Problemas e soluções da switchgrass

Embora com a publicação de cada novo estudo sobre a switchgrass esteja se tornando cada vez mais claro que essa planta pode desempenhar um papel importante na produção de energia no futuro, a palavra "futuro" é essencial. Atualmente, o processo de extrair celulose da planta está se mostrando difícil e caro.

A celulose derivada da planta é produzida por qualquer uma das várias enzimas, dependendo do tipo de material que está sendo utilizado. Esses catalisadores se alimentam de carboidratos complexos, como açúcares, e eliminam celulose e dióxido de carbono como resíduos do processo. No entanto, essas enzimas são caras, cerca de 20 centavos por cada 3,7 litros de etanol purificado [fonte: Federal Trade Commission]. Além disso, o processo de fermentação da celulose com levedura necessita de uma enzima diferente, aumentando ainda mais os custos. Em 2006, o geneticista de plantas Albert Kausch disse que com os métodos de cultivo e produção atuais, o custo por 3,7 litros de etanol celulósico seria de US$ 2,70. Esse valor ainda é mais barato do que o da gasolina, mas Kausch acredita que poderia ser reduzido para US$ 1 por 3,7 litros [fonte: Newswise]. Uma das maneiras de atingir essa grande redução de custo é desenvolver enzimas mais baratas e encontrar uma única enzima que possa quebrar a celulose e fermentar o etanol.

Ethanol at gas station
Chip Somodevilla/Getty Images
O etanol E85 está aparecendo em mais postos de gasolina, como neste em Washington. O combustível pode ser vendido por apenas US$ 1 por 3,7 litros se os pesquisadores conseguirem otimizar o processo de produção.

Um dos outros problemas em relação ao etanol é transportá-lo das refinarias até os postos de abastecimento. O etanol é altamente corrosivo e não pode ser transportado por canos como o óleo e o petróleo. Isso significa que precisa ser transportado por caminhões, o que aumenta os custos da produção e diminui a relação de energia, uma vez que caminhões-tanque grandes precisam de mais combustíveis fósseis para transportar e distribuir o etanol.

Michael Wang, do Laboratório Nacional de Argonnes, disse ao HowStuffWorks que o desafio da distribuição de etanol poderia, em parte, ser superado com o uso de sistemas ferroviários para levá-lo até o local mais distante possível. "Quando você refina o etanol no meio-oeste e o transporta até o oeste, o transporte se torna um problema", diz ele. "Seria preciso usar trens. Porém, quando ele é transportado para distâncias curtas, não faz muita diferença [para a relação de energia líquida]".

O outro problema que o etanol de switchgrass atualmente enfrenta é a quantidade de terra disponível para o seu cultivo. Uma análise da Universidade de Tennessee concluiu que os Estados Unidos poderiam produzir um total de 153 milhões de toneladas de switchgrass e resíduo de colheita - que resta depois da produção e da colheita agrícola, como raízes e sementes - anualmente como matéria-prima de etanol. Esses números mostram que isso resultaria em uma redução de 5,3% no consumo anual de gasolina nos Estados Unidos - bem menos do que o esperado, e muito menos do que os 132,6 bilhões de litros de combustível renovável que o presidente George W. Bush indicou até 2017 em seu discurso Estado da União em 2006.

Como a pesquisa da enzima, a tecnologia também poderia superar esse obstáculo. Jason Grumet, da National Commission on Energy Policy (NCEP) (Comissão Nacional da Política da Energia), sugere desenvolver tipos de switchgrass que poderiam aumentar as produções em toneladas por acre, aumentando em um terço a eficiência na produção de etanol e dobrando a eficiência do combustível de todos os veículos na América do Norte [fonte: U.S. Senate].

Definitivamente, existe dinheiro para superar esses obstáculos. Empresas de energia e grupos de pesquisa de plantações estão injetando dinheiro nas instalações de etanol celulósico. A BP Amoco PLC entregou a quantia de US$ 500 milhões para a Universidade da Califórnia, em Berkley, e para a Universidade de Illinois, em Champaign, para financiar uma instalação de pesquisa. A Chevron Corporation entregou US$ 25 milhões para a Universidade da Califórnia, em Davis, e US$ 12 milhões para o Instituto de Tecnologia de Geórgia. E o Laboratório Nacional de Oak Ridge recebeu US$ 125 milhões do Departamento de Energia dos EUA para a pesquisa de etanol celulósico [fonte: DeMonte]. Ainda assim, muitas empresas esperam que o governo dos Estados Unidos ajude a promover a pesquisa e o desenvolvimento através do fornecimento de garantias de investimento e diminuição de impostos para financiadores que apostam na tecnologia celulósica.

Com a quantidade de dinheiro sendo injetada na pesquisa de etanol e a possibilidade de que mais estaria a caminho - sem contar com o entusiasmo e o apoio do público - é difícil não imaginar que dentro de apenas algumas décadas, o etanol feito de switchgrass estará abastecendo nossos carros. Mas a switchgrass também tem seus céticos. Alguns não acham que a grama está de acordo com as expectativas, outros temem as conseqüências se ela estiver. Leia sobre os céticos em relação ao biocombustível na próxima página.