Causas associadas aos acidentes de trânsito

Alguns estudos mostram que as ocorrências de acidente de trânsito concentram-se em um grupo pequeno dos condutores. Pesquisa na Alemanha observou que 9% dos condutores eram responsáveis por 40% dos acidentes. Como foi observado na Conferência de Roma (OMS, 1984), o comportamento do motorista é o principal fator responsável por acidentes de trânsito (observação de sinais, velocidade e decisões no momento de ultrapassar outro carro ou de cruzar uma rua). Outro fator importante é a idade: o risco de acidentes cai de acordo com a idade do motorista, quanto mais velho, menos acidentes. Vários estudos verificaram uma forte conexão entre agressividade e trânsito, principalmente entre a população jovem e adolescente.

Embora o sono seja um elemento dos mais importantes na causa de acidentes de trânsito, ele é muito pouco estudado, principalmente pela dificuldade de se pesquisar essa variável após a ocorrência de um acidente. São utilizadas duas taxas para estimar o número de acidentes por veículo a motor causados por sonolência.

A primeira é baseada na percentagem total de acidentes e o total de acidentes fatais que ocorrem nas horas de maior sonolência, das 2h às 7h e das 14h às 17h (42% do total e 36% dos fatais). A segunda é a percentagem do total de acidentes ocorridos à noite (54%), quando os tempos de reação e de desempenho estão consideravelmente diminuídos. A tendência a adormecer é também aumentada pela privação e pela interrupção do sono, sendo o efeito dessa perda acumulativo.

O sub-registro da sonolência existe por diversos motivos: os envolvidos não desejam referir nem aos policiais, nem amigos ou familiares, que eles dormiram na direção, porque isso significa admitir responsabilidade pelo acidente. A sonolência é, muitas vezes, ignorada por falta de reconhecimento do motorista, que atribui o acidente a outras causas, como a má condição climática ou o estado insuficiente de preservação da rodovia. Outros comportamentos de risco se associam aos acidentes de trânsito: alcoolismo e uso de drogas.

Há uma dificuldade de análise dos acidentes de trânsito em relação ao cosumo de álcool e drogas já que o nível de metabólitos no sangue não se correlaciona com seu efeito na capacidade para dirigir. No entanto, tem-se observado que os motoristas que utilizam estimulantes (anfetaminas) apresentam um risco aumentado de acidente de trânsito. Também há associação significativa entre acidente grave e uso de tranqüilizantes menores, como o diazepam.

Várias pesquisas apontam uma forte relação entre a ingestão de álcool e acidentes de trânsito. Há estudos que observaram que concentrações de 50mg/100ml de álcool no sangue podem provocar inaptidão para a condução de veículos (OMS, 1984). Exames post-mortem de rotina em acidentados de trânsito observaram que proporção significativa dos motoristas mortos apresentavam alcoolemia elevada. Em vários países, o álcool é responsável por 30% a 50% dos acidentes graves e fatais (OMS, 1984).

Nos Estados Unidos, considera-se que um acidente fatal é relacionado ao álcool se o condutor ou pedestre apresentar, no momento do acidente, uma concentração de alcoolemia igual ou superior a 100mg/dl; esse nível é considerado de intoxicação.

A importância de medidas de caráter preventivo fica em evidência nos estudos realizados que apontaram uma tendência decrescente do beber e dirigir, até que se aprovou uma regulamentação mais flexível tanto na venda, quanto na propaganda de bebida alcoólica, com aumento da disponibilidade álcool.

A reincidência em infração de trânsito é maior em menores de trinta anos, e todos esses tipos de infração diminuem após essa idade, exceto aquele por dirigir alcoolizado, que se mantém constante em todas as faixas etárias, representando cerca de 50% das reincidências, dados confirmados em vários estudos.

Quanto maior o consumo geral de álcool, maior a freqüência de beber e dirigir. O consumo per capita de álcool absoluto, segundo informações que datam da última metade da década de 80, aumentou na região das Américas, em países como a Colômbia, Chile,  México, Panamá e Brasil - este último, com um aumento de 31%, foi o que mostrou o maior incremento (Yunes & Rajs, 1994).

Em 1993, no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, estudo realizado com 100 doentes traumatizados escolhidos aleatoriamente para realização de alcoolemia observou que 36 estavam alcoolizados, sendo a maioria jovens de 15 a 35 anos, e, entre estes, vinte sofreram acidente automobilístico.