O renascimento dos muscle cars

Depois de vários anos na imensidão de uma paisagem automotiva bastante alterada, os muscle cars começaram o seu caminho de volta às pistas. O retorno à velha potência, paixão e importância levou tempo, mas provou ser quase ininterrupta quando passou a segunda crise de energia (1979 a 1982). Com a gasolina novamente em abundância, e relativamente barata, muitos compradores adotaram o desempenho mais uma vez com muito empenho, mesmo que fosse menos ardente e brilhante do que podiam lembrar.

O que aconteceu foi que os muscle cars da nova era logo amadureceram ao ponto de terem um funcionamento melhor do que os carros de 1960 de seus avós: mais velozes e, ainda assim, gastando bem menos combustível, menores do lado de fora, mas com não menos espaço no seu interior e muito mais capacitados nas curvas.

Os carros pequenos mais potentes
de todos os tempos

O renascimento dos muscle cars dependeu enormemente da renovação desses carros pequenos. Veja novamente alguns dos mais potentes muscle cars pequenos existentes até hoje, conferindo:

Vários fatores levaram a esse renascimento. Em primeiro lugar, as necessidades de enxugamento de 1970 forçaram Detroit a fazer mais com menos, especialmente obter mais potência de um motor com tamanho determinado. Em segundo lugar, o avanço da tecnologia estava tornando isso possível. A elevação do uso de eletrônica de estado sólido foi o ponto chave para reconciliar desempenho com as metas de economia de combustível e exigências de um ar mais limpo.

Computadores cada vez mais sofisticados para projeto de motores aumentaram incrivelmente a eficiência, integrando o controle da injeção de combustível, o sincronismo da faísca, a entrada de ar, as emissões do escapamento e outras funções; posteriormente, os engenheiros também melhorariam o comportamento da transmissão, o comando de válvulas e até a elevação das mesmas. A eletrônica também beneficiou a dirigibilidade, ajudando com os freios de anti-travamento, controles de tração e estabilidade e suspensões "ativas" que podiam ser ajustadas, ou ter auto-ajuste, para se adequarem às condições da pista e das necessidades de direção.

O resultado foi um nível de segurança dinâmica desconhecido na década de 60, que era importante numa época na qual os motores estavam começando a ficar fortes novamente. E, apesar de todos esses itens terem adicionado uma certa complexidade, a confiabilidade geral do veículo melhorou.

Um outro fator que contribuiu para o renascimento do muscle car foi o desenvolvimento de novos métodos de fabricação que permitiu modelos para "nichos" especializados, obtendo lucros com vendas muito menores do que era preciso na década de 60 e no começo da década de 70. Em outras palavras, os fabricantes de automóveis podiam literalmente arcar com as despesas e ceder aos desejos dos carros de desempenho, uma grande notícia para os pés de chumbo.

O aspecto final era a imagem. Os muscle cars eram tão americanos quanto a Bandeira dos Estados Unidos e mesmo os novos carros usando alta tecnologia não tinham semelhança com qualquer coisa disponível pelas marcas importadas cada vez mais populares. Isso foi crucial. Depois de anos de brandura, Detroit precisava de carros empolgantes que fizessem a "diferença para vender", que concentrassem clientes e ajudassem a concretizar as vendas e os ganhos. Embora as Três Grandes Marcas estivessem ainda tentando "combater as importações" com vários graus de êxito, os muscle cars fizeram muito mais para melhorar a sua reputação junto ao público.

O renascimento do muscle car se deu principalmente devido à Ford e à General Motors. A Chrysler Corporation apostou seu futuro após 1980 principalmente em veículos menores com tração dianteira e motores de quatro cilindros, uma fórmula que ajudou a evitar a falência, mas limitou o potencial de desempenho de seus carros. Apesar de a Dodge ter produzido uma quantidade de carros com tração dianteira, motor turbo ruidoso e rápido, incluindo alguns com análise feita pelo famoso Carroll Shelby, nenhum era um verdadeiro muscle car tanto em DNA quanto em cronometragem. Ainda assim, eles causaram boa impressão pelo que foram e como ajudaram a apimentar o cenário através das décadas de 80 e 90.

Enquanto isso, a Ford e a GM estavam voltadas para uma nova batalha real com relação ao desempenho. Era como se a década de 70 nunca tivesse existido. Os carros pequenos foram as armas naturais da escolha. A Ford lançou um novo Mustang GT em 1982 com alta potência restaurada e com motor V-8 302 "5.0". Os cavalos chegavam a 157, que pareciam ser fortes somente se fossem comparados com os Mustangs do fim da década de 70. A GM retrucou naquela mesma temporada com um Camaro e um Firebird de terceira geração mais insinuantes e ajustados com motor de 165-bhp 305 V-8.

1983 Mustang GT
2007 Publications International, Ltd.
A apresentação da Ford do motor V-8 302-cid "5.0" para o Mustang 1982
foi um desenvolvimento importante para o renascimento dos muscle cars.
Ilustrado aqui, o Ford Mustang GT de 1983, que tinha 175-bhp 5.0.

O Mustang provou que era levemente mais rápido nos 400 metros em cerca de 16,3 segundos em comparação a 17,5, mas essa alegria estava apenas começando. Em 1992, os Mustangs V-8 tinham até 225-bhp e abaixo de 14 ETs, enquanto a dupla da GM apresentava tempos similares com um motor de 245-bhp 350.

Todos os anos era a mesma história com as três rivais negociando pontos nos testes de estrada das revistas e "corridas de bancada" verbais entre os fãs. As vendas eram um outro assunto. Apesar do estilo inovador e da engenharia moderna dos carros pequenos potentes da GM, os compradores preferiam cada vez mais o Mustang, talvez porque ele se parecesse mais como um carro potente e pequeno tradicional (ou apenas mais antiquado, como diziam alguns críticos).

Essa tendência continuou até mesmo depois do reprojeto maravilhoso para 1993 do Camaro/Firebird em contrapartida a uma versão menos abrangente para 1994 da plataforma básica do Mustang 1979. Realmente, a Ford logo vendeu muito mais do que suas duas rivais juntas, fazendo com que a GM cancelasse a produção após 2002. Isso foi uma vergonha, porque o Camaro e o Firebird ficaram genuinamente abrasadores no final, disponíveis a partir de 1999 com um novo motor V-8 de bloco de alumínio, "350" emprestado do carro esportivo da Chevy, o Corvette, que tinha o motor de 325-bhp com indução de ar aspirado.

O Mustang, enquanto isso, trocou o seu veterano motor 302 por um pequeno, porém renovado motor V-8 de comando no cabeçote 281-cid. Esse motor chamado de modular chegou em 1996 com 215-bhp para os GTs e o 305, com comando duplo no cabeçote, para os Cobras (o principal modelo de linha desde 1993). Em 1999, o GT tinha até 260-bhp, o Cobra até 320.

Mas, ainda não era possível alcançar o melhor da GM, então a Ford decidiu fazer uma reviravolta geral em 2003 e turbinou o Cobra com 390 cavalos de força. O resultado foi o mais próximo conseguido em relação ao muscle car no estilo da década de 60 desde o início do rock & roll. A Motor Trend cronometrou de 0 a 100 em apenas 4,9 segundos e 400 metros em 13,3 segundos a 176 km/h. Como se não bastasse, a Ford lançou três modelos de Cobra R com potência progressiva, todos estritamente para uso "fora de estrada", como nas corridas. A última versão 2000, incorporando um "motor" de 385-bhp, 5,4 litros poderia destruir o quarteirão em 12,9 segundos a 178 km/h, conforme a revista Motor Trend.

É claro que algumas pessoas nunca estão satisfeitas, mas as renovadas guerras de desempenho das fábricas forneceram um grande impulso para o negócio de preparação de motores, lojas exclusivas que usam truques para espremer tudo o que for possível de um Camaro, Firebird ou Mustang. A GM colaborou intimamente com a Engenharia de SLP, enquanto a Ford deu seu selo de aprovação para o trabalho de Jack Roush, Steve Saleen e outros gênios. Foi um outro glorioso regresso aos velhos bons tempos.

Mas, antes que avancemos além de nós mesmos, vamos passar para a próxima página e observar outros conjuntos de muscle cars nas décadas de 80 e 90.

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