Há muitas coisas sobre a nave de Han e outras naves que você vê no Guerra nas Estrelas, que são extremamente atraentes. Por exemplo, a combatente X-Wing de Luke é pequena o suficiente para que você possa imaginá-la dentro de uma garagem. Porém, ela tem combustível e suprimentos (como oxigênio) a bordo o suficiente para viajar muitos anos luz de distância. Todas as naves deveriam ter:
- Motores incrivelmente poderosos e eficientes que usam pequenas quantidades de combustível.
- Sistemas de gravidade artificial extremamente eficientes.
- Sistemas de amortecimento de inércia igualmente eficazes, permitindo que a nave vá de zero a um milhão de quilômetros por hora em apenas alguns segundos sem deformar a nave.
- Capacidade de viajar mais rápido que a velocidade da luz.
Os foguetes Saturno V, que enviaram os astronautas dos Estados Unidos à Lua, nos dão uma idéia de onde a tecnologia chegou. O Saturno V é um foguete químico, tem 110 metros de altura e pesa 2.727.000 kg. Ou seja, seria impossível caber em sua garagem! Além disso, seria muito difícil para uma pessoa comum conseguir comprá-lo e até mesmo abastecê-lo, pois a capacidade de seu tanque é de mais de 2.272.000 kg de combustível.
Para poder lançá-lo à Lua, você precisaria de combustível com uma densidade de energia muito mais alta. O artigo Como funciona a radiação nuclear questiona o fato de que meio quilo de urânio altamente enriquecido tem energia suficiente para se igualar a aproximadamente 4 mil litros ou mais de gasolina. Em outras palavras, quase toda a energia armazenada em um foguete Saturno V caberia em um ou dois quilos de Urânio enriquecido (supondo que você tenha um modo eficiente de extrair a energia de uma maneira controlada). Outras formas eficazes de criar energia envolvem a fusão nuclear e o extermínio da matéria-antimatéria.
O problema com os motores de foguetes hoje em dia é que eles são, por necessidade, motores de reação. O único jeito de sabermos sobre o impulsionamento de uma espaçonave através do espaço é jogando, de sua traseira, um objeto para fora e observar sua reação igual e oposta. O artigo Como funcionam os motores de foguetes detalha bem este assunto. Um foguete químico queima o combustível para acelerá-lo e depois joga o peso do combustível na traseira do foguete em uma velocidade de aproximadamente 10 mil km/h. Assim, a espaçonave se beneficia da reação igual e oposta e se move adiante.
Devido a essa dependência dos motores de reação, você tem de transportar mais do que simplesmente "energia" em sua espaçonave. É preciso transportar também um objeto para ser jogado para fora dela para que ela avance. Este objeto pode estar na forma sólida, líquida ou gasosa. Motores de íon, por exemplo, ionizam algo como o Xenônio que acelera os átomos ionizados em um campo elétrico. Os átomos se movem muito mais rápido quando saem da traseira de um motor de íon. Assim você obtém mais impulso por átomo jogado. Mas muitos átomos devem ser jogados para se poder ir a algum lugar. Jogando os átomos a uma velocidade que se aproxime razoavelmente de uma fração da velocidade da luz, você consegue o movimento máximo por átomo. Porém, deve-se transportar uma quantidade de massa suficiente para que a nave acelere e consiga parar ao chegar na Lua. E, com a tecnologia com a qual contamos hoje, é necessária muita massa!
Com isso, percebe-se que sua espaçonave pessoal precisaria de um sistema de produção de energia bem exótico (usando desintegração nuclear, fusão nuclear ou antimatéria) e você tem que transportar a massa que será jogada para fora da espaçonave para criar movimento. Um último problema envolve a produção de calor: a desintegração e a fusão nuclear geram muito calor, que precisa ser descarregado em algum lugar. Descarregar o calor no espaço é difícil porque o vácuo ali existente faz dele a maior garrafa térmica do mundo. Assim, o tamanho dos radiadores térmicos impedirá que sua espaçonave pessoal caiba em sua garagem.
Então, por enquanto, essa não é uma boa idéia. A não ser que alguém invente algo como uma máquina antigravitacional barata ou um modo de deformar tempo-espaço, não voaremos para a Lua em nossos carros num futuro tão próximo.
Aqui vão alguns links interessantes (em inglês):


