O desaparecimento dos muscle cars

De várias maneiras e por muitos motivos, os Estados Unidos perderam sua inocência na década de 60 e os carros sem limite de desempenho foram apenas uma vítima de mudanças sociais distorcidas. Os muscle cars começaram a desaparecer na década de 70. A maioria deles desapareceu na metade da década, vítima de um mercado em mutação e das rígidas regulamentações governamentais. Pouquíssimos conseguiram permanecer por mais tempo, mas apenas como uma lembrança sem pretensões da década de 60.

A decadência era talvez inevitável. A demanda por carros grandes, rápidos e potentes começou a diminuir à medida que os preços da gasolina e os pesados prêmios de seguro fizeram com que muitos compradores escolhessem carros compactos feitos em Detroit mais econômicos e acessíveis, além dos mini-carros importados. Ao mesmo tempo, as progressivas limitações cada vez mais restritas sobre as emissões de poluentes pelo escapamento, obrigaram os fabricantes de automóveis a modificar os motores através de menores taxas de compressão, menos carburadores, alimentação mais restrita e outras medidas limitadoras da potência. Novos Padrões Federais de Segurança para Veículos a Motor decidiram adicionar medidas de proteção contra batidas, tais como pára-choques maiores e mais fortes, e o aumento do peso influiu no desempenho.

Embora essa dura realidade tenha comprometido todos os carros até certo ponto, essas máquinas de força com certeza levaram a pior. Afinal de contas, eles foram os que mais tiveram a perder.

Os últimos grandes
muscle cars

Para perfis, fotos e especificações de alguns dos últimos grandes muscle cars do período clássico, consulte:

Sinais de perda apareceram já em 1971, quando os motores da General Motors e alguns da Chrysler Corporation foram recalibrados para funcionar com gasolina comum em lugar da premium. Naquele mesmo ano, a GM trocou as suas classificações de motores anunciados de valores brutos para valores líquidos mais realistas, fazendo com que as perdas de potência e torque ficassem ainda piores no papel. A American Motors, Chrysler e a Ford fizeram o mesmo em 1972, quando muitos motores foram adaptados para os novos requisitos de combustível com pouco chumbo.

Então, em outubro de 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reduziu drasticamente as exportações de petróleo para os Estados Unidos, desencadeando uma crise de energia nacional marcada pela falta de combustível generalizada, recorde de preços na gasolina e longas filas nas bombas, entre outros desconfortos.

Apesar de a crise ter durado apenas alguns meses, ela expôs a crescente dependência dos Estados Unidos das fontes de energia externas que não podiam ser previsíveis. Isso também obrigou o Congresso a promulgar uma lei para economia de combustível (CAFE), iniciando com modelos de 1978 que exigia que os fabricantes de automóveis atingissem alvos progressivos de máxima quilometragem por litro contra ameaça de multas pesadas.

Com tudo isso, além da inflação alimentada pelo "choque" do aumento de preços, a demanda pelos muscle cars desacelerou rapidamente. Em 1975, a lista dos que desapareceriam incluiu a maioria dos motores gigantes e esses ícones do desempenho como o Buick GS, Chevrolet Chevelle Super Sport, Dodge Charger R/T e o Super Bee, Ford Torino Cobra, Mercury Cyclone Spoiler e o Plymouth GTX. Até o consagrado GTO não foi poupado. Foi reduzido em 1974 a uma opção reestilizada do compacto Ventura da Pontiac antes de o nome ser tardiamente aposentado. Outros nomes de peso, como o Road Runner da Plymouth, trocaram de posição entre se aposentar e permanecer.

Plymouth Road Runner 1978
2007 Publications International, Ltd.
Este Plymouth Road Runner 1978 era uma mera sombra
dos
clássicos Road Runners
do final da década de 60

Os carros de pequeno porte quase desapareceram, sobrando apenas o Chevy Camaro e o Pontiac Firebird para dar continuidade ao legado depois de 1974. O Mustang da Ford, o carro pequeno original, foi superdimensionado em 1971 a 73, então reimaginado como um compacto econômico de alta classe. O Mustang II era fortuitamente regular e muito popular, mas fez com que os apaixonados pelo Mustang estremecessem depois que o motor 302 V-8 opcional retornou após um ano de ausência. O Cougar da Mercury? Colocado na obscuridade um intermediário de luxo.

Mas não eram apenas más notícias. Apesar do clima cada vez mais hostil, alguns carros da década de 70 tiveram um bom desempenho, tirando o desgaste dos pneus.

Liderando a lista de sobreviventes do desempenho, estavam os compactos "mini-muscle" que começaram a aparecer no começo da década de 70. Às vezes chamados de "ganhadores de seguro", eles ofereciam desempenho satisfatório a partir do torque de um V-8 de bloco pequeno, com custo mais baixo para ser comprado e operado do que os carros de tamanho médio de 1960.

Por exemplo, o Plymouth Duster 340 1971-73 e o Dodge Demon/Dart Sport 340 desenvolviam até 240 bhp e tinham um bonito estilo cupê fastback, cores agradáveis e muita faixa e listras, além de bastante tinta preta para um carro de corrida Trans-Am. O motor 360 V-8 veio em 1974, mas para facilitar a regulagem das emissões, sem potência adicional. A American Motors, Ford e a GM ofereceram seus próprios produtos compactos esportivos e apesar de nenhum deles ter vendido muito bem, animaram um mercado cada vez mais sombrio.

O mesmo aconteceu ao Pontiac Firebird de desempenho superior. Apesar de ter estrangulado nada menos do que outros carros quentes, o Firebird Trans Am e o 400 desbancaram o mercado oferecendo vendas maiores anos após ano em 1973 e 1974, enquanto a crise da gasolina estava furiosa. É claro que os ajudou a terem pouca concorrência na época. Além disso, tais vendas incrivelmente fortes, convenceram os planejadores de produtos em toda a cidade de Detroit de que as pessoas ainda esperavam por desempenho, especialmente se a velocidade em linha reta era balanceada pela genuína capacidade de andar em rodovias, coisa geralmente desconhecida pelos clássicos muscle cars.

De qualquer forma, a Chevy aceitou a dica e reintegrou o Camaro Z-28 em 1977 depois de uma ausência de dois anos e com nova ênfase no manuseio. A GM também continuou com seus carros pequenos obtendo atualizações consideráveis de especialistas quanto ao seu desenho básico para "19701/2", obedecendo padrões federais de segurança com estilo experiente, sem a falta de graça de um quebra-galho.

Enquanto isso, a economia conseguiu sair da estagnação da crise da gasolina e a década de 80 mostrou sinais de que Detroit tinha aprendido a viver com "Regulamentações federais", prometendo, dessa forma, retornar finalmente ao estilo e desempenho reais.

Talvez a marca mais encorajadora tenha sido os novos Mustang e o companheiro Mercury Capri, ambos de 1979: carros pequenos, de concepção nova e aparência esperta que reconciliaram admiravelmente as exigências conflitantes da época. O motor básico era um quatro cilindros econômico com apenas 88 bhp, mas você podia pedir um de 140 cavalos, com quatro cilindros, turbo ou aquele antigo 302 V-8 da Dearborn. Esse último fazia de 0 a 100 km/h em aproximadamente 8,7 segundos. Isso era um pouco estranho em relação aos leves Mustangs turbinados e com motores de quatro cilindros, mas os compradores mostravam uma nítida preferência pelo bom e velho torque de baixa rotação do motor V-8, um outro fato que não foi perdido pelos projetistas de produtos. Seria possível surgir uma nova era de desempenho? Certamente parecia que sim.

Então, na primavera americana de 1979, veio um segundo golpe da gasolina que fez com que os compradores novamente voltassem rapidamente para os carros menores. Apesar de Detroit ter "diminuído" sua frota para atender aos objetivos da economia de combustível, era difícil saber como essa nova crise iria se comportar. Os engenheiros foram rápidos, desenvolvendo tecnologias para fazer mais com menos, mas o desempenho fazia parte desse corajoso mundo novo? Ou, a nova geração de compradores de carros, muitos privados dos importados econômicos, estaria procurando por alguma outra coisa inteiramente nova?

Na próxima página, você verá que a resposta para ambas as perguntas foi sim. As pessoas ainda queriam carros potentes, mas não do tipo que seus pais conheceram. Os tempos tinham mudado. Mas Detroit também tinha mudado e estava preparada para lançar algumas surpresas. O muscle car estava a ponto de renascer.

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  • O motor é o que dá ao muscle car a sua personalidade extravagante. Para aprender tudo o que você precisa saber sobre motores de carros, consulte Como funcionam os motores de carros.
  • Muscle cars não teriam muita potência sem o cavalo de força, mas o que é exatamente o cavalo de força? Como funciona a potência do motor responde essa pergunta.
  • Os carros de corrida da NASCAR incorporam a filosofia de força do muscle car. Leia Como funcionam os carros da NASCAR para descobrir o que impulsiona esses carros de corrida.