Pilotando uma moto

Autor: 
Bill Harris
Capacete


Foto Cortesia do HowStuffWorks Shopper

Em muitos estados americanos e no Brasil, o uso do capacete é obrigatório. Os capacetes realizam duas funções em um acidente: distribuição de energia e absorção do impacto. A parte externa, que é construída em plástico reforçado com fibra-de-vidro ou plástico moldado à injeção, distribui a energia de um impacto por uma área maior. Um revestimento interno feito de poliestireno absorve a maior parte do impacto.

Dirigir uma moto é muito diferente de dirigir um carro. Uma vez que as motos possuem apenas duas rodas, elas tombam quando param de se mover. Uma moto em movimento é afetada por forças giroscópicas que são únicas para máquinas com duas rodas. Como resultado, os novos motociclistas devem desenvolver as habilidades necessárias para lidar com suas máquinas e devem ser habilitados antes de poderem dirigir suas motos nas ruas. Em particular, os pilotos de motocicletas devem dominar a arte da direção, frenagem e troca de marchas.

Direção
Dirigir uma moto em baixa velocidade é um processo simples. O piloto simplesmente gira o guidão na direção em que deseja ir. Isso funciona apenas em velocidades abaixo de 10 km/h. Se uma motocicleta estiver andando um pouco mais rápido, o piloto deve usar um tipo diferente de direção, conhecido como contra-esterço. Esse tipo de direção pode parecer contra-intuitivo. É porque os pilotos das motos devem pressionar o guidão para a esquerda para fazer o veículo virar para a direita e vice-versa.

Eis como funcionaria na rua: imagine que você está pilotando uma moto em uma auto-estrada e, à sua frente, bloqueando a metade direita de sua pista, há um acidente ou algum outro obstáculo. Se você for um piloto novato, provavelmente pensaria em pressionar o lado direito do guidão, imaginando que isso iria virar a moto para a esquerda. Na realidade, isso irá direcionar a moto para a direita, diretamente para o obstáculo. Em vez disso, você deve fazer pressão no lado esquerdo do guidão, que direciona a roda dianteira para a direita, mas dirige o veículo para a esquerda.

Por que uma motocicleta funciona assim? As rodas da motocicleta atuam como giroscópios e criam forças giroscópicas ao se movimentarem em velocidades acima de 10 km/h. Um dos efeitos mais interessantes relacionados a um giroscópio é um fenômeno conhecido como precessão. Quando uma força é aplicada perpendicularmente ao eixo de rotação de um giroscópio, o movimento resultante é perpendicular à força de entrada. Este movimento é chamado de precessão e é o que faz com que a direção em uma motocicleta seja fora do padrão contra-intuitivo. É também por isso que os instrutores geralmente municiam seus pilotos iniciantes com um ditado simples: “Empurre a esquerda, vire à esquerda. Empurre a direita, vire à direita”.

Figura 1: o giroscópio está girando em seu eixo
Figura 2: a força é aplicada para tentar girar o eixo de rotação
Figura 3: o giroscópio está reagindo à força de entrada junto a um eixo perpendicular à força de entrada

Frenagem
Parar uma moto em movimento requer que o piloto use dois freios - um na roda dianteira, controlado pela mão direita e outro na roda traseira, controlado pelo pé direito. Ambos os freios devem ser usados ao mesmo tempo, embora os freios dianteiros sejam mais potentes e normalmente forneceçam de 70 a 90% da força de frenagem total. Novos pilotos geralmente têm medo de usar o freio dianteiro, mas ele deve ser aplicado toda vez que a motocicleta for desacelerada ou parada. Muitos acidentes são causados por pilotos que freiam incorretamente. De acordo com a Patrulha Rodoviária da Califórnia, o travamento dos freios traseiros é um dos principais motivos de ocorrência de acidentes de motocicletas.

Mudando as marchas
As primeiras embreagens de motocicletas eram operadas por um pedal do mesmo modo que os motoristas de automóveis usam as embreagens. Isso era inadequado e perigoso pois exigia que o pé esquerdo do piloto estivesse fora do chão quando a moto viesse a parar completamente (em um sinal, por exemplo). Os projetistas britânicos resolveram este problema com uma embreagem operada manualmente. Atualmente, as embreagens operadas com a mão e as trocas de marcha feitas com o pé são padrões em todos os modelos.

Na próxima seção, exploraremos os diferentes tipos de motos.

Recomendação para frenagem
Quando uma motocicleta sofre uma rápida desaceleração, o peso se desloca para a roda dianteira. Isso torna a traseira da moto mais leve e pode fazer com que a roda traseira se trave e derrape. Nesta situação, os pilotos devem simplesmente manter o freio traseiro aplicado e focalizar seus olhos no horizonte. A moto continuará a derrapar, mas de modo controlável e sem abanar muito a traseira.

Quando a roda dianteira trava, o piloto deve liberar o freio dianteiro. Se não fizerem isto, a roda dianteira pode se enfiar debaixo da moto e causar um tombo. O melhor modo de evitar um travamento dianteiro é usar uma técnica chamada "frenagem progressiva". Na frenagem progressiva, o piloto progride através de três estágios. Cada estágio corresponde a uma quantidade maior de pressão aplicada ao freio dianteiro:

  • no estágio um o piloto aplica o freio apenas até o ponto onde haja o mais leve atrito entre as pastilhas de freio e o disco;
  • na frenagem estágio dois, o piloto progride até o estágio um e continua a aplicar uma força constante;
  • no estágio três, que normalmente é reservado para emergências que exigem desaceleração rápida, o piloto aplica o máximo possível de pressão ao freio, mas apenas depois de progredir através dos outros estágios.

Este tipo de frenagem progressiva servirá a motociclistas em todas as situações de direção e normalmente evitará um travamento dianteiro.