Os muscle cars e a cultura americana

Velocidade e potência são qualidades obrigatórias, portanto, não é nenhuma surpresa que os muscle cars foram um acontecimento na década de 60 e continuam a manter uma postura que transcende décadas e gerações. Realmente, gerar um acontecimento que chamou a atenção com algo exclusivamente americano foi a principal razão para se criar essas rápidas e fantásticas máquinas como ponto de partida.

Tudo tinha a ver com marketing e o ponto principal. A maioria das pessoas não precisava, digamos, de um GTO, mas a imagem selvagem do GTO convenceria mais dos poucos que podiam comprar um bem comportado Tempest LeMans com estilo bastante parecido. Foi assim que os muscle cars tiveram esse tremendo impacto sobre o mercado apesar de não apresentarem vendas expressivas.

Muscle cars
que refletiram a
cultura americana

Para conhecer os segredos dos muscle cars que refletiram a cultura americana nas décadas de 60 e 70, consulte:

  • As autoridades estavam lápara ser reprovadas e o Pontiac GTO Judge 1969 (em inglês) fazia parte da brincadeira.
  • A artificialidade estava na moda e um surpreendente cientista maluco estava por trás do Hurst/Olds 1969.
  • As cores do jargão "flower-power", as artes gráficas populares estavam na moda e ajudaram os projetistas de motores de muscle cars a desenvolver o Plymouth Road Runner Hemi 1970.

O GTO, era uma jogada de marketing criada para fazer com que as pessoas começassem a falar sobre o Pontiac e atraí-las às lojas. Mas os muscle cars tinham de confiar nos fãs do desempenho, cujas opiniões podiam influenciar os amigos pouco entusiastas sobre qual carro comprar. Isso exigia credibilidade na concorrência. Os entusiastas são bastante exigentes e não vão entrar na sua conversa até você oferecer o que eles estão querendo.

Essa é a razão porque os fabricantes de carros trabalharam duro para ter a certeza de que seus muscle cars não só tivessem uma aparência bacana, mas também uma reputação vencedora. Às vezes, o trabalho era um pouco duvidoso. Por exemplo, apesar das advertências de Detroit de deixar as demonstrações de velocidade para as áreas organizadas da NHRA e da NASCAR, os jovens de sangue quente ainda corriam nas ruas e estradas na década de 60. Eles estavam desafiando a lei, mas a rebeldia estava na moda naqueles dias.

A ação era intensa, as emoções eram muito grandes. Em Detroit, a Avenida Woodward era um dos lugares mais populares para as corridas de rua proibidas. E, devido a isso, essas corridas se tornaram o meio não-oficial para o fornecimento de novos coletores, carburadores e outras peças usadas em corridas desenvolvidas pelos próprios fabricantes de carros. Muitos executivos encorajaram tacitamente tais "pesquisas" e até participaram. Afinal de contas, todo mundo estava lá, então por quê não reconhecer o que você teria de enfrentar? Quanto aos fabricantes que não participavam das corridas de rua... bem, essa notícia também se espalhou.

Esse suporte por baixo do pano faz parte da doutrina do muscle car. E também os altamente visíveis revendedores de carros novos que montam "lojas de artigos de corrida" para se aperfeiçoar sobre o que suas fábricas andam fazendo. Devido ao seu alto volume de vendas, esses distribuidores normalmente eram os primeiros a vender as peças de fábrica mais recentes, mas muitos também desenvolveram seus próprios equipamentos de corrida, então construíram e patrocinaram carros de corrida para mostrá-los geralmente em arrancadas. Era um bom negócio vender desempenho onde os fãs de desempenho estavam reunidos.

Entre os distribuidores mais conhecidos estavam o Nickey Chevrolet e o Grand Spaulding Dodge do "Mr. Norm", ambos em Chicago; Yenko Chevrolet na Pensilvânia; Royal Pontiac em Royal Oak, Michigan; e o afiliado da Ford, Holman-Moody na Carolina do Norte.

Royal Pontaic
2007 Publications International, Ltd.
Royal Pontiac em Royal Oak, Michigan, cujo nome está sendo mostrado neste carro de corrida, estava entre as mais conhecidas "lojas de artigos para corridas"

A "muscle mania" também era boa para as companhias de desempenho de "pós-venda" que começaram a aparecer na década de 40. Nomes como Hurst (alavancas de câmbio), Edelbrock (coletores), Iskenderian (eixos de comando) e outros eram bem conhecidos dos mecânicos amadores através de revistas de carros e conhecidos logotipos de carros de corrida. Na década de 60, esses fabricantes de peças floresceram como nunca havia acontecido antes, o que levou muitas empresas a entrar também nesse mercado.

No final da década, a indústria tinha crescido tanto que formou o seu próprio grupo de comercialização, chamado primeiramente de Associação dos Fabricantes de Equipamentos de Corrida, mais tarde modificado para Associação do Mercado de Equipamentos de Corrida (SEMA).

Mas, existia um outro lado do cenário do muscle car que era genial. Por toda a sua potência nata e machismo notório, os muscle cars tinham um lado divertido que refletia a tendência à irreverência da contracultura da juventude na década de 60. Foi a era do faça-o-que-você-quer-fazer e da arte popular, da "moda" costumes e do corte de cabelo dos Beatles, canções populares, rock psicodélico e a invasão britânica. Os fabricantes de carros encontraram modos criativos de se relacionar com esse mercado.

As cores vivas estavam na moda, portanto, a American Motors oferecia tonalidades brilhantes e "Berrantes" em 1969 e 1970. A Dodge e a Plymouth tinham uma gama de cores de "Alto Impacto" com nomes excêntricos como Tor-Red, Plum Crazy e Go-Man-Go. O Road Runner da Plymouth demonstrou uma loucura menor em termos de nomes e logotipos de modelos de desenhos.

O Super Bee 1968, por exemplo, inspirou a linha "Turma da fuga" de ferozes Dodges disponíveis com listras com rabo de abelha exibindo um personagem em forma de abelha com capacete correndo em rodas feitas para dragsters. A Ford tomou emprestado o mascote da serpente empinada de Carroll Shelby para o Torino Cobra e outras finalidades. O GTO Judge de 1969 era uma referência à frase "Here Come da Judge", uma frase popular do conhecido programa de TV "Laugh-In".

Dr. Oldsmobile
2007 Publications International, Ltd.
O doutor estava presente na Oldsmobile. O fabricante de carros usava um
"Dr. Oldsmobile" fictício nos anúncios para apresentar os seus novos e potentes muscle cars

Os comerciais e os anúncios impressos também eram voltados para a cultura jovem. A Dodge retratou "Rapazes de chapéu branco" e a " Rebelião da Dodge". A cantora pop britânica Petula Clark cantava que você devia "Olhar o que a Plymouth está conseguindo agora". A Ford lançou alguns modelos esportivos como "Os entusiasmados", e patrocinou um programa de TV com o mesmo nome. Até a Buick queria "Acender o seu fogo".

O Camaro da Chevrolet foi lançado como "O Abraçador". A Pontiac disse que todos os seus carros "são dirigidos com seriedade, por isso são divertidos". O fictício "Dr. Oldsmobile", avental branco e tudo, com freqüência era visto trabalhando em seu laboratório em novos e apimentados números para aquela marca da GM. A AMC promoveu um musculoso capota de metal 1970 distribuindo cartazes com a frase "Apoio à máquina rebelde".

Hollywood, nunca vagorosa para escolher uma tendência, só acrescentou à crescente mística do muscle car. Três filmes particularmente ainda são lembrados entre os fãs de desempenho que gostam de filmes bastante eletrizantes: "Corrida Contra o Destino", "Corrida Sem Fim" e "Bullitt".

O Ford Mustang 1968 foi apresentado no filme Bullitt, com Steve McQueen.­­­
2007 Publications International, Ltd.
­Os muscle cars deixaram sua marca em Hollywood. O Ford Mustang 1968,
por exemplo, virou estrela no clássico de Steve McQueen "Bullitt"

E não podemos esquecer todas as músicas que chegaram às paradas de 1960, celebrando os carros rápidos e os bons tempos. Os Beach Boys sozinhos lançaram "409", "Shut Down" e "Fun, Fun, Fun" (quando papai leva o T-Bird embora), além de pequenas cantigas como "Car Crazy Cutie", "Our Car Club" e "No-Go Showboat". Jan e Dean cantavam sobre a "Pequena senhora de Pasadena" com um Super/Stock Dodge, além dos perigos da "Dead Man's Curve". Ronnie e os Daytonas tinham crianças dançando o boogaloo junto ao pequeno "GTO", com letras creditadas ao próprio promotor da Pontiac Jim Wangers. Wilson Pickett idolatrou "Mustang Sally".

As músicas, a gíria, o cenário de rua e todo o resto que formava a muscle car mania era muito divertido. Com o passar do tempo, os muscle cars seriam redescobertos e até ressuscitados, mas somente após uma década de experimentação na qual a espécie parecia condenada à extinção. Esse período obscuro é narrado na próxima página.

Para obter informações relacionadas a carros, consulte estes artigos:

  • O motor é o que dá ao muscle car a sua personalidade extravagante. Para aprender tudo o que você precisa saber sobre motores de carros, consulte Como funcionam os motores de carros.
  • Muscle cars não teriam muita potência sem o cavalo de força, mas o que é exatamente o cavalo de força? Como funciona a potência do motor responde essa pergunta.
  • Os carros de corrida da NASCAR incorporam a filosofia de força do muscle car. Leia Como funcionam os carros da NASCAR para descobrir o que impulsiona esses carros de corrida.