O Austin-Healey 100/4

O Austin Healey 100/4 foi desenvolvido por necessidade. Os Healeys da Inglaterra, ou seja, os carros, já estavam velhos em 1952, então Donald Healey, o seu famoso construtor, começou a projetar um novo design que iria lhes permitir expandir seus negócios. Para isso, ele percebeu que precisaria comprar componentes mais baratos e fabricar mais carros, para poder vendê-los a um preço menor. Assim nasceu o Austin Healey 100/4.

O romance dessa pequena história é que quando o futuro Healey 100 foi exibido em protótipo na Feira de Automóveis de Londres, em 1952, o diretor administrativo da BMC, Leonard Lord, fez uma oferta irrecusável a Healey. Assim nasceu o Austin Healey, um carro que teria sido feito em centenas em Warwick, mas que acabou sendo produzido em Longbridge em dezenas de milhares. Os devotos dos carros esportivos ficaram agradecidos para sempre.

Havia muitos bons motivos para que Len Lord ficasse tão atraído pelo Austin Healey. O belo e elegante conversível de dois lugares era forte e harmonioso, e havia sido projetado em torno do sistema de direção e da suspensão levemente modificados do Austin A90. Como o A90 não estava vendendo tão bem naquela época, o apreço de Lord pelo novo Austin Healey era bastante compreensível.

O Austin Healey 100/4, Donald Healey, conversível de dois lugares
O Austin Healey 100/4 tinha pára-brisas deitados padrão e a aparência do esportivo continuou praticamente a mesma durante a produção do carro

O Austin Healey 100 tinha o que parecia com uma carroceria na parte de cima separada dos chassis e partes laterais, mas eles foram, na verdade, soldados juntos na montagem inicial. A BMC finalmente concedeu o contrato de carroceria/chassis aos irmãos Jensen, Dick e Alan, que haviam construído seus próprios carros esportivos em uma pequena fábrica em West Bromwich. A suspensão dianteira era independente, de molas em espiral. Na parte traseira havia um eixo rígido montado sobre os membros laterais, mas com movimento restrito; uma roda auxiliava o feixo de molas semi-elípticas localizado no próprio eixo. Rodas raiadas de travamento centeal eram padrão.

A linha de transmissão compreendia o A90 de quatro cilindros e 2.66 litros de 90 cavalos de potência conjugado com uma caixa de câmbio de 4 velocidades sem a maior marcha. No entanto, ela era aliada com sobremarcha Laycock elétrica que funcionava na última (terceira) e segunda marchas, dando a um motorista habilidoso alguns coeficientes a mais para brincar.

O desenho da carroceria era do próprio Donald, embora o construtor Tickford de Buckinghamshire tenha dado seu toque final - que era inconfundível. Com um moderno estilo “envelope”, ele apresentava linhas de seqüência suaves, uma grade em forma de concha inconfundível e um pára-brisas inteiriço, que poderia ser deitado para aqueles que gostam de dirigir sentindo o vento bater no rosto.

A montagem do Austin Healey 100 começou na fábrica da Austin, próxima a Birmingham, na primavera de 1953, e logo se seguiram as exportações para os Estados Unidos. Imediatamente ficou claro que o carro possuía desempenho e dirigibilidade à altura do seu belo visual. Ele podia facilmente chegar ao mágico “topo”, por isso a designação 100. Melhor do que isso, o Austin Healey 100 conseguiu entrar em um setor restrito do mercado, cotado confortavelmente abaixo do Jaguar XK120, mas bem acima do novo TR2 da Triumph.

 

Dois problemas emergiram rapidamente: superaquecimento do motor na cabine e baixa distância mínima do solo, em grande parte devido ao baixo posicionamento do sistema de exaustão. Nenhum dos dois defeitos seria resolvido durante a longa vida de produção de 15 anos desse projeto básico.

O Austin Healey 100/4 motor, cabine, sistema de exaustão, quatro cilindros
Apesar do desempenho e boa dirigibilidade do Austin Healey 100 os esportivos sofriam de excesso de aquecimento do motor e baixa distância com o solo

Embora o quatro cilindros Austin Healey tivesse sido fabricado por apenas 3 anos e meio, existiam quatro variantes diferentes. O carro original, fabricado até o outono de 1955, recebeu o código (e é agora popularmente conhecido como) BN1. No ano seguinte, ele ganhou uma nova caixa de câmbio de 4 velocidades (ainda com sobremarcha), para se tornar o BN2.

Enquanto isso, a empresa Healey (não a BMC) desenvolveu e aperfeiçoou um esportivo BN1 em 1954-55, o chamado 100S (S significa Sebring). Ele apresentava uma carroceria básica, toda em alumínio, sem pára-choques, e tinha um motor de 132 bhp bastante modificado. Apenas 50 foram fabricados, todos voltados (e a maioria utilizados) para competição. Também existiram 1.159 exemplares do 100M, uma conversão do BN2 com 110 bhp, pintura de dois tons e variadas modificações de carroceria e chassis.

O Healey 100 foi bem sucedido ao estabelecer uma boa reputação muito rapidamente, especialmente nos Estados Unidos, onde os entusiastas achavam que ele oferecia tudo o que um moderno MG não trazia. De fato, a maioria dos mais de 14.000 BN1s e BN2s fabricados foi vendida nos Estados Unidos, transformando o nome Austin Healey em uma parte permanente do amor e glória dos carros esportivos.

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