O básico do Hy-wire

Dois elementos básicos ditam o design dos carros hoje: o motor de combustão interna e as transmissões mecânicas e hidráulicas.

Se alguma vez você já olhou embaixo do capô de um carro, sabe que um motor de combustão interna requer muitos equipamentos adicionais para funcionar corretamente. Não importa o que mais façam com o carro, os designers sempre precisam criar espaço para esse equipamento.


Foto cortesia da General Motors
O carro-conceito AUTOnomy original


Foto cortesia da General Motors
A evolução dirigível do AUTOnomy, o Hy-wire

O mesmo acontece com as transmissões mecânicas e hidráulicas. A idéia básica deste sistema é que o motorista manobra diretamente os vários elementos do carro (rodas, freios, etc.), manipulando controles de direção conectados a esses operadores por eixos, engrenagens e componentes hidráulicos. Em um sistema de direção de coroa e pinhão, por exemplo, virar o volante faz girar um eixo conectado a uma engrenagem de pinos, que move uma engrenagem de coroa conectada às rodas dianteiras do carro. Além de limitar a forma como o carro é construído, o conceito de transmissão também dita a forma como dirigimos: volante, pedal e sistema de troca de marchas foram desenhados em torno da idéia de transmissão.

A característica que define o Hy-wire (e seu antecessor conceitual, o AUTOnomy) é que ele não tem nem uma coisa, nem outra. Ao invés de um motor, ele tem uma bateria de célula combustível, que fornece energia a um motor elétrico conectado às rodas. Ao invés de transmissões elétricas e hidráulicas, ele tem um sistema drive by wire (eletrônico e sem cabos) - um computador opera os componentes que movem as rodas, ativam os freios e assim por diante, com base em comandos de um controle eletrônico. É o mesmo sistema de controle empregado em aeronaves militares modernas e em muitos aviões comerciais.


Foto cortesia da General Motors


Foto cortesia da General Motors
O Hy-wire tem rodas, assentos e janelas como um carro convencional, mas as semelhanças praticamente param por aí. Não há motor embaixo do capô, nem volante ou pedais dentro do veículo.

Essas duas substituições resultam em um tipo bem diferente de carro e uma experiência bem diferente de dirigir. Não há volante, não há pedais e não há compartimento de motor. Na verdade, cada equipamento que de fato faz o carro se mover está abrigado dentro de um chassi de alumínio de 28 cm de espessura - também conhecido como prancha de skate - localizado na base do carro. Tudo o que está acima do chassi serve exclusivamente para o controle do motorista e o conforto do passageiro.

Isso significa que o motorista e os passageiros não precisam sentar atrás de um amontoado de máquinas. Ao invés disso, o Hy-wire tem um pára-brisa enorme, que dá a todos uma visão bem ampla da estrada. O chão da cabine de passageiros, feita de fibra de vidro e aço, pode ser totalmente plano e para cada assento há bastante espaço para esticar as pernas. Concentrar o peso na parte inferior do veículo também aumenta a segurança, pois diminui a probabilidade do carro capotar.

Mas a parte mais legal deste design é que ele permite que você remova a cabine de passageiros inteira e troque por uma diferente. Se você quiser trocar sua van por um carro esporte, não precisa de um carro inteiro novo; basta uma nova carroceria (o que é muito mais barato).


Foto cortesia da General Motors
Ilustração do conceito de carroceria-acessório do AUTOnomy

E você pode voltar para a van quando precisar. A logística de troca ainda não está muito clara. Se esta idéia pegar, pode ser que sejam criadas estações de troca onde você guarda as suas carrocerias diferentes, ou pode ser inventada uma maneira para que os motoristas troquem, eles mesmos, as carrocerias nas suas próprias garagens.

A brincadeira do nome
A GM chamou de AUTOnomy seu conceito de carro drive-by-wire movido à célula combustível, para destacar a flexibilidade do controle por computador e as carrocerias substituíveis. Quando chegou o momento de dar um nome para a versão dirigível de verdade, o time de designers recrutou um grupo de meninos, de 6 a 15 anos de idade, para sugerirem nomes interessantes. Sessões de brainstorming movidas a doces renderam centenas de nomes, incluindo Wildcard, Moonshot, Jetson e Volt. A GM ficou com a sugestão (Hy-wire) de Aleksei Dachyshyn, de 14 anos de idade, pois ela resumia bem os conceitos centrais do veículo: célula combustível de hidrogênio (HYdrogen) e drive-by-wire.