Lamborghini 350 GT/ 400 GT
Os Lamborghinis 350 GT e 400 GT não começaram como um sonho para consumidores irados. Lembra daquele sujeito resmungando tanto do seu Ferrari que decidiu construir o seu próprio carro? O seu nome era Ferruccio Lamborghini e, em 1962, ele começaria a escrever a história automobilística moderna. Assim começa a história do Lamborghini 350 GT.
 Apesar de similar na aparência, o Lamborghini 400 GT, que estreou em 1966, não tinha muito em comum com o antecessor, o Lamborghini 350 GT
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Como foi dono dos melhores Ferraris modernos, Lamborghini decidiu que poderia fazer um carro melhor que os veículos do Commendatore. E possuindo uma considerável fortuna construindo tratores especiais e aquecedores domésticos, ele certamente tinha os recursos para tentar.
Mas Ferruccio não estava para brincadeira. Para ele, carros de alto desempenho eram coisa séria. Sendo assim, ele investiu em uma novíssima fábrica em Santa Agata, próximo a Bolonha ― ou Modena ― no coração da terra dos supercarros italianos.
Lamborghini sabia o que queria mas não conseguiria projetá-lo sozinho e, para isso, ele contratou Giotto Bizzarrini, o respeitado engenheiro freelancer que já tinha deixado sua marca na Ferrari e estava trabalhando em novos projetos para a Iso em Milão. O sonho de Ferruccio era um cupê de dois lugares com o maior número de componentes exclusivos possível. Em particular, ele estava determinado a construir seus próprios motores, desprezando o fato de a Iso usar motores Chevrolet prontos.
Bizzarrini rapidamente desenvolveu um motor V12 com quatro comandos de válvulas e ângulo de 60 graus, um projeto que ele estava criando há algum tempo, e também começou a desenvolver um chassi de motor dianteiro com clássica suspensão totalmente independente através de braços triangulares superpostos e molas helicoidais em cada canto. Freios a disco Girling servoassistidos seriam usados em todas as rodas. A direção seria da ZF, do tipo setor e sem–fim com esferas recirculantes.
No início de 1963, Lamborghini contratou o jovem Giampaolo Dallara para supervisionar a construção do protótipo ― e para ser presidente da Automobili Ferruccio Lamborghini S.p.A. Foi uma ótima escolha, pois Dallara não era apenas um “ex-Ferrari”, mas também um “ex-Maserati”, portanto suas credenciais ― e credibilidade ― em supercarros eram excelentes.
O primeiro motor estava funcionando em meados de 1963. Ele foi então montado com um câmbio ZF de 5 marchas e instalado em um protótipo chamado 350 GTV, apresentado no salão de Turim em novembro. Projetado pelo ex-Bertone Franco Scaglione e construído pela Carrozzeria Sargiotto, de Turim, ele parecia meio espalhafatoso (mesmo com os faróis retráteis) e era aparentemente inspirado no Aston Martin DB4GT Zagato e no Jaguar E-Type cupê (veja entradas).
Quando a produção começou em março de 1964, a Touring de Milão tinha arredondado as linhas angulares do protótipo, simplificado imensamente a traseira e trocado os faróis retráteis e “boca” da entrada de ar por faróis ovais “olho de sapo” expostos e uma grade convencional. O resultado estreou no Salão de Genebra naquele mesmo mês como o 350 GT. Enquanto isso, o V12 foi equipado com seis carburadores Weber horizontais (o GTV tinha Webers verticais) e sua potência era de 280 cv, e a nova fábrica estava pronta para produzir os dois motores e o chassis tubulares de aço.
 O interior de toda a linha Lamborghini GT é similar, com os 350 e os 400 possuindo volante de três raios e um formidável painel de instrumentos |
Somente 13 Lamborghinis foram construídos em 1964, mas a demanda cresceu rapidamente com os rumores do excelente motor do Lamborghini 350 GT, excelentes dirigibilidade e estabilidade e altíssimo desempenho (mais de 240 km/h de velocidade máxima). Nos dois anos seguintes, o volume aumentou para 120 unidades, todas cupês semi-hatch exceto algumas conversíveis construídas pela Touring e uma especial com estilo da Zagato.
Em 1966, o Lamborghini 350 GT ganhou um parceiro de corrida chamado Lamborghini 400 GT. Ele tinha motor V12 de 4 litros, como o nome sugeria, e 320 cv, o suficiente para aumentar a velocidade máxima para quase 260 km/h. Também possuía o primeiro câmbio e diferencial projetados por Dallara. Ferruccio ficou sério.
A Touring mudou a aparência para que o Lamborghini 400 GT fosse um pouco diferente do Lamborghini 350 GT, mas não compartilhavam os mesmos painéis. Para facilitar a identificação externa havia quatro faróis circulares, um vidro traseiro menor e o aumento da altura do teto para garantir mais espaço interno.
Como antes, havia um par de pequenos bancos individuais na parte de trás, e as brochuras otimisticamente o classificavam como 400 GT tipo 2 + 2 . Por baixo, um único tanque de combustível grande substituiu o par de tanques menores dos 350. Só para complicar as coisas, nesse ínterim houve também um 350 GT com motor 4-litros em 1965 e começo de 1966.
No geral, essa primeira geração de Lamborghinis representou um começo promissor para uma nova marca. Conforme a revista Road & Track avisou na época: “Cuidado, Ferrari!”. O 350 GT continuou sendo produzido durante 1967, mas os 400 GT continuaram até 1968, quando foram substituídos por uma versão remodelada chamada de Islero. O volume de produção estava bem abaixo da Ferrari, mas Ferruccio tinha menos modelos e seus gastos não eram altos.
Na verdade, a Lamborghini veio do nada incrivelmente rápido para ameaçar verdadeiramente o desempenho e prestígio do “ cavalinho rampante”. Para piorar as coisas para Maranello, modelos novos estavam esperando para tornar esta ameaça ainda mais séria. O touro bravo tinha chegado.
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