Lamborghini Silhouette

A fortuna de Lamborghini estava se esvaindo no meio dos anos 70. O Lamborghini Urraco foi um projeto custoso e a empresa não estava fazendo negócios de nenhum tipo para sequer pensar em um substituto. Mas talvez o Lamborghini Urraco pudesse ser redesenhado a baixo custo para se tornar mais vendável. Santa Agata pediu a Bertone para fazer exatamente isso e o resultado estreou no Salão de Genebra em 1976 como o Lamborghini Silhouette.

Lamborghini Silhouette
O Silhouette estreou como um Urraco redesenhado mas com diferenças marcantes. A idéia era criar um carro mais favorável ao comprador para combater as vendas ruins da Lamborghini

Mesmo reconhecidamente um Urraco, o Lamborghini Silhouette era obviamente diferente. A diferença mais visível era a nova configuração estilo targa, fazendo desse Lamborghini o primeiro modelo de produção aberto. A mudança do modelo 2 + 2 para outro de dois lugares era menos aparente. Para completar a reestilização de Bertone havia arcos de rodas com superfície plana, um nariz quadrado e uma saia dianteira mais profunda incorporando um duto de ar para o radiador de óleo e entradas de ar para os freios dianteiros, tudo com rodas de magnésio de 15 pol. de diâmetro (vistas pela primeira vez no modelo de exposição Bravo, de 1984) com modernos pneus de alto desempenho Pirelli P7. Uma gaiola de segurança foi construída na parte detrás do teto para reforço e a linha do teto foi redesenhada de fastback para "tunnelback", ou vidro traseiro que pode ser levantado. Havia um novo painel, mais ergonômico, no interior. A parte removível do teto podia ser facilmente guardada atrás dos bancos.

Embaixo de tudo estava a familiar estrutura da carroceria/chassi do Lamborghini Urraco como foi usada no modelo P300, adequadamente reforçada para um modelo conversível. O trem de força também era o mesmo, com potência de 265 cv do motor V8 com quatro comandos de válvulas tanto no formato europeu quanto no americano.

Com tudo isso, o Lamborghini Silhouette era tão rápido quanto o Lamborghini Urraco de 3 litros e tinha a mesma excelente dirigibilidade na estrada. E com o bônus da diversão de um conversível, ele deveria ter vendido muito bem.

Mas não vendeu e não é tão difícil de achar os motivos. Em primeiro lugar, o Lamborghini Silhouette herdou não somente algumas das falhas do projeto do Urraco, como também a sua reputação de acabamento indiferente e confiabilidade questionável. Em segundo lugar, ele também teve reação de cautela por parte dos consumidores porque os problemas financeiros e gerenciais da Lamborghini não haviam encerrado.

Lamborghini Silhouette, Interior
O interior do Silhouette tinha um painel mais ergonômico que o
do Uracco e espaço suficiente atrás dos bancos para o teto removível

Um terceiro motivo fluía do segundo. Nessa época, a Lamborghini simplesmente não estava apta a certificar carros para o mercado onde eles venderiam melhor: o dos Estados Unidos. Na realidade, exceto para importações do mercado negro, Santa Agata estaria ausente dos Estados Unidos de 1972 até 1982.

Assim, para o espanto de muitos, o Lamborghini Silhouette desapareceu depois de apenas dois anos e meros 54 exemplares. Apenas alguns foram para os Estados Unidos.

Mas a derrota de hoje normalmente contém as sementes do sucesso de amanhã e, de fato, ele chegou. Depois de alguns anos bem magros na desaceleração econômica no início dos anos 1980, a Lamborghini conseguiu ainda mais uma evolução do seu motor V8 GT central, o Jalpa. Além da demanda continua pela Lamborghini Countach de baixo volume de produção, ela sustentou Santa Agata até que a salvação real chegou em 1987 com uma tomada completa pela renascida Chrysler Corporation.

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