Aquygen

Desde que a crise do petróleo (em inglês) da década de 70 revelou o perigo de nossa dependência dos combustíveis fósseis, químicos (em inglês), engenheiros (em inglês), físicos (em inglês) e charlatões do tipo tentaram apresentar alternativas. Nessa pesquisa, John Kanzius não é o primeiro a propor a água como um provável combustível. Em 2006, uma empresa de Clearwater, Flórida, chamada Hydrogen Technology Applications, apresentou o Aquygen, um gás feito de hidrogênio (em inglês) separado da água por meio de um choque elétrico. Esse gás de hidrogênio, quando misturado com gasolina comum, cria um combustível mais eficiente do que a gasolina pura, queimando o que é normalmente emitido como resíduo e usando-o para fornecer energia. O presidente da HTA, Denny Klein, sustenta que a mistura melhora a quilometragem da gasolina em até uma vez e meia e reduz a poluição [fonte: World Net Daily].

Klein criou um veículo híbrido a partir de um Ford (em inglês) Escort 1994. Esse veículo usava a eletricidade do alternador para criar o impulso necessário para separar o hidrogênio. Então, ele enviava o gás para o tanque de combustível para a mistura. O gás de hidrogênio produzido, porém, além de ser eficiente como combustível, era também altamente volátil, significando que podia explodir facilmente.

Existe uma outra falha de projeto no Aquygen, que ele compartilha com o RFG de Kanzius. Ambos lutam com a relação entre entrada e saída de energia - ou eficiência (em inglês). Esse enorme empecilho faz que alguns visualizem invenções como o Aquygen e o RFG como ciência inútil. O RFG produz uma chama de hidrogênio que queima com estabilidade, ao passo que a quantidade de energia liberada é menor que a quantidade de energia necessária para alimentar o RFG. Vendo por esse ângulo, qualquer energia que saia da chama de água salgada não pode ser considerada como fonte de potência. É apenas uma manifestação da energia empregada ali, só que em menor quantidade.

ship in ocean
Corey Davis/Getty Images
É possível que algum dia a água salgada que transporta
 navios carregados com combustíveis como o
carvão seja seu próprio combustível

Quase todo processo elétrico ou químico (em inglês) libera algum tipo de energia - por exemplo, na forma de calor (em inglês). Em fontes de energia, o objetivo é liberar mais energia do que é usada no processo. Quando você observa a pouca quantidade de fontes de energia que podem produzir mais energia do que requer seu processo, a dificuldade de tal indagação - e a frustração enlouquecedora que a acompanha - torna-se mais clara. Isso tem um pouco que ver com alquimia (em inglês) - a possibilidade de transformar metais comuns em metais preciosos.

É encorajador, porém, que os químicos da Universidade Penn State (em inglês), ao fazerem experiências com o RFG, tenham descoberto que o processo de Kanzius produz quantidades diferentes de energia calorífica de concentrações diferentes de água salgada. Talvez a resposta para a relação de energia esteja na quantidade de sal. Um outro sinal positivo é que o processo não exige que seja usada a água do mar: ele também funciona adicionando sal à água potável. Se usarmos água salgada no futuro, as nações isoladas do mar não precisarão entrar em conflito com países litorâneos para sua obtenção.

Como Isaac Newton (em inglês) e sua maçã que caiu ou Alexander Fleming (em inglês) e suas esporas de penicilina acidentais, John Kanzius deparou com sua descoberta. Diferentemente de Newton e Fleming, porém, Kanzius está ainda para ser validado pela história. Até que a relação entre entrada versus saída de energia possa ser superada - se isso realmente puder ser feito -, a empolgante descoberta de Kanzius permanecerá como está agora: uma descoberta empolgante. Com uma grande universidade por trás desse aparelho, porém, o RFG de Kanzius não será esquecido. O inventor do RFG também pode ter a chance de pesquisar outras aplicações para sua máquina. Se as distorções do RFG puderem ser contornadas, a máquina poderá fazer de Kanzius um mago de cartola: ela poderá promover a solução da sede global, aliviar a crise de energia e curar o câncer. Em termos de entrada versus saída, isso não é nada desprezível.

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