois faróis
Enquanto os primeiros Astons DBS tinham quatro faróis, o reestilizado AM Vantage de 1972 e 1973 tinha uma frente com dois faróis, mas fora esse detalhe era quase idêntico ao DBS.

 

Apesar da nova carroceria do cupê fastback mostrar as formas familiares do Aston em sua grade e janelas laterais, ele tinha um visual ousado, limpo e “extrudado” (como se fosse moldado sob pressão), com as laterais da carroceria curvadas e uma estrutura superior ligeiramente angulosa que, no entanto, harmonizava bem com o conjunto. Os faróis dianteiros quádruplos foram instalados em toda a extensão da grade com desenho de "caixa de ovos", e rodas com fixação central eram oferecidas como opcional. De modo geral, não havia traços da influência italiana, e apesar disso o DBS era tão vistoso e moderno quanto qualquer modelo que viesse de Turim e oferecia um espaço para passageiros significantemente maior que o DB6, apesar de seu chassi ligeiramente menor. Ele continua sendo a base dos Aston V8 ainda em produção na época da publicação deste artigo, embora um conversível não fizesse parte da paisagem no final dos anos 60 - ele surgiu muito mais tarde.

Devido às suas proporções, o Aston Martin DBS era inevitavelmente mais pesado que o DB6 - por expressivos 255 kg -, de forma que seu desempenho e consumo de combustível eram previsivelmente muito piores. Ainda assim, ele conseguia atingir perto de 240 km/h com o pé embaixo, e anda acelerar de 0 a 100 km/h em respeitáveis 8,5 segundos, além da maior estabilidade, uma vantagem das bitolas mais largas. A desvantagem era sua dirigibilidade ruim sem a direção hidráulica opcional. De fato, a alavanca de câmbio, a direção e os freios demandavam um pouco de esforço “masculino”, uma boa descrição da personalidade claramente machista da Aston. O consumo de combustível aumentou para míseros 4,2 km/l, embora poucos se preocupassem muito com isso, pois a gasolina ainda era farta e barata.

O prometido V8 apareceu no tempo devido em um modelo da empresa batizado como DBS-V8 (o que mais tarde estimulou alguns a nomear a versão seis cilindros de “DBS 6”). No entanto, o DBS permaneceu sem mudanças significativas até 1972.

Esse foi um ano divisor de águas para a Aston Martin Lagonda, quando David Brown deixou de “se divertir” e vendeu sua participação para a Company Developments, Ltd. A essa altura, o DBS foi rebatizado Vantage e recebeu o motor de 330 cv como equipamento de série. Ele também sofreu leves modificações, apresentando agora faróis duplos maiores, posicionados ao lado de uma grade simples de tela preta, mais estreita.

O Vantage saiu de linha após 14 meses, produzido até julho de 1973 e contabilizando meras 70 unidades produzidas da produção total de 857 veículos da série DBS. Com ele morreu o esplêndido Aston Martin de seis cilindros e duplo comando; é triste de dizer. Todos os Astons que se seguiram usaram o V8 ultrapassado de 1969.

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