O Shelby GT-350/GT-500/GT-500KR

O Mustang recebeu quilos e centímetro em 1967, e assim também fez o Shelby GT-350. Mas isso não era nem a metade. A Ford agora oferecia seu V8 390 bloco grande como a opção de máximo desempenho do Mustang. Como era típico dele, Carroll especificou o motor 428 fisicamente idêntico para um segundo Shelby chamado GT-500. Essa foi uma jogada popular, fazendo com que o novato superasse as vendas de seu colega menos potente em dois para um.

O Shelby GT-500KR
O Shelby GT-500 KR (que significa "King of the Road" ou rei das estradas) era uma redefinição do design do GT-500 original

Mesmo assim, o desempenho começou a ficar em segundo plano em relação ao estilo e ao luxo a partir dos modelos de 1967, pois era nisso que o dinheiro era gasto. A Ford continuava gastando com isso, é claro, mas estava agora mais intimamente envolvida com os Shelbys e mais determinada a que eles se tornassem lucrativos.

Como o Mustang ficou mais pesado em 1967, e com os consumidores querendo um Shelby mais fácil de dirigir, a direção e freios hidráulicos tornaram-se acessórios obrigatórios. O interior retrabalhado do Mustang de 1967 foi pouco alterado para os Shelbys, embora eles continuassem com diversos detalhes únicos: volante especial de corrida, mostradores adicionais e uma genuína barra anti-capotamento com cintos de fixação integrados. As opções de conforto e comodidade aumentaram: ar-condicionado, vidros coloridos, volante regulável e muito mais.

Shelby GT-500KR, Interior
O interior dos mais novos Shelbys GT-350 e GT-500 manteve
o padrão de design simples e poderoso do Shelby

Por fora, Chuck McHose da Ford e Pete Brock da Shelby norte-americana projetaram um novo nariz em fibra de vidro para combinar com o capô mais longo do Mustang de 1967, com uma grade “de boca grande” dando suporte a dois faróis altos centrais (a partir de então colocados para fora em alguns carros para cumprirem as leis de localização de iluminação dianteira). Havia aberturas em toda parte: no capô, nas partes mais baixas da carroceria, nos painéis de navegação - tudo funcional e, claro, maior. Na parte traseira externa, uma tampa de bagageiro especial com spoiler surgiu acima dos grandes conjuntos de faróis traseiros, copiados do novo Mercury Cougar.

Todos esses detalhes, além do completamente novo desenho da traseira do Mustang, tornou os novos Shelbys bonitos e chamativos. Infelizmente, o desempenho do Shelby GT-350 sucumbiu sob o peso de todos os novos acessórios. Sua potência era evidentemente a mesma de antes, mas com certeza menos na realidade, já que as válvulas de exaustão de cilindros de aço haviam sido retiradas. O novo GT-500 era rápido, porém curiosamente decepcionante. Os fabricantes de carros começaram a utilizar uma potência mais conservadora em 1967 para agradar às companhias de seguro. Os 428 cv do Shelby foram anunciados como 335, embora eles fossem provavelmente mais. A revista Car and Driver, cujo carro de teste levou 6,5 s para ir de 0 a 97 km/h, disse que enquanto o 428 “não é o vencedor de Le Mans”, o GT-500 “realiza com facilidade o que o velho [GT-350] precisou de força bruta para conseguir". Mas a Road & Track, que registrou 7,2 s para a mesma arrancada, disse que o Shelby GT-500 “simplesmente não tem nada de sensacional a oferecer... um Mustang (padrão), com a opção de motor, faz a mesma coisa”. Como sempre, Shelby tinha uma resposta: um 427 opcional, que era o motor de Le Mans, registrou 390 bhp. Mesmo assim, não foram encomendados muitos deles.

O Shelby GT-500KR, motor
O V8 bloco grande da Ford, a marca registrada da série Shelby GT,
fornece ao GT-500KR músculos suficientes para correr com os "big boys"

O controle de Dearborn sobre o Shelby-Mustang se tornou absoluto em 1968. A produção mudou-se de Los Angeles para Michigan, onde legítimos Mustangs (da fábrica da Ford em Metuchen, Nova Jersey, foram convertidos em Shelbys pela A.O. Smith Company sob contrato. Os hatch ganharam a companhia dos conversíveis com barras anti-capotamento integradas e todos os quatro modelos ostentavam uma larga e profunda abertura no capô, novas entradas de ar e uma ampla grade com faróis dianteiros quadrados (não faróis de milha), setas de luzes seqüenciais traseiras e outras alterações de decoração.

Com os limites nacionais de emissão em vigor, o Shelby GT-350 foi adaptado para o mais novo motor de pequeno bloco ampliado de 302 cid e perdeu muito de sua potência. No entanto, a opção Paxton supercharger voltou de 66 para acrescentar cerca de 100 cv, embora ele também tivesse encontrado poucos compradores. O Shelby GT-500 inicialmente manteve seus 428, agora 360 bhp. Alguns, entretanto, receberam V8s 390 normais. Isso provavelmente foi devido a um déficit de estoque de 428 unidades, por causa de uma greve na fábrica de motores, mas os compradores não foram avisados da substituição, a qual era quase impossível reconhecer.

No entanto, a metade do ano trouxe alguns reparos ao Shelby GT-500KR (que significa “rei das estradas”). Ele tinha o novo motor Cobra Jet, basicamente o 428 com 427 cilindros de grande porte existente, com coletor de admissão e sistema de exaustão maiores e aproximadamente 40 cv extras. A Ford também apostou em freios traseiros maiores.

A produção da Shelby cresceu pelo quarto ano seguido em 1968, mas não iria além. A imprensa, em grande parte, já estava cansada do simples modelo de 1968 e a Ford não fez nenhum esforço para aprimorar os modelos de 1967 nem de 1968 dos Shelbys. Não que eles tivessem sido competitivos. Eles ficaram muito grandes, muito fracos e muito pesados - nem a sombra da linhagem de corredores que seus predecessores tiveram. A Ford só conseguia fazer seu apelo diminuir ainda mais com a exibição de Mustangs inspirados em Shelbys, como o sedã GT/CS (“California Special”) de 1968. Com tudo isso, embora o Shelby-Mustang não estivesse morto no final de 1968, ele não tinha como sobreviver.


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