O Bizzarrini GT Strada 5300 deveria ser muito semelhante ao Iso Grifo desenhado por Bizzarrini, por isso dificilmente surgiria como uma surpresa. No início dos anos 60, o nome de Giotto Bizzarrini parecia emergir por toda a indústria italiana de carros. O engenheiro atuou na Ferrari, Lamborghini, Iso e em sua própria empr­esa de fabricação de carros no espaço de apenas alguns anos.

O Bizzarrini GT Strada 5300
Baixo e apertado, o Bizzarrini GT Strada 5300 iniciou nas pistas como um Iso, com seu estilo semelhante ao do Grifo e uso do mesmo V8 do Chevrolet Corvette 327

Bizzarrini era um dos engenheiros mais respeitados da Ferrari no final dos anos 50 e começo da década de 60. Quando o engenheiro chefe Carlo Chiti e várias outras mãos experientes deixaram a fábrica de Maranello, Bizzarrini fez o mesmo, partindo para Livorno para trabalhar como autônomo. Logo depois, ele foi incumbido pela inexperiente firma de Ferruccio Lamborghini de projetar um V12 parecido com o da Ferrari e contratado para desenvolver os novos chassis para a Iso de Milão.

Esse chassi foi o verdadeiro predecessor do Bizzarrini GT. Típico dos métodos de trabalhos italianos neste período, ele foi fabricado com uma plataforma de aço estampada, à qual eram fixadas suspensões independentes de molas helicoidais e geometria traseira da De Dion. A potência era fornecida por um V8 de 327 pol³ (5,3 l) do Chevrolet Corvette, e preparado para despejar 300 ou 365 cv pelo padrão SAE (Sociedade dos Engenheiros Automotivos). O primeiro chassi da Iso projetado por Bizzarrini foi apresentado com o cupê Rivolta em 1962.

Ao mesmo tempo, Bizzarrini estava trabalhando em uma versão curta desse chassi que mais tarde se tornaria a base de seu GT Strada 5300. A mesma plataforma básica do Corvette com a potência de 365 cv e carburador de quatro cubas, foi utilizada no Grifo A3L da Iso que viria a seguir: um esportivo de dois bancos derivado do Rivolta para quatro passageiros.

Ambos os carros foram apresentados como protótipos no Motor Show de Turin em novembro de 1963, com o futuro cupê de competição da Bizzarrini chamado de A3C pela Iso. Embora o A3C e o A3L tenham claramente sido desenhados pelas mesmas mãos, as de Giorgetto Giugiaro na Bertone, eles apresentavam detalhes completamente diferentes.

O interior do GT Strada 5300 da Bizzarrini
O GT Strada 5300 ostentava um interior luxuosamente decorado e foi oferecido como um carro de rua de edição limitada e com a nova marca Bizzarrini

Ficou confuso? Vamos explicar. Registrado como um Iso, o futuro Bizzarrini apareceu na corrida 24h de Le Mans em 1964, terminando em 14º lugar com uma média de 171 km/h (107 mph). O veículo carregava uma carroceria de alumínio com faróis dianteiros escamoteáveis, escondidos atrás de coberturas deslizantes de plástico e uma grade composta de duas amplas aberturas. As rodas eram de liga leve e as tomadas de ar para refrigeração do motor se localizavam nas laterais, imediatamente atrás dos arcos das rodas dianteiras.

Nesse meio tempo, o Grifo foi posto à venda com as mesmas linhas gerais do Bertone e pára-lamas dianteiros com grades de exaustão similares. As maiores diferenças eram a carroceria feita de chapas de aço, os faróis dianteiros expostos e um nariz menos radical e exibia um interior com acabamento mais luxuoso. Todos notaram a relação óbvia entre os dois carros, mas o cupê de competição era agora oferecido como carro de rua de edição limitada, com a nova marca Bizzarrini, e ninguém, pelo menos da Iso, parecia se importar.

As minúsculas instalações da Bizzarrini não conseguiam produzir mais do que alguns poucos carros por vez, portanto a “produção” do GT Strada 5300 (o nome significa “estrada” em italiano e o número representa as cilindradas - em centímetros cúbicos - do motor do Corvette) era a rigor um produto feito à mão. O chassi tubular vinha da Iso, enquanto a carroceria desenhada por Bertone era fabricada pela BBM em Módena. A Bizzarrini simplesmente os montava.

O resultado era um carro baixo de alto desempenho, com muita aceleração e velocidade máxima de 232 km/h. O “consumo de combustível” era de somente 5 km/l, uma verdadeira desvantagem na Europa, com sua gasolina menos disponível e mais cara. Portanto, esse era o tipo de carro que podia ser adquirido somente pelos ricos. Mas quem se importava?

Não se sabe ao certo quantos desses carros foram realmente fabricados, embora o número de 149 mencionado por uma fonte pareça ser bastante alto. Mas o que se sabe, com certeza, é que pouquíssimos sobreviveram. Seja como for, a própria Bizzarrini rapidamente perdeu o interesse nesse projeto e voltou sua atenção para o menor GT Europa 1900, um carro igualmente raro, porém mais modesto, equipado com motor de quatro cilindros de 2 litros da Opel da Alemanha.

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