Lamborghini Urraco P250/P300/P200
Quando perguntavam a Ferruccio Lamborghini quais eram as suas ambições no meio dos anos 60, ele invariavelmente respondia: “Fabricar um carro pequeno. Não pequeno como um Fiat e não tão barato, entende? Em vez disso, um supercarro compacto". Ferruccio finalmente realizou esse sonho em 1970 com o Lamborghini Urraco de motor central, um tipo de Lamborghini Miura em escala reduzida que representou uma enorme aposta para esta pequena empresa.
 O perfil do Urraco mostrava a sua distinta grade e seu vidro traseiro estilo persiana, uma assinatura do designer Marcello Gandini |
Enquanto os Lamborghinis de produção sempre foram propulsionados por motores V12 a 60 graus com quatro comandos de válvulas, o Lamborghini Urraco tinha um pequeno V8 a 90 graus com apenas um comando de válvulas por bancada de cilindros, além de igualmente novos transeixo e carroceria.
Em resumo, era a resposta de Santa Agata ao Dino 246 GT e ao Porsche 911. Graças ao orgulho italiano, entretanto, a Lamborghini iria ultrapassar a “rica” Ferrari, com seu modelo 2 + 2 em vez de acomodação para dois passageiros, um motor V8 em vez de V6 e estilo Bertone em vez de Pininfarina.
É claro que o carro alemão, produzido em larga escala por uma empresa muito maior, poderia ― e o fez ― vender mais que os Italianos. Mas o Urraco estava ainda mais comprometido devido a atrasos de dois anos em entregas aos consumidores, que refletiram ― e provavelmente agravaram ― os problemas de montagem de Santa Agata que chegariam a uma conclusão até o fim da década.
Como “filho de Miura”, o Lamborghini Urraco tinha um chassi de aço estampado com carroceria soldada e a montagem do conjunto motor-transmissão era feita de maneira transversal atrás da cabine do piloto, na frente das rodas traseiras. Havia freios a disco em todas as rodas e suspensão totalmente independente, mas os modelos posteriores tinham uma suspensão McPherson em vez de braços triangulares.
Desenvolvido pelo engenheiro-chefe Paolo Stanzani, o novo motor V8 com comando de válvulas único era menos sofisticado que o V12 da Lamborghini, além de ser acionado por correia dentada. A versão inicial de 2,5 litros tinha o mesmo tamanho do então atual Dino V6 da Ferrari, mas fornecia 30 cv de potência a mais.
Com nome de uma raça de touros de briga, o Urraco era mais um Lamborghini com desenho de Marcello Gandini. Ele aparentemente fez pouco esforço para esconder a configuração de motor central, com um capô curto e uma distância entre eixos um pouco longa para a estrutura compacta de 425 cm de comprimento. A sua “assinatura” preferida ― compartimento do motor e vidro traseiro estilo persiana ― estava em evidência, além de uma frente pontiaguda com faróis escamoteáveis.
Um pára-brisa inclinado e uma cabine estilo hatch relativamente afastada para frente davam ao Lamborghini Urraco um perfil definitivamente “amontoado”. O efeito geral era baixo e atarracado, intimidante, inconfundível.
 O interior do Urraco era esteticamente agradável, no entanto os compradores ficavam espantados com seu arranjo pouco ergonômico
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O Lamborghini Urraco poderia ter brigado por vendas com o Dino, não fosse por vários problemas. Apesar do bom desempenho (até 230 km/h) e caráter exótico, alguns compradores não o viam como um Lamborghini “de verdade”. E havia falhas de projeto inerentes: visibilidade exterior pobre, “colcha de retalhos” na ergonomia, posição de dirigir esquisita e acabamento medíocre.
Para piorar, uma boa dose do interesse inicial evaporou devido ao atraso em entregar os carros aos consumidores. Mesmo assim, de alguma maneira o Lamborghini Urraco não parecia completamente desenvolvido. Problemas de qualidade e confiabilidade apareceram logo e foram publicados tanto quanto a crescente crise financeira e problemas trabalhistas que criaram boatos sobre a falência da Lamborghini. Com tudo isso, muitos bons compradores foram espantados do Lamborghini Urraco.
Esperando se recuperar, a Lamborghini levou dois Urracos melhorados para o Salão de Turim de 1974. A grande novidade foi o P300, com motor V8 de 3 litros com duplo comando de válvula no cabeçote desenvolvido para contornar os efeitos na potência das leis americanas em relação a emissão de gases e estabelecer o Lamborghini Urraco como um genuíno Lamborghini.
A potência foi elevada para 265 cv (dos baixos 180 cv do modelo americano) e conseqüentemente o desempenho, apesar dos pára-choques absorvedores de energia e outros equipamentos de segurança pesados terem sido aplicados em ambos. Mesmo assim, a dirigibilidade continuou sendo ruim e nenhum dos outros problemas do carro foram realmente resolvidos. A outra novidade era uma versão de segmento de mercado mais baixo, de 2 litros, o P200, com comando de válvulas único feito para pagar menos imposto em razão do menor consumo de combustível, exclusivamente nos EUA.
Com menos de 780 exemplares em seis anos, o Lamborghini Urraco não foi o sucesso que poderia ter sido ou que a Lamborghini precisava. Quando a produção foi encerrada no início de 1979, Ferruccio Lamborghini já tinha desistido há muito tempo, deixando a sua empresa flutuar em um mar de rumores e reorganizações que quase a afundou.
Mas nem tudo estava perdido. O design básico do Lamborghini Urraco sobreviveria no breve Lamborghini Silhouette e no mais bem-sucedido Lamborghini Jalpa, que ajudaram a manter a empresa na superfície.
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