Poucos carros foram melhor situados do que o Pontiac GTO. Apesar de não apresentar uma idéia inovadora, ele bateu com o espírito dos Estados Unidos da metade da década de 60 e seria o padrão de todo imitador do muscle car que viria pela frente. Para começar, havia poucas dúvidas de que o GTO seria imitado.
![]() 2007 Publications International, Ltd. O Pontiac Tempest GTO 1964 (em inglês) era o muscle car mais moderno e atualizado que podia definir uma tendência |
A Pontiac imaginou que poderia vender 5 mil unidades no primeiro ano e acabou vendendo mais de 32 mil. A divisão "Voltada para as Pistas" da General Motors era bem conhecida pelo desempenho, mas alguma coisa nova estava claramente acontecendo aqui. Era como se quase toda a tendência de desempenho dos 15 anos precedentes tivesse sido concentrada nesse único carro.
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Os grandes muscle cars de 1964 e 1965 Estes são alguns dos muscle cars que ajudaram a definir os anos clássicos de 1964 e 1965:
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O GTO geralmente é creditado ao publicitário da Pontiac Jim Wangers, mas foram os engenheiros Bill Collins e John Z. DeLorean que o colocaram nas ruas. Eles criaram um pacote opcional para contornar uma regra da GM que proibia que carros médios utilizassem motores acima de 330-cid, o que só estimulou a imagem de "mau menino" que fazia parte do apelo do carro.
A discrição era uma outra atração. Tirando uma grade com acabamento preto, emblemas discretos e um capô com pequenas entradas de ar falsas, o GTO se parecia com qualquer outro cupê Tempest de tamanho médio, com capota normal ou conversível. Da mesma forma, o interior era basicamente o banco envolvente do Tempest LeMans. Portanto, a menos que você acelerasse esse potente motor 389 V-8, a polícia provavelmente nem perceberia. Os pés de chumbo adoravam isso.
Na verdade, o GTO era um exercício de marketing, uma mistura quente dos melhores componentes selecionados que já estavam disponíveis. Ainda assim, de alguma forma, era mais do que a soma de suas peças, era a celebração do torque aplicado às rodas e do estilo inovador: um carro do herói. E com preços baixos na faixa de US$ 3.200, ele tinha um valor tremendo. Nem é preciso dizer que logo ele teria companhia.
Sem nenhuma surpresa, talvez, o primeiro desafio do GTO veio com o Oldsmobile, lar do Rocket, que anunciou o seu pacote 4-4-2 quase ao mesmo tempo. Ele estava disponível para qualquer Cutlass, com exceção das peruas, que compartilhava o mesmo projeto básico do Tempest/GTO, Buick Skylarks, e os novos Chevelles médios da Chevrolet.
O pacote incluía carburador de 4 cubas, transmissão manual de 4 marchas e 2 escapamentos. O motor V-8 era um 330 que desenvolvia até 310 bhp. Embora não chegasse nem perto dos 325 ou 348 bhp da Pontiac, os críticos achavam que o 4-4-2 desempenhava um pouco melhor e provou ser quase tão rápido nos testes de 0 a 100 km/h com distância de 400 metros. A Olds só vendeu 2.999 do modelo 1964, principalmente devido à promoção mal feita, mas esse erro não mais se repetiria.
Havia ainda mais emoções para acontecer em 1964. Dearborn chegou ao noticiário com o "Performance Total", um programa agressivo sobre quase todos os tipos de esportes a motor, uma campanha preparada para alavancar as vendas dos novos e energéticos Fords e Mercurys de rua. A Ford não poupou gastos, ganhando rally com Falcon compactos, uma corrida internacional de resistência enlouquecedora com um Ford GT40 e usando os grandes Ford Galaxies que ganharam o campeonato nacional da NASCAR em 1964.
A Ford também revelou o Thunderbolt, um dócil Fairlane de duas portas que se tornou o terror das corridas de arrancada. Ele usava quase todos os truques conhecidos tratando-se de velocidade: interior despojado, painéis de carroceria com fibra de vidro leve e uma versão com dupla carburação do velho motor V-8 de "Desempenho Super Elevado do Thunderbird 427", um bloco enorme que só era possível ser colocado no carro dobrando a frente do chassis.
Foram construídos apenas 127 unidades e somente em 1964, mas o T-bolt foi inesquecível. Hot Rod avisou que ele "não era adequado para ser levado e retirado das pistas, e deixado sozinho nas ruas". Mas esse era o ponto. A Ford era séria a respeito do alto desempenho dentro e fora das pistas. Todas as outras fábricas também.
E depois surgiu o Ford Mustang, o esmagador sucesso de vendas da década de 60. Chegando na metade da década de 60, esse compacto esportivo sacudiu o país com seu preço baixo, aparência vistosa e longa lista de opcionais. E apesar de não ser comercializado como muscle car em um primeiro momento, os Mustangs podiam ser bastante potentes com um motor V-8 de bloco pequeno, incluindo uma nova versão do 289-cid com até 271 bhp. A Ford vendeu quase 681 mil unidades apenas nos primeiros 12 meses, estabelecendo uma nova categoria de mercado, a do carro pequeno.
Já na Chrysler, o famoso Hemi V-8 retornou durante 1964 como um monstro de 426-cid, construído exclusivamente para corridas. Inicialmente com 425 bhp, mas facilmente preparável para chegar até acima de 550, ele desempenhou bem em várias classes de NHRA durante a temporada de 1965.
A concorrência era bastante dura na NASCAR. Apesar do fato de Richard Petty com o seu Hemi Plymouth médio ter vencido com facilidade a corrida Daytona 500 de 1964, a Ford foi a campeã da temporada. Além do mais, a NASCAR achou que o Hemi deu às equipes da Mopar uma injusta vantagem, então ela proibiu o Hemi para a primeira metade da temporada de 1965. Depois, deixou que retornasse após muito protesto de todas as equipes.
Mas a tendência era clara. Nas pistas de corrida, nas corridas de arrancada e nas ruas, o desempenho dos carros estava mudando dos carros grandes para os de tamanho médio e potentes, e mesmo para os pequenos carros de grande potência. Os compradores estavam pensando com jovialidade e desejosos pela excitação em quatro rodas. Detroit os cortejou ano após ano com novos modelos esportivos e com cada vez mais potência. Até mesmo as primeiras regulamentações federais de segurança e emissões não estragaram a festa.
Tudo girava em torno de ganhar corações, mentes e dólares, o que significava ter as melhores estatísticas nos testes das revistas especializadas em carros, ganhar corridas e impressionar compradores. Esse sempre foi o jogo, é claro, mas raramente tivemos tantos fabricantes de carros, juntamente com centenas de empresas independentes de equipamentos de corrida que foram lançadas para fornecimento de peças envenenadas apostando em altos riscos.
Para os fãs de desempenho, havia algo para quase todo tipo de gosto e orçamento. Somente em 1965, apareceram o luxuoso Buick Skylark Gran Sport, o Chevelle Super Sport com bloco gigante 396 e o Mustang pronto para as pistas, o GT-350 de Carroll Shelby, que dominaram rapidamente a sua classe nas corridas domésticas do Clube de Carros Esporte da América.
O muscle car estava rapidamente passando de um item especial de baixo volume para um fabricante de imagens altamente especializado, sua aura de desempenho e segurança lançando uma auréola sobre os modelos de linha dos fabricantes de carros. De repente, todo fabricante tinha de ter um e cada supercarro precisava de mais potência e mais personalidade do que o próximo.
A evolução era muito vagarosa. A revolução estava na moda, como você verá na próxima página.
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