Como funciona o MINI Cooper

Autor: 
Jonathan Strickland

No mundo dos automóveis, os fabricantes tendem a desenvolver um modelo de carro e depois fazê-lo evoluir, reinventando-o depois de alguns anos para refletir as necessidades de mudanças e desejos do mercado consumidor. Em alguns casos, um projeto de modelo de carro segue adiante de forma que permanece relativamente intocado por décadas. Esse carro pode abarcar uma legião fiel de fãs e entusiastas, cuja paixão pelo modelo pode parecer, para quem vê de fora, ir bem além das qualidades do próprio carro. Mas os fãs sabem que estão apostando certo. 

Na Inglaterra, o Mini é um desses carros. Assim como aconteceu com o Volkswagen Fusca, o design do Mini teve poucas mudanças em todos os 40 anos nos quais esteve em produção. Depois, em 2000, o Mini se transformou no MINI Cooper, um carro que prometia seguir os passos do Mini original. Neste artigo, examinaremos a história dessa notável pequena máquina. Vamos ver como o MINI foi evoluindo em uma série de pequenas mudanças e algumas grandes transformações, e também analisaremos a cultura que surgiu em torno desse carro.

A história do Mini começa em 1957, quando Leonard Lord, presidente da British Motor Corporation (BMC), decidiu desenvolver um carro pequeno confiável e eficiente para os consumidores. Naquela época, a Inglaterra estava no meio de uma crise de petróleo e carros econômicos eram uma necessidade. A maioria desses carros tinha motores abaixo de 700 cm3 (centímetros cúbicos) e eram chamados de microcarros (também conhecidos como "bubble cars" ou "carros-bolha"). A maior parte foi produzida na Alemanha, e eles normalmente eram difíceis e perigosos de dirigir. Lord deu ao projetista de automóveis Alec Issigonis a tarefa de criar um carro inglês que coubesse em uma caixa de aproximadamente 3 m de comprimento, por 1,2 m de largura e 1,2 m de altura. Além disso, o espaço para passageiros no carro tinha que englobar 60 % do comprimento do veículo.

Galeria de imagens do Mini/> (em inglês)
O projeto do conceito do primeiro Mini Cooper/>
Direito autoral da foto de 2002 a 2007: Keith Adams
O desenho do conceito do primeiro Mini 
O Mini Cooper de 1959/>
Direito autoral da foto de 2002 a 2007: Keith Adams 
O Mini de 1959 

Issigonis e sua equipe partiram do conceito à produção em dois anos, um ciclo de desenvolvimento incrivelmente curto para um carro totalmente novo. O segredo do tamanho do Mini era uma revolucionária disposição de motor. Issigonis decidiu criar um motor de montagem transversal, o que significa que ele projetou o carro de modo que o motor fosse montado de lado. Além disso ele colocou o motor na frente do carro, próximo às duas rodas dianteiras, que também eram as de tração. O peso adicional da frente do Mini deu ao carro mais estabilidade em curvas estreitas. O desenho de motor que ocupava pouco espaço permitiu que Issigonis criasse um compartimento de passageiros com mais espaço do que o previsto para um carro tão pequeno. A impressão que dá é que ele era maior por dentro do que visto de fora.

O pequeno carro também possuía um velocímetro/> (em inglês) central, rodas pequenas (posicionadas nos cantos do veículo, dando a ele um "ar de buldogue") e poucos acessórios. Leonard Lord viu a segunda geração de protótipos e decidiu produzir o Mini em larga escala. Em agosto de 1959, os primeiros Minis saíram das linhas de montagem e caíram nas mãos dos motoristas britânicos.

Em 1961, um construtor de carros de corrida chamado John Cooper se aproximou da BMC com a intenção de alterar o Mini para transformá-lo em um carro de corrida viável. Issigonis se opôs, pois achava que o Mini deveria ser um carro para todos. Cooper decidiu passar por cima de Issigonis e recebeu a bênção da BMC. O resultado da parceria foi o primeiro Mini Cooper, um carro que venceu diversas corridas, incluindo três vitórias no rali de Monte Carlo. Em 1963, Cooper fez mais alterações no desenho do motor e na carroceria. Ele chamou sua versão potenciada de Mini Cooper S.

O Mini Cooper de 1961
Direito autoral da foto de 2002 a 2007: Keith Adams 
O Mini Cooper de 1961

A BMC começou a vender os Minis no mercado norte-americano em 1960. Entre 1960 e 1967, aproximadamente 10 mil Minis foram vendidos nos EUA. Embora a BMC fosse encorajada pela resposta dos consumidores, os padrões de emissões que surgiram forçaram a empresa a parar com as exportações. A BMC concluiu que o custo de alteração do motor do Mini era muito grande, e disso resultou que os Estados Unidos não veriam um novo Mini disponível para compra até 2002.

Fraude do Mini?

Nos Estados Unidos, carros com mais de 25 anos são isentos de limites de emissões. Encontrar qualquer carro dessa idade em boas condições de funcionamento é um desafio. Sabe-se que alguns entusiastas inescrupulosos tiram as plaquetas com o número do chassi do veículo (VIN) dos antigos Minis para colocá-las em Minis que ainda não têm 25 anos. Eles argumetam que o carro original foi reparado tantas vezes que a única peça original que restou foi a plaqueta de identificação (isso é conhecido nos meios filosóficos como o Paradoxo de Teseu/> (em inglês).