Como funcionam as motos

Autor: 
Bill Harris

Foram vendidas no Brasil em 2006 quase 1,3 milhão de motos, e a previsão para este ano é chegar perto de 1,45 milhão. Por que esse aumento em popularidade? Diferentemente dos carros, as motos permitem que os pilotos se conectem intimamente com a experiência de dirigir. Mas não se trata somente de aventura e liberdade. Com os preços da gasolina disparando, as motos, que podem rodar até 40 quilômetros com 1 litro de gasolina, são uma alternativa aos carros "beberrões". E em cidades de trânsito lento como São Paulo as motos ajudam muito na entrega de cargas de pequeno porte. 


Foto Cortesia da Dee Kull, MorgueFile

Neste artigo, aprenderemos como as modernas motos operam, como o desenho evoluiu durante os anos e como as motos podem mudar no futuro próximo.

Fundamentos da moto

As motos são veículos motorizados para transportar um ou dois passageiros. Geralmente, uma moto tem apenas duas rodas, mas qualquer veículo com menos de quatro rodas em contato com o chão pode ser classificado como moto. As variações de três rodas  incluem o "hack" (moto com sidecar ou carro lateral) e o "trike" (abreviação para triciclo).


Foto Cortesia da Kenn Kiser, Pixel Perfect Digital
Honda Gold Wing GL 1800 2001
com conversão para trike Monarch

A configuração da motocicleta moderna foi estabelecida em 1914 e permaneceu fundamentalmente inalteradao desde então. A estrutura e função geral de uma moto é bem simples. Ela inclui um motor a gasolina, que converte o movimento alternativo dos pistões em movimento rotativo, exatamente como o motor de um carro. Um sistema de transmissão emite esse movimento para a roda traseira. Conforme a roda traseira gira, impulsiona a moto para frente. A direção é realizada girando-se a roda dianteira por meio do guidão e inclinando a moto para o lado da curva. Duas alavancas manuais permitem que o piloto opere a embreagem e o freio dianteiro, enquanto dois pedais permitem que ele troque as marchas e controle o freio traseiro.

Motocicletas para a guerra

Uma motocicleta militar Harley-Davidson

Quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914, o automóvel não era o dono das estradas. As motos preencheram as lacunas como veículos confiáveis e seguros. Na guerra, sua natureza utilitária foi colocada em bom uso. Os exércitos americano e europeu usaram motos para reunir reconhecimento, entregar mensagens e, em alguns casos, entrar em combate. Em 1917, aproximadamente um terço das motos Harley-Davidson produzidas foram vendidas para o exército americano; em 1918 esse número aumentou para 50%. No final da guerra, estimava-se que o Exército tinha usado cerca de 20 mil motos - a maioria delas Harley-Davidsons [ref - em inglês]. 

Motores de motos

Os motores de motocicletas funcionam do mesmo modo que os motores de carros. Eles consistem em pistões, um bloco de cilindros e um cabeçote, que contém o trem de válvulas. Os pistões se movem para cima e para baixo no bloco de cilindros, acionados por explosões de uma mistura de ar-combustível que foi inflamada por uma centelha. As válvulas abrem e fecham para permitirem que a mistura ar-combustível entre na câmara de combustão. Conforme os pistões se movem para cima e para baixo, eles fazem o virabrequim girar, o qual transforma a energia aplicada sobre os pistões em movimento rotativo. A força rotativa do virabrequim é transmitida, por meio da transmissão, para a roda traseira da moto.

Dentro de um  motor

Os motores de motos são geralmente classificados por uma das três características: o número de cilindros que possuem, a capacidade volumétrica (ou cilindrada) ou seu ciclo de funcionamento.

Cilindros
Os motores de motos podem ter entre um e seis cilindros. Durante anos, o design de dois cilindros em "V" foi o motor escolhido pelos engenheiros na América, Europa e Japão. Os dois cilindros em "V" têm esse nome pelo fato de os dois cilindros formarem a figura de um "V", como o clássico V2 da Harley-Davidson mostrado abaixo. Observe o ângulo de 45° do "V" da Harley-Davidson - outros fabricantes podem variar este ângulo para reduzir a vibração.


Foto cortesia da Harley-Davidson Motor Company
O RevolutionTM, um motor V2 da Harley-Davidson

O V2 é apenas um meio de dispor dois cilindros. Quando os cilindros são orientados de modo que os pistões se opõem entre si, o resultado é um horizontal oposto bicilíndrico. Os motores duplos-paralelos têm seus pistões posicionados lado a lado verticalmente.

Atualmente, os desenhos mais populares são os quatro-cilindros, que funcionam mais suavemente e em rotações mais altas do que um dois-cilindros comparável. Os quatro cilindros podem ser posicionados em linha, ou podem ser dispostos em "V", com dois cilindros em cada lado do "V".

Capacidade
O volume deslocado pelo pistão do cilindro em um motor de moto está diretamente relacionado à sua potência. O limite superior é cerca de 1.500 cm3 enquanto o limite inferior é cerca de 50 cm3. Esses são normalmente encontrados em ciclomotores que oferecem o baixo consumo de 40 km/l, mas alcançam velocidades máximas de 50 a 55 km/h.

A seguir, examinaremos a transmissão da moto.

O que há em um nome?
O termo “biker”, nos EUA, tem sido associado a membros de gangues de motos, motivo pelo qual muitos entusiastas das motocicletas preferem os termos "piloto" ou "motociclista". Os "bikers" são pilotos de motocicletas por volta dos 40 a 50 anos, um dado demográfico que não representa muito bem a população geral de proprietários de motocicletas até recentemente.