Alguém disse uma vez que a corrida de carros começou quando o segundo carro foi construído. Por mais de 100 anos, a concorrência trouxe a tecnologia e as vendas para a comercialização de carros; daí a velha máxima industrial, "corrida no domingo, venda na segunda-feira". E é verdade. Isso, em poucas palavras, explica como os muscle cars apareceram.
do muscle car
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Dois tipos de esporte a motor têm funções importantes na história do muscle car. Um deles é a corrida de stock-car que começou a aparecer quando alguns "bons e velhos amigos" formaram a "Associação de Corridas de Carros Stock Car" em 1947.
Inspirada pelos carros turbinados dos corredores sulistas noturnos e sua habilidade em escapar da polícia, a NASCAR começou suas corridas em pistas de terra e percursos na praia. Esses eventos atraíram multidões e logo se transformaram em um próspero negócio. Outras organizações, como o Automóvel Clube dos Estados Unidos, começaram a encorajar suas próprias corridas de stock-car.
Enquanto isso, a corrida de arrancada estava atraindo seus próprios fãs. Essas competições organizadas de aceleração em um espaço de 400 metros tiveram origem em corridas de rua informais (e ilegais) associadas a carros antigos potentes modificados por mecânicos domésticos que transformavam antigos Fords modelo T e modelo A em carros de rua velozes e bonitos. A corrida de arrancada teve o seu auge em 1951 quando a Associação Nacional de Carros Modificados foi formada na Região sul da Califórnia, que é louca por carros.
Mais ou menos ao mesmo tempo, o chefe da NHRA, Wally Parks, lançou a revista Hot Rod para promover o esporte e os carros de rua preparados para alto desempenho. O início da década de 50 também observou a estréia da revista Motor Trend e outras publicações voltadas para os entusiastas de carros, as primeiras de muitas.
O crescente interesse do público pela velocidade e potência fez com que nascesse o que muitos consideram o primeiro muscle car, o Oldsmobil (em inglês) e Rocket 88 de 1949. Ele era um automóvel que qualquer fã de carros preparados podia apreciar: um novo e potente motor colocado na leve carroceria de um Oldsmobile. E o motor foi um sucesso: o primeiro V-8 de alta compressão com válvula no cabeçote feito nos EUA foi o resultado da pesquisa que começou na General Motors bem antes da guerra.
Apesar de a Divisão Cadillac da GM ter introduzido um motor V-8 semelhante no ano de 1949, foram os menores e mais rápidos Olds 88s que ganharam a atenção do público, especialmente quando começaram a dominar as corridas de stock-car.
Como o sucesso em Detroit nunca fica muito tempo sem ser desafiado, os Rocket 88s logo tiveram seus concorrentes e foi iniciada a corrida pelos cavalos de potência. Por volta de 1955, quase todas as fábricas dos Estados Unidos ofereciam motores V-8 leves e eficientes. Dois dos melhores ainda retêm a performance lendária até os dias de hoje.
Um deles era o motor da Chrysler (em inglês) Corporation, o Hemi, usado primeiramente em 1951 e que recebeu esse nome devido à metade da esfera ou formato hemisférico das suas câmaras de combustão. Não menos significativo foi o motor V-8 de bloco pequeno do Chevrolet 1955, um projeto tão perfeito que seu conceito básico de engenharia está em produção até hoje.
Mas a corrida dos cavalos de potência não era sempre a respeito da velocidade em si. Detroit logo aprenderia a importância de dar nomes aos seus carros envenenados e orientações de marketing para atender a empolgação de queimar os pneus.
![]() 2007 Publications International, Ltd. Este é um dos primeiros anúncios publicitários promovendo as novas velocidades e potência que a Chevrolet estava oferecendo aos seus clientes em 1955 |
Como o maior significava o melhor na fabulosa década de 50, os carros de Detroit ganhavam cada vez mais quilos e centímetros todos os anos, exigindo motores maiores só para manter os níveis de aceleração atuais. Mas muitos compradores ainda queriam ter mais velocidade e os fabricantes de carros responderam com todo tipo de peças de alto desempenho para melhorar a performance e opções para reforçar a potência. A maior parte dessas peças foi desenvolvida apenas para satisfazer os regulamentos das corridas e o orgulho da empresa de carros. Raramente pedidas pelos compradores normais, essas "peças usadas para velocidade" tiveram, ainda assim, um grande desempenho de vendas.
Desse modo, a Dodge (em inglês), por exemplo, oferecia os potentes motores "D-500" para cada modelo da sua linha de 1956, incluindo o sedã de duas portas com linha rebaixada que, evidentemente, era a escolha dos que gostavam de correr.
Outras marcas exibiram dispositivos de desempenho em modelos de edição limitada. A Chrysler deu o exemplo com o seu C-300 de 1955, uma mistura inspirada do potente Hemi e dos enfeites dos carros de luxo que fizeram a nova estrela da NASCAR. Com 300 cavalos de potência, ele era reconhecidamente anunciado como o "Carro mais potente dos Estados Unidos".
![]() 2007 David Temple O Chrysler C-300 de 1955 era considerado o |
O modelo 300B lançado no ano seguinte obteve o tão sonhado ideal de engenharia de um cavalo de potência por centímetro cúbico de deslocamento do motor. Em 1957, a Chevrolet adulou os potenciais compradores com a disponibilidade de uma injeção de combustível, a Ford e o Studebaker (em inglês) com motor turbo. A Pontiac (em inglês) oferecia a injeção de combustível e o "Tri-Power" (três carburadores de corpo duplo). Até mesmo a problemática Hudson, limitada a motores grandes de 6 cilindros em 1954, conseguiu um "Twin-H Power" vencedor da NASCAR com carburadores e coletores duplos, além do potente motor de corrida "7-X".
Toda essa movimentação a respeito dos muscle cars foi suspensa no começo de 1957. Os fabricantes de carros de Detroit, através da Associação de Fabricantes de Automóveis, concordaram com uma "proibição" auto-imposta sobre a propaganda voltada para o desempenho e corridas patrocinadas pela fábrica. Publicamente, a indústria estava se rendendo à pressão de um lobby de segurança cada vez mais crescente. Particularmente, eram negócios como sempre.
Os engenheiros continuaram trabalhando em motores cada vez mais potentes e obtendo suporte para as corridas de modo informal, na expectativa de que o alto desempenho poderia ser logo politicamente correto mais uma vez. Eles estavam certos, como você verá na próxima página.
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