Carros esportivos não são versões mais luxuosas de cupês de passageiros, mas às vezes, os carros esportivos são como devem ser. É assim com o Shelby GT-350.
![]() Um carro esportivo na roupa de um cupê, o Shelby GT-350 era um campeão de corridas e um clássico americano |
Quando Carroll Shelby reformou um Ford Mustang 1965, quase transformando-o em um dos seus cupês; o resultado foi um hatch de dois assentos extraordinário, difícil de domar, que deixava outros “autênticos” carros esportivos "no chinelo". “Ele é certamente o carro mais esportivo que podemos dirigir em muito tempo e qualquer um que disser a você que ele não é um esportivo genuíno é maluco”, disse a revista Car and Driver em seu primeiro teste do Shelby GT-350.
Com o Mustang, uma sensação de vendas após sua apresentação em abril de 1964, o chefe da Ford, Lee Iacocca, adquiriu certa credibilidade em relação a desempenho pela perseguição ao Corvette na corrida da categoria de produção B do Clube de Automóveis Esportivos da América. Ele recrutou Shelby, que havia acabado de equipar o carro inglês AC Ace com motor Ford, para criar o Cobra.
![]() Um volante talhado em madeira, mostradores extras, largos cintos de segurança e exaustores de saída lateral eram padrão no Shelby GT-350 |
A equipe do Shelby trabalhava em uma pequena oficina em Venice, Califórnia. A Ford trouxe de navio Mustangs hatch brancos equipados com o motor V8 289 “Hi-Performance”, caixa de câmbio de quatro velocidades, discos frontais e tambores de freios e eixos traseiros do Ford Galaxie no lugar das peças Falcon mais leves do Mustang comum. A Shelby americana reforçou a estrutura, adicionou a suspensão, reformou a direção e colocou nas rodas de 38x15 cm pneus Goodyear Blue Dot de alta velocidade. Ela acrescentou 35 hp com um coletor de alumínio e um carburador maior, colado a exaustores duplos com saída lateral, e instalou um bloqueio de diferencial 4.11:1. Todos os carros tinham um capô de fibra de vidro com abertura e a maioria possuía faixas de corrida azuis a um custo adicional. Como não possuía assento traseiro, os Shelbys GT-350 podiam correr mais como carros esportivos que como sedãs. Os modelos de competição “R” não possuíam acessórios internos e tinham a faixa em blueprinted do Cobra 289, saia frontal de fibra de vidro com dutos de refrigeração, vidros laterais em acrílico, tanque de combustível de 128 litros e rodas de magnésio 15x7.
![]() O V8 Ford deu ao Shelby GT-350 mais de 300 cv, dependendo do modelo específico |
Cotado em US$ 4.547, mil dólares abaixo de um Corvette, o Shelby GT-350 recebeu duras críticas, enquanto o modelo R de US$ 5.950 conseguiu lucrar na linha B de produção, conquistando o campeonato nacional de 1965 e quatro dos cinco títulos regionais. Os mesmos carros ganharam novamente em 1966 e 1967.
Os Shelbys GT-350 de 1966 tinham vidros laterais traseiros em acrílico, saídas de ar na carroceria e eventualmente eram oferecidos em mais cores. Eles tinham um assento traseiro, controle de suspensão e direção e oferecia o bloqueio de diferencial como opcional - em conjunto com a transmissão automática. A Shelby ainda fabricou cerca de mil modelos GT-350H com faixa dourada para a frota da locadora de automóveis Hertz. Os Mustangs da Shelby cresceram progressivamente em ritmo mais lento após 1966, sendo então absorvidos na linha de produção regular da Ford, deixando as edições originais como exemplos de exceções à regra dos carros esportivos.
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