Dirigir um carro é estressante, além de inerentemente perigoso porque, mesmo que você seja o motorista mais seguro do mundo, existem muitas variáveis que você não consegue prever, como clima, acidentes de trânsito e obras nas ruas. E com relação a todas as outras pessoas nas ruas? Algumas não são apenas maus motoristas sem condições de dirigir, mas também se engajam num comportamento de risco - alguns até agem especificamente para irritar o outro motorista ou para impedir que ele chegue onde precisa.
![]() David McNew/Getty Images Perfurações de bala em um carro envolvido em um incidente de ira de trânsito em Los Angeles |
Essa é a evolução de pensamento que alguém poderá ter antes de passar para a ira de trânsito de fato, levando um motorista a tomar decisões irracionais muito rapidamente. De repente, você poderá pensar: eles precisam saber que o que estão fazendo é perigoso e idiota. De fato, você pode chegar a achar que deve dizer-lhes isso.
Não se pode negar que dirigir pode ser uma experiência arriscada e emocionante. Para muitos de nós, nossos carros são a extensão de nossa personalidade e podem ser o bem mais valioso que possuímos. Quando dirigimos, temos consciência de que existe um potencial para ferimentos e danos materiais. Dirigir pode ser a expressão de liberdade para alguns, mas também é uma atividade que tende a aumentar nossos níveis de estresse, mesmo que não tenhamos consciência disso no momento.
Dirigir é também uma atividade comunitária. Você pode pensar nisso em termos de sua própria experiência pessoal. Mas, uma vez que você entra no trânsito, você se junta a uma comunidade de outros motoristas, todos com seus objetivos, medos e habilidades ao volante. Os psicólogos Leon James e Diane Nahl dizem que um dos fatores da ira de trânsito é nossa tendência de nos concentrarmos em nós mesmos, descartando o aspecto comunitário do ato de dirigir. É muito fácil perceber as ações do outro motorista em termos de como isso nos afeta, o que, por sua vez, torna fácil a transição para a raiva [fonte: James, Nahl].
Como um perito do Congresso em psicologia do trânsito, o Dr. James, conhecido como "Dr. Dirigir", acredita que a causa principal da ira de trânsito não são os congestionamentos ou mais motoristas nas ruas, e sim como nossa cultura visualiza a direção agressiva [fonte: James, Nahl]. Em nossa cultura, as crianças aprendem que as regras normais em relação ao comportamento e civilidade não se aplicam quando dirigimos um carro. Elas podem ver seus pais envolvidos em comportamentos de disputa ao volante, mudando de faixa continuamente ou dirigindo em altas velocidades sempre com pressa chegar ao destino. Alguns filmes populares e programas de televisão retratam a direção agressiva como uma atividade positiva ou pelo menos emocionante.
Para complicar as coisas, por vários anos psicólogos mais conhecidos sugeriam que o melhor meio para aliviar a raiva era descarregar sua frustração, essencialmente cedendo a ela e alimentando as suas emoções negativas. Estudos psicológicos mostram, no entanto, que a descarga de frustrações não ajuda a aliviar a raiva. Em uma situação de ira de trânsito, a descarga de frustrações pode levar um incidente a se tornar uma violenta briga. Os americanos têm também a tendência de ver como covarde uma pessoa que se afasta de uma briga, criando um tipo de pressão sobre o motorista, a ponto de ele não dar o braço a torcer mesmo que ninguém o esteja julgando.
Com isso em mente, não é surpresa que brigas violentas aconteçam algumas vezes. A maioria das pessoas está predisposta a apresentar um comportamento irracional quando dirige - o Dr. James vai ainda mais além e diz que a maior parte das pessoas fica emocionalmente incapacitada quando dirige [fonte: James]. O que deve ser feito, dizem os psicólogos, é estar ciente de seu estado emocional e fazer as escolhas corretas, mesmo quando estiver tentado a agir só com a emoção.
Na próxima seção, examinaremos alguns dos fatores que contribuem para a ira de trânsito.