A era dourada dos muscle cars: 1969, 1970

Se houve algum sinal em 1969 e 1970 de que a era clássica dos muscle cars estava chegando ao fim, não era possível saber examinando com atenção as lojas americanas de vendas de automóveis. Os distribuidores estavam fervilhando com máquinas cada vez mais potentes e com ultrajante alto desempenho; os muscle cars estavam em seu apogeu.

O ano de 1969 reservou uma enorme quantidade de máquinas de rua com edição limitada construídas para serem adaptadas para corridas. O Mustang Boss 302 e o Firebird Trans Am foram a resposta ao Camaro Z-28 na SCCA. A NASCAR precisava de carros como o aero estilizado Dodge Charger 500, de um heroicamente alado Charger Daytona, além de um "nariz aprofundado" fastback Ford Torino Talladega e de um Mercury Cyclone Spoiler II.

Buick GSX 1970
2007 Publications International, Ltd.
Motor Trend chamou o Buick GSX 1970 (em inglês) de "o mais rápido
carro de produção americana jamais testado"

A classe de muscle cars acessíveis se expandiu com o Torino Cobra e um GTO de menor preço, o Judge. A Oldsmobile reprisou uma versão do Hurst/Olds baseada no Cutlass com indução de "Ar Forçado" com um colossal motor 455-cid V-8, além de listras douradas vistosas e, logicamente, uma alavanca de câmbio Hurst.

Grandes muscle cars de 1969 e 1970

Para perfis, fotos e especificações dos carros que marcaram o auge da loucura do muscle car, consulte:

  • O Yenko Camaro 427 1969 recebeu esse nome devido ao revendedor da Chevy Don Yenko e seu muscle car nascido de um furtivo transplante de motor.
  • O muscle car não ficou mais malvado do que o Dodge Super Bee Six Pack 1969, que recebeu esse nome devido aos três Holley de duas cubas no seu motor 440-cid V-8.
  • Poucos muscle cars clássicos pareciam tão indomáveis e nenhum tinha mais torque do que o eletrizante Buick GSX 1970 (em inglês)
  • Dimensões gigantes, enorme potência, diversão sem limites: o Ford Torino Cobra 1970 (em inglês) desenvolvia até 375 bhp com seu motor 429-cid V-8.
  • Entradas de ar no capô floresciam como ervas daninhas. O novo Mustang Mach 1 tinha um "capô que sacudia", uma entrada de ar anexada ao motor que ficava presa através de um furo e pulsava junto com o V-8. Os bólidos de maior potência ofereciam uma entrada saliente no capô que servia como "Captador de Ar". A Plymouth também acrescentou versões ousadas para o seu compacto esportivo, inclusive alguns recebendo o grande 440s comprimido no vão do motor.

    Considerando um desempenho puro e sem adulteração em Detroit, 1970 foi a tempestade antes da calmaria. E que tempestade perfeita foi aquela. Começou com a General Motors, onde a limitação de 400 cc foi elevada e a aceleração decolou. O muscle car médio da Buick agora era um energético GS455 com 350 ou 360 bhp.

    Havia também um novo punho de ferro vestido com luvas de veludo chamado GSX na versão 370 bhp na aparência de "Estágio 1". A Motor Trend testou um deles e registrou 13,38 segundos/170 km/h em 400 metros, "o carro de linha americano mais rápido que testamos até agora".

    A Chevrolet respondeu com Chevelles SS com motores de bloco gigante 396s (na verdade, agora são 402 cc) e o novo 454s. Entre os últimos mais importantes estava o raro 450-bhp na versão LS-6 que impressionou a revista Hot Rod registrando 13,4 segundos em 400 metros a 175 km/h. "O futuro nunca verá um carro como esse", disseram os editores. E por um longo tempo, eles estiveram certos.

    A Oldsmobile voltou com a produção regular do 455 optando pelo 4-4-2 com 365 bhp stock, 370 com o grupo de desempenho W-30. Tinha um forte desempenho, apesar de não ser tão rápido quanto o GSX ou o SS 454.

    O muscle car original da Pontiac também acrescentou um 455 opcional, apesar de ter uma potência máxima de 360. O maior "Bode expiatório" ainda era o 400 com captador de ar com relação entre eixos automática e curta da Pontiac, apesar de a revista Car Life ter encontrado um melhor ET de apenas 14,6 segundos/160 km/h. Independentemente do desempenho ou modelo, todos os muscle cars 1970 da GM obtiveram boas atualizações dos estilos de 1968 e 1969. E, de forma questionável, os GTOs ainda pareciam ser melhores, salientados por uma combinação simples de grade/pára-choques coberta por um plástico Endura na cor da carroceria.

    A GM também incrementou o muscle car de tamanho pequeno de 1970 com o Chevrolet Camaro e o Pontiac Firebird redesenhados. Seus conversíveis foram esquecidos, mas os novos cupês tinham linhas simpáticas que alguns achavam parecidas com as linhas européias. Os SS Camaros receberam o novo 402/396-cid V-8 do Chevelle, mas o enérgico Z-28 passou para o sólido e potente 360-bhp 350 emprestado do Corvette. O carro pequeno da Pontiac oferecia novamente quatro opções, com o mais potente Firebird 400s e os Trans Ams desenvolvendo até 370 bhp com o novo capô com entrada de ar vibratória.

    Enquanto isso, a Chrysler finalmente entrou para valer no ramo dos carros pequenos, introduzindo o novo e volumoso Barracuda 1970, e um Dodge Challenger ainda mais nervoso. Ambos usavam as opções Hemi e 440 V-8, apesar de que somente alguns eram solicitados com esses motores; a maioria dos compradores estava bastante satisfeita com os potentes V-8s 340 e 383-cid, ambos desenvolviam confortavelmente mais de 300 bhp.

    Também raros entre os carros pequenos de 1970 da Mopar eram o Challenger T/A e o AAR 'Cuda que utilizavam motores de bloco pequeno 340 super-ajustados e construídos para classificar os carros para corridas de Trans Am. Eles conseguiram a classificação e se juntaram aos Camaros, Firebirds, Mustangs, Cougars e aos pretenciosos AMC Javelins, formando a temporada de Trans Am mais competitiva e excitante jamais vista até hoje. Na verdade, 1970 ficou como o ponto alto da série. O Mustang ganhou o campeonato.

    1970 Dodge Challenger T/A
    2007 Publications International, Ltd.
    O Dodge Challenger T/A 1970 passou a ser o modelo
    depois de uma corrida de Trans Am

    Plymouth foi o nome do ano que mais venceu na NASCAR graças a Richard "Rei" Petty com o seu Road Runner Superbird de asa alta e bico de bala. O Bólido era bastante parecido com o Dodge Charger Daytona de 1969, mas experimentou 1.920 montagens em comparação a 503 do Daytona.

    Dearborn apresentou novos muscle cars com os reestilizados Ford Torinos e Mercury Cyclones oferecendo novos Cobra Jet 429s de alto desempenho, com 360 a 375 bhp. O mesmo motor básico também equipou o respeitável e forte Boss 429 Mustang, utilizado em 1969, e o Mercury Cougar Eliminator. De qualquer forma, 1970 foi um ano calmo para o desempenho dos carros da Ford, de maneira preocupante, depois que a companhia finalizou abruptamente o seu memorável programa de "Performance Total".

    Era um sinal de que os tempos estavam mudando. A partir desse momento, os muscle cars nunca mais seriam os mesmos. Mas a sua influência na cultura americana foi ampla, profunda e duradoura. Leia a respeito desse impacto na próxima seção.

    Para obter mais informações interessantes sobre muscle cars, consulte:

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