O Austin Healey 100 Six

A BMC enxergava o Austin Healey como parte integrante de sua linha, portanto, quando a estratégia de motor da empresa mudou, ficou claro que o grande carro esportivo também mudaria. Por isso, não foi surpresa que o 100/4 se tornasse o Austin Healey 100 Six em 1956. O velho A90 quatro cilindros foi considerado obsoleto. Em seu lugar estava um seis cilindros quase do mesmo tamanho. Mas havia muito mais no novo modelo do que apenas dois cilindros extras e torque de rpm mais baixas, pois a família Healey, sob o comando da BMC, aproveitou a oportunidade para renovar o carro de ponta a ponta.

O Austin-Healey 100 Six, motor de seis cilindros, carros esportivos da BMC
Um chassis 5 cm mais largo deu espaço para um minúsculo
banco no Austin Healey 100 Six

As informações obtidas do mercado norte-americano sugeriam que os compradores queriam mais espaço de cabine do que havia no 100/4, então a reformulação incluiu a ampliação de 5 cm nos chassis e o reposicionamento de alguns componentes da traseira para dar espaço para “ + 2” assentos traseiros. Provavelmente eles não serviam para nada além de depósito de objetos, mas pelo menos atenderam aos pedidos das equipes de vendas. O design do Austin Healey 100 Six era quase o mesmo, exceto pela nova grade oval, pára-brisas fixos, opção de rodas raiadas ou com disco de aço e um capô levantado com uma pequena entrada de ar frontal.

A grande diferença, é claro, era o novo motor de seis cilindros. Esse era o maior carro da série C produzido pela BMC, que tinha algumas semelhanças de design, porém poucos componentes em comum, com o quatro cilindros da série B utilizado no carro esportivo MGA. Com o trabalho de uma grande e pesada caixa de ferro de 2,64 litros com comando de válvula no cabeçote, ele era, de acordo com os números alegados, mais potente que o velho quatro cilindros de bloco grande (102 contra 90 cavalos de potência). Uma caixa de câmbio de 4 velocidades era padrão, assim como no renegado BN2, mas no Austin Healey 100 Six, chamado BN4, a sobremarcha era um opcional extra.

Mas infelizmente, o Austin Healey 100 Six foi uma decepção em seu primeiro ano de produção. Consideravelmente mais pesado que o 100/4 (1104 kg contra 975 kg), ele não apenas parecia, mas era menos dinâmico. Ele também não parecia ser tão fácil de dirigir e, de certa forma, não se saiu tão bem como carro esportivo quanto seus antecessores.

O Austin-Healey 100 Six, motor de seis cilindros, carros esportivos da BMC
Dois cilindros extras não ajudaram muito no desempenho do Austin Healey 100 Six, pois o esportivo era mais pesado que o Austin Healey 100/4 e parecia menos dinâmico

Mas o outono de 1957 trouxe dois importantes projetos. Primeiro se deu uma grande jogada estratégica, quando a BMC decidiu centralizar a montagem de seus carros esportivos; isso significa que a produção do Austin Healey se mudou 80 km para o sul, de Longbridge para a fábrica da MG, em Abingdon. Quase na mesma época (não é possível precisar o momento exato), surgiu um motor muito mais aperfeiçoado, com cabeça de cilindro reformada e admissão mais eficiente, que elevou a potência máxima para 117 bhp e possibilitou a produção de mais torque. A diferença era talvez mais acentuada do que os números sugeriam, pois os testes de pista apontaram um ganho de 12 km/h na velocidade máxima e a aceleração voltou a níveis parecidos com os do BN2.

Portanto, o esportivo de dois lugares voltou para fazer parte da linha. Chamado BN6, ele refletia o tipo de “segunda alternativa” guardada na manga que cada vez mais iria caracterizar o marketing da BMC. Além disso, a produção do BN4 ficou suspensa por um período, e depois o pequeno estoque existente foi extinto (provavelmente, a maioria nos Estados Unidos).

Mesmo assim, aqueles foram anos excitantes para a Austin Healey, especialmente quando o pequeno Sprite “cara de sapo” chegou, em 1958, para levar a marca ao território dos altos volumes de vendas pela primeira vez. Com dois modelos diferentes nas lojas, os fãs começaram a se referir ao 100 Six (e seus sucessores) como o “Grande Healey”.

A essa altura, o decepcionante BN4 havia sido esquecido e a reputação e as vendas dos mais novos Healeys seis cilindros continuavam a crescer. Em 1953, eles eram carros esportivos com incrível personalidade e estilo, que não apenas tinham bom desempenho, mas também tinham tudo no lugar. Seria difícil arranjar um sucessor para eles, mas a BMC achou que poderia fazer isso. E fez. Chegava o Austin Healey 3000.

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