A partir do chassi, o computador controla todos os aspectos de direção e uso de energia, mas recebe ordens "de cima" - do motorista que está dentro do carro, no caso. O computador é conectado à parte eletrônica da carroceria através de uma única porta de conexão universal, que funciona basicamente como uma porta USB em um computador: transmite um fluxo constante de sinais de comando eletrônicos do controle do carro para o computador central, bem como sinais de resposta do computador para o controle. Além disso, fornece a energia necessária para operar todos os componentes eletrônicos de bordo. Dez ligações físicas prendem a carroceria à estrutura do chassi.
![]() Foto cortesia de General Motors Diagrama da GM para o design do AUTOnomy |
A unidade de controle do motorista, que ganhou o nome de X-drive, é muito mais parecida com um controle de vídeo game do que com o tradicional formato volante/pedais. O controle tem dois guidões ergonômicos, posicionados à direita e à esquerda de um pequeno monitor LCD. Para fazer curvas, basta deslizar os guidões levemente para cima e para baixo - não é necessário ficar girando um volante, apenas manter o guidão na posição de curva. Para acelerar, é só virar um dos guidões, da mesma forma como você viraria o acelerador de uma moto e para frear basta apertar qualquer um dos guidões.
Sensores eletrônicos de movimento, similares aos de joysticks de computadores sofisticados, traduzem este movimento em um sinal digital que o computador central reconhece. Botões no controle tornam fácil a tarefa de alternar entre neutro (ponto morto), drive (percurso) ou ré e um botão de partida liga o carro. Já que tudo é absolutamente controlado com as mãos, você pode fazer o que quiser com seus pés (imagine poder usar um massageador para os pés todo dia na ida e na volta do trabalho).
![]() Foto cortesia da General Motors O X-drive do Hy-wire |
![]() Foto cortesia da General Motors O X-drive pode deslizar para os dois lados do veículo |
O monitor de 14,7 cm no centro do controle mostra tudo o que você normalmente encontraria em um painel de instrumentos (velocidade, quilometragem, nível de combustível). Também fornece imagens de câmeras de vídeo localizadas nas laterais e na traseira do veículo, ao invés de espelhos retrovisores convencionais. Um segundo monitor, localizado no console ao lado do motorista, mostra o equipamento de som, controle de temperatura e informações de navegação.
Já que não dirige diretamente nenhuma parte do carro, o X-drive poderia na verdade ficar em qualquer lugar da cabine de passageiros. No atual modelo Hy-wire sedan, o X-drive pode ser posicionado em quaisquer dos assentos dianteiros; assim, é possível trocar de motorista sem se levantar. Também é muito fácil ajustar o X-drive para cima ou para baixo para aumentar o conforto do motorista, ou para abrir espaço quando você não estiver dirigindo.
Uma das coisas mais interessantes do sistema drive-by-wire é que você pode ajustar componentes do carro sem mudar absolutamente nada nos componentes mecânicos - basta um programa de computador para ajustar a sensibilidade da direção, do acelerador ou dos freios. Em futuros veículos drive-by-wire, é muito provável que você seja capaz de configurar os controles exatamente do jeito que você gosta apertando poucos botões, da mesma forma como você ajusta a posição do assento em um carro hoje. Também seria possível, nesse tipo de sistema, armazenar preferências de controle distintas para cada motorista da casa.
![]() Foto cortesia da General Motors |
![]() Foto cortesia da General Motors Conceito da GM para o AUTOnomy com e sem a carroceria acoplada |
A grande preocupação com veículos drive-by-wire é a segurança. Uma vez que não existe conexão física entre o motorista e os elementos mecânicos do carro, uma pane elétrica significaria total perda de controle. Para tornar este tipo de sistema viável, os carros drive-by-wire precisariam ter fontes de energia sobressalentes e transmissões eletrônicas redundantes. Com medidas adequadas de segurança como essas, os carros drive-by-wire serão tão seguros quanto os carros convencionais. Na verdade, muitos designers acreditam que eles serão muito mais seguros, pois o computador central será capaz de monitorar os comandos do motorista. Outro problema é adicionar proteção de colisão adequada ao carro.
Um outro obstáculo para esse tipo de veículo é descobrir métodos energeticamente eficientes para produzir, transportar e armazenar hidrogênio para as baterias de célula-combustível de bordo. Com a atual tecnologia, produzir hidrogênio combustível pode gerar tanta poluição quanto usar motores à gasolina e os sistemas de armazenagem e distribuição ainda precisam evoluir bastante (veja Como funciona a economia do hidrogênio para mais informações).
Teremos então a chance de comprar um Hy-wire? A General Motors diz que pretende iniciar a produção de uma versão do carro em 2010, presumindo-se que consiga resolver os principais problemas de combustível e segurança. Mas mesmo que a equipe da GM não cumpra essa meta, a GM e outras montadoras com certeza estão planejando ultrapassar o carro convencional logo, em direção a uma alternativa computadorizada e que não agrida o meio-ambiente. Muito provavelmente a vida na estrada vai mudar consideravelmente nas próximas décadas.
Para mais informações sobre o Hy-wire e outras tecnologias automotivas emergentes, confira os links na próxima página.