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por Editores do Consumer Guide - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Comparando o consumo dos carros econômicos dos EUA

Por lei, os fabricantes são obrigados a anunciar os índices de consumo de seus veículos, conforme certificado da EPA (Agência de Proteção Ambiental), em adesivos nas janelas da maioria dos novos veículos vendidos nos EUA, com exceção dos veículos com peso bruto acima de 3.850 quilogramas (entre eles estão as picapes para trabalhos pesados e os utilitários esportivos maiores).

Essas informações devem listar o consumo (em km por litro) estimado para condução na cidade e na estrada, além de estimativas da faixa de economia de combustível que a maioria dos motoristas atinge com aquele modelo específico.

Mas, como a maioria de nós sabe, esses índices "oficiais" raramente refletem o que vemos na vida real. Isso porque a economia de combustível não é um número fixo, mas algo que depende do carro, da maneira e do local em que se está dirigindo. A economia de combustível do seu veículo quase sempre será diferente do índice de economia da EPA.

Os índices da EPA estimam o consumo de um motorista "típico", em condições urbanas e de estrada "típicas". No entanto, a maioria dos motoristas e ambientes onde dirigimos não são típicos e os fatores que afetam nossa economia de combustível podem variar de maneira significativa.

Consumo real X consumo da EPA

Aqui está uma amostra das estimativas de economia de combustível da EPA para vários veículos diferentes. Ao lado, encontram-se também as médias obtidas pelo Consumer Guide (ambas em quilômetros por litro) durante seu programa de testes. Este programa é composto por testes realizados por ao menos quatro editores, nos quais os veículos são submetidos a uma combinação de rodagem em áreas urbanas e estradas. Eles são testados na região de Chicago e no Sul da Califórnia e costumam acumular cerca de 482 quilômetros rodados durante o período de testes (observação: man. significa transmissão manual; auto. significa transmissão automática; e awd significa tração awd, sobre a qual é possível ler mais nas próximas seções).

Veículo 2005
EPA
­Cidade/Estrada
CG Observado
Acura RSX Tipo-S, man. 9,7/13 9
Audi A4 2.0 T, man.
9/13 9,5
BMW 325Ci conversível, auto. 8/11 9,3
Chevy Cobalt LS sedan, auto. 10/13,5 12,1
Chevy Colorado LS cabine estendida, auto. 7,5/9,5 7,4
Chrysler 300 Touring AWD, auto. 7//10 8,3
Dodge Ram SRT-10, man.
4/6 3,9
Ford 500 SEL AWD, conversível
8,5/11,5 7,7
Ford Mustang Premium, auto
8/10,5 8,6
Honda Accord EX V6 cupê, man. 8,5/12,5 9,8
Honda Civic EX cupê, man.
13,5/15,5 12
Honda Odyssey Touring, auto. 8,5/11,5 6,9
Jaguar Tipo S 3.0, auto.
7,5/11 8,2
MINI Cooper conversível, man. 11,5/15 11,7
Saab 9-2X Aero, man.
8,5/11 8,5
Toyota Highlander Base AWD, auto.
9/10,5 8,1
Volkswagen Touareg V8, auto.
6/7,5 5,1
Volvo XC90 V8 AWD, auto.
7/8,5 6,3

Como são testados os novos veículos

Por que os valores de quilômetro por litro da EPA quase sempre são maiores do que os valores práticos medidos pelo Consumer Guide? Essa diferença está muito relacionada com a maneira na qual os novos carros e caminhões têm seu consumo de combustível avaliado. Embora parecesse lógico determinar a economia de combustível de um veículo pelo simples método de encher o tanque, rodar na rua ou em uma pista de testes por um número determinado de quilômetros, encher o tanque de novo e dividir o número de quilômetros pelo número de litros consumidos, não é assim que os especialistas fazem.

Na verdade, os veículos testados não chegam nem perto do asfalto, tendo seu consumo medido sob circunstâncias severamente controladas em um laboratório com o uso de um teste padrão obrigatório de acordo com leis federais. Os fabricantes é que fazem seus próprios testes e enviam os resultados para a EPA, que revê os dados e confirma somente cerca de 10% a 15% destes valores com seus próprios testes no Laboratório de Emissões de Combustível e Veículos Nacionais.

Cada novo modelo é testado em um instrumento chamado dinamômetro, que é uma espécie de esteira ergométrica para carros. Embora o motor e a transmissão façam as rodas girarem, o veículo nunca sai do lugar, o que se move são os cilindros sobre os quais as rodas são apoiadas. Um motorista profissional dirige o veículo por dois programas de condução padrão.

O programa "cidade" é projetado para imitar a situação da hora do rush, no qual o veículo é ligado com o motor frio e conduzido em condições de congestionamento, com alta freqüência de uso do ponto morto. Dirige-se o carro ou caminhão por 17,7 quilômetros e são feitas 23 paradas durante o tempo de 31 minutos, com velocidade média de 32 km/h e máxima de 90 km/h.

Já o programa "estrada" foi criado para simular a condução em estradas rurais e interestaduais com o motor já aquecido e sem fazer paradas (ambas condições que permitem o máximo de economia). Dirige-se o veículo durante 12,5 minutos por 16 km, com velocidade média de 77 km/h e máxima de 96 km/h. Os dois testes são realizados com o ar condicionado e outros acessórios desligados.

Durante o teste, uma mangueira é ligada ao escapamento do veículo e capta toda fumaça exalada por ele. E a quantidade de carbono presente nessa fumaça é medida para que se calcule a quantidade de combustível usado. A EPA alega que essa forma é mais precisa do que usar um medidor de combustível para medir fisicamente a quantidade de gasolina utilizada, mas ainda assim, os valores do teste final são ajustados para baixo, com uma taxa de 10% para condução na cidade e 22% para estrada, como uma maneira de compensar pelas diferenças entre o que acontece no laboratório e na vida real.

A EPA e os híbridos

A distância existente entre o consumo real e o oficial pode ser ainda maior para quem tem veículos híbridos elétrico/gasolina. A maioria dos especialistas acha que os índices da EPA para híbridos tende a ser superestimada em cerca de pelo menos 20% e pode até ser maior se um motorista dirige mais na estrada, local em que os híbridos costumam ser menos eficientes (durante a condução na cidade, o motor elétrico faz uma parte maior do esforço).

Ironicamente, os resultados de testes de operação sendo conduzidos pela EPA em alguns carros híbridos de sua própria frota vêm contradizendo bastante seus próprios índices de consumo. O melhor que a frota da EPA conseguiu atingir foi uma média acumulativa de 16 km/l com o Honda Civic 2004, 19,5 km/l com o Honda Insight e 19 km/l com o Toyota Prius. Embora esse seja um consumo muito bom, ainda está muito abaixo dos índices da própria EPA, nos quais cada um dos carros mencionados acima chega a atingir 21,5, 28 e 25,5 km/l respectivamente.

E por que essas discrepâncias são maiores nos híbridos? Especialistas dizem que isso ocorre porque basear a medição do consumo na quantidade de fumaça expelida pelo motor automaticamente favorece os híbridos elétrico/gasolina. Como uma parte da energia de um híbrido vem de um motor elétrico que automaticamente não produz emissão nenhuma, estes valores tendem a ser maiores do que os cálculos de quilômetros percorridos/litros consumidos indicariam.

Discrepâncias além do laboratório

Além dos métodos usados para determinar os índices da EPA, há outros fatores físicos e pessoais que contribuem para as diferenças entre esse índice e o consumo real que obtemos no nosso dia-a-dia. Para começo de conversa, carros e caminhões usados nas avaliações da EPA são amaciados e estão na ápice do desempenho mecânico.

Além disso, os carros e caminhões que passam por estes testes "rodam" sem carga ou passageiros. E da mesma forma, eles são testados com o ar condicionado e outros acessórios elétricos desligados.

Mas embora as estimativas da EPA não sejam completamente precisas no que se refere ao consumo que você vai ter durante suas viagens diárias, não deixam de ser uma fonte válida de comparação quando estiver comprando um novo veículo.

Você está pensando em comprar um utilitário esportivo? Ou quem sabe está procurando um daqueles novos e econômicos híbridos? Usar diesel realmente vai lhe ajudar a economizar um dinheirinho na hora de abastecer? Na próxima seção, vamos dar uma olhada nos três tipos de veículos e ajudá-lo a decidir se um deles é o certo para você.