Grandes carros esportivos estão envolvidos por uma lenda, e é assim com o Lamborghini Miura, o primeiro supercarro de motor central do mundo, uma maravilha sensual cujo desenho envergonhou até a Ferrari.
![]() A Lamborghini inventou o super-carro moderno com o Miura. Ele estreou duas vezes, primeiro em 1965 como um chassi nu que fazia ricos entusiasmados pegarem a carteira e depois em 1966 com desenho da carroceria de Marcello Gandini, estilista da Bertone que eletrizou o mundo automobilístico |
O mergulho de Ferruccio Lamborghini no mundo de negócios de automóveis é o mito materializado. Filho de pais fazendeiros, ele foi um empresário autodidata (tratores, sistemas de aquecimento) e um fanático por carros rápidos. Conta-se que quando Enzo Ferrari se recusou a atender pessoalmente a sua reclamação sobre um Ferrari ruim, Ferruccio, com o ego ferido, jurou que criaria o seu próprio carro exótico. Aquele primeiro Lamborghini, fabricado de 1964 a 1968, era um cupê com motor V12 dianteiro, um confortável e rápido grã-turismo que se ajustava ao estilo de meia-idade de Ferruccio.
![]() O motor em posição transversal fornecia mais espaço para a cabine do Miura, apesar de seu tamanho transformar o interior do carro em um lugar quente e barulhento |
Não era um GT nos moldes originais da Lamborghini, mas um supercarro apertado, fatigante, abafado e de trocas de marchas ruins de 350 cv. Mesmo assim, a sua aceleração atraente, desenvoltura de um carro de corridas em curvas, velocidade máxima uivante e, é claro, estilo, superavam tudo. Muitas falhas, incluindo a mais séria ― elevação do nariz do carro a altas velocidades ― diminuíram quando o Lamborghini Miura evoluiu através dos P400 S de 370 cv de 1969 até os SV de 385 cv em 1971. O último foi o melhor. Ele sabiamente manteve o visual do original e, como todo Lamborghini Miura, era uma lenda que virou realidade.
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