Crítica ao biocombustível

A competição está acirrada entre o milho e a switchgrass para saber qual deles servirá como a matéria-prima para a futura produção de etanol. Como algumas áreas que cultivam milho não podem cultivar switchgrass, e vice-versa, muitas regiões têm interesse no resultado do debate sobre o combustível alternativo. Com base na pesquisa sobre os custos de produção, as relações de energia e as emissões de GEE, parece que o etanol à base de milho simplesmente não pode competir com o etanol feito de switchgrass.

Porém, embora o etanol produzido com as duas plantações seja parecido em muitos aspectos, o processo usado para transformar a switchgrass em combustível o torna uma escolha melhor para muitos pesquisadores, políticos e ativistas. A produção de etanol com milho, por exemplo, usa apenas o grão (a parte que você come) para produzir o etanol. O resto é descartado - embora, ironicamente, o resíduo da colheita possa ser usado na produção de etanol celulósico.

Outra vantagem da switchgrass sobre o milho é a quantidade e o tipo de terra que ela precisa. Em Iowa - estado norte-americano com um solo melhor do que a média - a produção média de uma colheita era de aproximadamente 4,8 toneladas por acre em 2005. O estudo de 2005 na Dakota do Norte mencionado antes, mostrou uma produção em torno de sete toneladas de switchgrass por acre. E a switchgrass não precisa do melhor solo para crescer bem. Ela pode crescer em terras que atualmente não são usadas para plantações.

Um relatório feito pelo Laboratório Nacional de Oak Ridge concluiu que, para abastecer com etanol metade dos veículos que existem hoje nos Estados Unidos, seriam necessários 180 milhões de acres de terra para cultivar switchgrass. Esse número equivale a 40% da terra que já está em uso para agricultura nos EUA [fonte: U.S. Senate].

Mas Jason Grumet, da NCEP, acredita que com "progresso constante, mas ainda assim comum" na pesquisa e desenvolvimento, poderíamos reduzir a quantidade de terra necessária à produção dessa quantia de etanol para 30 milhões de acres em 20 a 30 anos. Grumet menciona que essa é quase a quantidade de acres no Conservation Reserve Program (CRP) (Programa de Conservação de Reservas), um programa federal que paga fazendeiros para reservar terras desocupadas com a intenção de reduzir o impacto ambiental da agricultura [fonte: U.S. Senate].

Grumet não é a única pessoa a insinuar que a switchgrass poderia ser cultivada em terras marginais. Afinal, foi mostrado que ela melhora o solo em que é plantada, e a terra do CRP poderia ser beneficiada ao mesmo tempo em que a matéria-prima é cultivada para a produção de etanol. No entanto, nem todos acreditam que a produção industrial de switchgrass seja o melhor uso para a terra do CRP. Os céticos afirmam que a maioria das terras alistadas no Conservation Reserve Program é reservada porque o solo não produzirá plantações de alta qualidade. Se a switchgrass se tornar a próxima fonte de combustível e companhias grandes investirem altas quantidades de dinheiro em sua produção, esses críticos afirmam que essas mesmas empresas irão querer a maior produção possível. Isso seria realizado da melhor maneira usando a melhor terra disponível. O que significa que algumas terras cultiváveis, que antes eram usadas para produção de comida, seriam utilizadas para produção de energia.

Hoje, usamos uma pequena porção de plantações de comida para produzir combustível. Se passarmos a contar com os biocombustíveis como nossa fonte de energia, a comida e a energia podem entrar em uma competição direta por recursos, especialmente por terras.

Isso preocupa algumas pessoas, inclusive o Dr. Eric Holt-Gimenez, do Instituto para Alimentação e Política do Desenvolvimento. Quando os preços do combustível aumentarem, os preços dos alimentos também aumentarão, em razão do aumento do custo da produção e do transporte. Holt-Gimenez afirma que se o alimento e a energia competirem por terra, os preços dos alimentos podem ter um efeito recíproco nos preços da energia. Além disso, ele diz que os programas de comida excedente enviada para os países necessitados podem acabar, já que as essa comida poderia ser usada como biomassa para o etanol [fonte:Holt-Gimenez].

Feed the Children
Layne Murdoch/NBAE via Getty Images
Os céticos em relação ao biocombustível estão preocupados com que o financiamento para programas contra a fome, como o Feed the Children (acima), acabem se a comida excedente for usada como combustível

Também existem outras preocupações em relação ao etanol celulósico. Alguns acreditam que as afirmações sobre o seu potencial são otimistas demais, com base em estudos que demonstram que o etanol celulósico não tem a relação de energia que outros estudos dizem ter. Mas esses estudos são menos numerosos - e recebem bem menos atenção - do que aqueles que demonstram o potencial da switchgrass. E se financiamento e opinião pública são indicadores de progresso, parece que o etanol de switchgrass promete.

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